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	<title>Filosofante</title>
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		<title>V Jornada de Filosofia</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 23:12:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[V Jornada de Filosofia]]></category>

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		<title>Comunicações 2010</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 22:59:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Facapa]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicações 2010]]></category>
		<category><![CDATA[Semana Filosofica]]></category>
		<category><![CDATA[V Jornada de Filosofia]]></category>

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		<description><![CDATA[

APRESENTAÇÃO DE COMUNICAÇÕES DURANTE A V JORNADA DE FILOSOFIA

Até o dia 30/09/10, encontram-se abertas inscrições para apresentação de comunicações durante a v jornada de filosofia.
Serão aceitos textos de até 05 (cinco) páginas digitadas em times new roman, espaço 1,5 e que versem sobre algum assunto de interesse filosófico.
Os textos serão avaliados por uma comissão de <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=896" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><a href="?p=896#more-896"><img src="http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/comuni2010.jpg" /></a></center><br />
<span id="more-896"></span><br />
<center><strong>APRESENTAÇÃO DE COMUNICAÇÕES DURANTE A V JORNADA DE FILOSOFIA</strong></center></p>
<ul>
<li>Até o dia 30/09/10, encontram-se abertas inscrições para apresentação de comunicações durante a v jornada de filosofia.</li>
<li>Serão aceitos textos de até 05 (cinco) páginas digitadas em times new roman, espaço 1,5 e que versem sobre algum assunto de interesse filosófico.</li>
<li>Os textos serão avaliados por uma comissão de professores.</li>
<li>A listagem dos textos aprovados e das mesas e salas para as apresentações será divulgada no dia <strong>08/10/10.</strong></li>
<li>
As comunicações serão apresentadas no dia <strong>27/10/10</strong>, a partir das <strong>19h</strong>, num prazo de no máximo 20 minutos para cada uma, seguidos de breve discussão.</li>
<li>
Os que apresentarem comunicação receberão certificado.</li>
</ul>
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		<title>Nascimento e Morte do Mal</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 22:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Nascimento e Morte do Mal]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; É famosa a reflexão dos epicuristas gregos sobre o mal. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;O Epicurismo é um sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C. e seguído depois por outros filósofos, chamados epicuristas. Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a felicidade, esse era o objetivo de seus ensinamentos <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=892" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É famosa a reflexão dos epicuristas gregos sobre o mal. </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Epicurismo é um sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C. e seguído depois por outros filósofos, chamados epicuristas. Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a felicidade, esse era o objetivo de seus ensinamentos morais. Para Epicuro, a presença do prazer era sinônimo de ausência de dor, ou de qualquer tipo de aflição: a fome, a abstenção sexual, o aborrecimento, etc.<br />
<span id="more-892"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para os epicuristas existe uma radical incompatibilidade entre a existência de Deus e a do mal. Diziam eles que “Deus, ou não quer eliminar o mal ou não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente, o que não convém a Deus; se pode e não quer, é malévolo, o que também é incompatível com a ideia de Deus; se não quer nem pode, não é Deus. Enfim, se quer e pode, o que corresponde à ideia de Deus, de onde procedem os males da vida e por que ele não os elimina?” Em suma: a existência do mal parece incompatível com a onipotência e a bondade de Deus, ou seja, com a ideia de um Deus onipotente e infinitamente bom”.  (MAC DOWELL, J.A. Investigação filosófica sobre Deus. Belo Horizonte: FAJE, 2008).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Logicamente Deus é onipotente e infinito em bondade, quer e pode eliminar o mal, contudo a responsabilidade pela entrada do mal no mundo é do próprio homem, que, ao utilizar seu livre-arbítrio da vontade, deixou-se seduzir por aquele que criou o mal (um anjo decaído chamado de Satanás ou Lúcifer), e assim, a humanidade resolveu seguir um caminho de separação de Deus, e como bem ensina as sagradas escrituras, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6, 23).  </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Santo Agostinho (354-430), escritor, teólogo, filósofo, padre, bispo e Doutor da Santa Igreja Católica, “esta sedução se deu através do orgulho, principal fonte de toda má opção. A este pecado o demônio acrescentou a inveja, a mais odiosa, até persuadir ao homem esse mesmo orgulho, em razão do qual ele tinha consciência de ter sido condenado” (AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística]. Livro III, terceira parte, cáp. 25, 76, p.240).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A inveja do demônio em relação a Deus foi passada às criaturas humanas pela persuasão e sedução.<br />
<blockquote>“E vós sereis como deuses” (Gênesis 3, 5).<br />
         Como dizem as Sagradas Escrituras:<br />
        “O orgulho é o começo de todo pecado e “o início do orgulho humano é afastar-se de Deus” (Eclesiástico 10,12-13).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A partir desta decisão humana, que foi respeitada por Deus, o corpo do homem passou a ser revestido de mortalidade, fato contrário à vontade de Deus, que desejava que Sua criação humana estivesse em comunhão com Ele desde o início no paraíso.       </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Porém, o Senhor, na sua infinita misericórdia, demonstrando todo o Seu poder de eliminar o mal, enviou seu próprio Filho Jesus para nos resgatar do poder do inimigo. Assim, todo aquele que Nele crer vencerá a morte e ressuscitará em um corpo celestial e imortal.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vinda de Jesus Cristo é o início dos planos de Deus para eliminar o mal do mundo, e este projeto se consumirá somente quando for de Sua vontade (e não no momento que os homens quiserem), quer dizer, no dia do juízo final, na ocasião em que o mal for totalmente e definitivamente derrotado.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Santo Agostinho em sua obra O Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio) faz uma reflexão profunda sobre a origem e a derrota do poder maligno. Ele diz que quando os homens decidem ser submissos ao Senhor, o demônio passa a não ter mais nenhum poder sobre eles.</p>
<blockquote><p> “É porque o Verbo de Deus, o Filho único de Deus, que sempre teve e sempre terá o demônio submetido às suas leis, tendo se revestido de nossa humanidade, submeteu igualmente o demônio ao homem. Para isso, nada lhe exigiu com violência. Mas venceu-o pela lei da justiça. Posto que o demônio, tendo enganado a mulher e feito cair o homem por meio dela – certamente animado pelo desejo perverso de causar dano, entretanto com todo direito -, pretendia submeter à lei da morte todos os descendentes do primeiro homem, a título de pecadores” (AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística]. Livro III, segunda parte, capítulo 10, p.185).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Interessante notar neste texto como procede a justiça de Deus. Ele é sempre justo e fiel, e não poderia deixar de sê-lo nem mesmo com o demônio, que através da desobediência do homem, adquiriu o direito de submeter toda a humanidade à morte do corpo e  à prisão eterna de sua alma imortal (o que chamamos de inferno).</p>
<blockquote><p>“Em consequência, esse poder não deveria perdurar senão até o dia em que o demônio poria o Justo [JESUS] à morte, Àquele em quem nada podia encontrar digno de morte. E Ele, não somente foi condenado à morte, sem crime algum, como também nasceu sem concupiscência alguma, pela qual o demônio subjugava a todos os seus cativos, como frutos de sua árvore. Isso sem dúvida levado por um desejo muito perverso. Não obstante, sem lhe ter faltado certo direito de propriedade. Por conseguinte, é com toda justiça que o demônio está constrangido a libertar aqueles que creem naquele a quem submeteu à morte injustamente. Desse modo, se os homens morrem de morte temporal, que essa morte seja para liquidar sua dívida; e se vivem da vida eterna, que seja para viver naquele [JESUS] que pagou por eles uma dívida que ele próprio não tinha. Para aqueles, porém, a quem o demônio tiver persuadido de perseverar na infidelidade, com direito ele os terá como companheiros na danação eterna. Assim, pois, aconteceu que o homem não foi arrancado por violência ao demônio, tal como este não havia se apropriado por violência ao homem, mas por persuasão. Dessa maneira, foi submetido o homem que com direito havia sido humilhado, a ponto de se tornar escravo daquele a quem dera o consentimento para o mal. Com direito, também foi liberado por Aquele a quem dera consentimento para o bem. Isso porque o homem fora menos culpado consentindo ao mal do que o demônio a persuadir a fazê-lo” (idem, p.185-186).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esta é a justiça de Deus, que não pode eliminar o mal do mundo de uma vez só, de forma abrupta, violenta, mas somente através do respeito à liberdade humana, que Ele mesmo criou.</p>
<blockquote><p>  “Visto que o demônio apresentou-se ao homem como exemplo de orgulho, o Senhor apresentou-se a nós [pela encarnação de JESUS] como exemplo de humildade e com a promessa de vida eterna” (AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística]. Livro III, terceira parte, cáp. 25, 76, p.240).</p></blockquote>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Rogério de Paula e Silva</b></span><br />
Disciplinas isoladas &#8211; Filosofia</p>
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		<title>Doutor</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Aug 2010 22:27:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Dionísio Ailton Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[Doutor]]></category>

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		<description><![CDATA[
O professor Pe. Dionísio Ailton Pereira defendeu sua tese para o título de Doutor em Teologia terça-feira, dia 10 de agosto, na PUC Rio.
Titulo: A Fé em Ação: Magistério Social de João Paulo II em seus pronunciamentos ao Brasil.
Professor orientador: Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade.
Parabéns  professor.
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<p>O professor <strong>Pe. Dionísio Ailton Pereira</strong> defendeu sua tese para o título de Doutor em Teologia terça-feira, dia 10 de agosto, na PUC Rio.<br />
<strong>Titulo:</strong> A Fé em Ação: Magistério Social de João Paulo II em seus pronunciamentos ao Brasil.<br />
<strong>Professor orientador:</strong> Dr. Paulo Fernando Carneiro de Andrade.<br />
Parabéns  professor.</p>
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		<title>Exposição &#8220;Olhar de Volta&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 22:50:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><center><br />
<a href="http://www.fcpa.art.br" target="_blank" title="Foto Clube pouso Alegre"><img src="http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/fcpafacapa.jpg" border="0" /></a></center></p>
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		<title>Revista Theoria &#8211; 4ª Edição</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 02:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[4ª Edição]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><center><br />
<a href="http://www.theoria.com.br" target="_blank" title="Theoria - Revista Eletrônica de Filosofia "><img src="http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/capa04theoria.jpg" border="0" /></a></center></p>
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		<title>Entrevista com Mark Rowlands</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=880</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Jul 2010 13:15:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>

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		<description><![CDATA[Mark Rowlands, 48 anos, é um tipo especial de pensador wittgensteiniano. Quase foi engenheiro, mas, reprovado, decidiu seguir seu instinto e conseguiu um título de doutor em filosofia em Oxford. Bon vivant, sua vida era uma festa sem fim, até que decidiu se isolar na Irlanda e escrever livros de filosofia, alguns deles lançados no <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=880" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mark Rowlands, 48 anos, é um tipo especial de pensador wittgensteiniano. Quase foi engenheiro, mas, reprovado, decidiu seguir seu instinto e conseguiu um título de doutor em filosofia em Oxford. Bon vivant, sua vida era uma festa sem fim, até que decidiu se isolar na Irlanda e escrever livros de filosofia, alguns deles lançados no Brasil, como Tudo o Que Aprendi Com a TV (Ediouro, 2008). A nova provocação de Rowlands é um livro original, O Filósofo e o Lobo (Editora Objetiva), em que relata a inusitada experiência de viver com um lobo por mais de uma década.<br />
<span id="more-880"></span><br />
A principal lição que Brenin lhe ensinou não poderia ter aprendido nos livros de Nietzsche e Heidegger, seus mentores filosóficos. Brenin, que uivava em suas aulas quando elas se tornavam chatas, provocando risos dos alunos, ensinou a Rowlands a não pensar como primata, isto é, a ter experiências não baseadas no puro interesse. &#8220;Somos mais primatas que lobos&#8221;, diz ele, concluindo que a esperteza do símio, ditada por seu obtuso imediatismo &#8211; macacos só fazem algo se isso lhes trouxer algum benefício &#8211; não lhe servirá de nada na hora da morte. &#8220;No final&#8221;, diz ele, &#8220;o primata sempre nos deixará na mão&#8221;.</p>
<p><strong>Dizem que você era um misantropo antes de dividir sua casa com Brenin, mas agora você está casado, tem um filho e um cão, Hugo, que parece não ter substituído o lobo. É muito diferente o seu relacionamento com Hugo?</strong></p>
<p>Eu não era um misantropo antes de encontrar Brenin. Transformei-me num deles à medida que fomos convivendo. Suspeito que houve sempre um misantropo dentro de mim. Quanto às diferenças entre Brenin e Hugo, devo dizer que o lobo era muito mais calmo e sério que o cão , embora não pudesse deixar Brenin livre. Se isso acontecesse, minha casa amanheceria destruída. Lobos são como crianças: eles seguem você por todos o lugares e fazem tudo o que você faz. Por causa disso, eles acabam dominando sua vida.</p>
<p><strong>Por que você preferia a companhia dos lobos? Havia, digamos, alguma coisa de espiritual entre você e Brenin? Você era feliz com ele?</strong></p>
<p>Não penso muito em minha vida em termos espirituais. Acho que isso poderia suscitar equívocos. A felicidade é o que sempre foi e essa é uma ideia que desejei desenvolver no livro: ela não é tão importante assim.</p>
<p><strong>Você faz uma distinção entre o modo de vida dos lobos e o dos primatas. Que parte nós deixamos para trás quando deixamos de ser macacos?</strong></p>
<p>A oposição entre primatas e lobos é puramente metafórica. Não acho que tínhamos algum parentesco com lobos antes de sermos macacos ou alguma coisa do gênero. Somos, sim, mais primatas que lobos, porque os primeiros enxergam o mundo em termos de vantagens que podem tirar dele. O que você pode fazer por mim? Esta é a pergunta que o símio dentro de nós faz o tempo todo. E somos todos parecidos, em maior ou menor grau, embora os ardis dos símios quase sempre resultem em fiasco. É o que resiste do lobo em nós que compensa esses valores obtusos. Nossa inteligência, nossa moralidade e tudo o que nos distingue dos outros animais devemos, no entanto, ao macaco. Como dizem os primatólogos, herdamos do macaco sua maquiavélica inteligência para manipular pessoas e para o disfarce: o que de melhor temos vem, portanto, do pior. Temos de lembrar disso porque o macaco deixou essa marca indelével em nossos cérebros. Nossa inteligência é a inteligência dos macacos; nossa moralidade é moldada por eles.</p>
<p><strong>Você diz que pretende criar uma filosofia original com O Filósofo e o Lobo, e não uma mera introdução filosófica, mas muitos pensadores antes de você tentaram o mesmo e acabaram criando uma ideologia. Quem são seus heróis filosóficos?</strong></p>
<p>Nietzsche disse certa vez que um aluno recompensa mal seu professor quando permanece um aluno a vida toda. Por concordar com ele, não tenho heróis filosóficos. É o que precisamente ninguém precisa ter. Heróis resultam da fé &#8211; e uma das principais mensagens de meu livro é que atingimos nossa plenitude quando perdemos a fé.<br />
<strong><br />
Como deve ser um filósofo no século 21?</strong></p>
<p>Cético e humilde &#8211; o que vem a dar no mesmo, no fim das contas. A coisa mais importante que aprendi nesses 30 anos de filosofia é que não sei muita coisa. Essa foi também a lição que Sócrates aprendeu há mais de dois mil anos, sobre a qual devemos refletir mais do que em qualquer outra época. No entanto, é raro ouvir hoje alguém ter a humildade de assumir: ‘Não tenho o direito a uma opinião por não ter refletido muito a essa respeito.’<br />
<strong><br />
Como você vê a religião e a política?</strong></p>
<p>Ambas lidam com a fé. Ambas funcionam prometendo um futuro que certamente não podem garantir. Devemos sempre lembrar que a fé é o carro usado em oferta da existência humana: atraente, mas nada confiável.</p>
<p>Fonte: Estadao.com.br</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Entrevista &#8211; Umberto Eco</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=874</link>
		<comments>http://www.filosofante.com.br/?p=874#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 14:17:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Umberto Eco]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Em Outubro passado, Umberto Eco serpenteava pelos labirintos da Feira do Livro de Frankfurt com uma beata de cigarro apagada a pender dos lábios, como um lúgubre chupa-chupa. Tratava-se de um protesto mordaz ao recentíssimo anti-tabagismo vigente. Um mês antes, a Alemanha era um dos raros países da UE onde ainda podia fumar-se até em <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=874" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em Outubro passado, Umberto Eco serpenteava pelos labirintos da Feira do Livro de Frankfurt com uma beata de cigarro apagada a pender dos lábios, como um lúgubre chupa-chupa. Tratava-se de um protesto mordaz ao recentíssimo anti-tabagismo vigente. Um mês antes, a Alemanha era um dos raros países da UE onde ainda podia fumar-se até em comboios. Daí o incongruente ar ensimesmado do semiólogo-romancista, em tantos aspectos um italiano típico – os italianos não se limitam a falar pelos cotovelos: fazem-no como se tivessem uma batuta invisível na mão.<br />
<span id="more-874"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Aos 75 anos, é redundante assinalar o prestígio de Eco. Em Itália, é consensualmente considerado o herdeiro de Benedetto Croce – uma espécie de mentor e consciência da nacionalidade. Tanto que, em 1992, foi dele a palavra definitiva sobre a “Operação Mãos Limpas”, que meteu na cadeia 300 personalidades públicas, entre deputados e senadores, e levou à renúncia nove ministros. “Eis o nosso 14 de Julho de 1789”, sentenciou Eco. Em 2005, foi eleito pela revista inglesa “Prospect Magazine” o segundo intelectual vivo mais influente do planeta (desgraçadamente, o destrambelhado Noam Chomsky, um Michael Moore alfabetizado, ficou em primeiro).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Director da Escola Superior de Ciências Humanas da Universidade de Bolonha (a mais antiga do mundo), está a lançar simultaneamente em 20 línguas o tratado “História do Feio”, uma espécie de outro lado da moeda de “História da Beleza”, de 2004. A meu ver, ambos correspondem a uma réplica muito tardia (mas inexorável) à acusação lançada a São Tomás de Aquino, de não reflectir sobre a estética, especialmente sobre o belo. Ora, toda a primeira fase da ensaística de Eco é devotada àquele doutor da Igreja…</p>
<p><strong>PAULO NOGUEIRA:</strong> Porquê agora um livro sobre o Feio? Uma questão de simetria – portanto, de Beleza?</p>
<p><strong>ECO: </strong>(Risos) Nem por isso… A resposta previsível seria a de que a minha dissertação de douramento foi sobre a estética, e a beleza e a fealdade são o meu trabalho. Por outro lado, uma resposta mais pormenorizada é a de que, em 1961, iniciei “A História da Beleza” para o meu editor (Bompiani), e a minha assistente era a rapariga com que depois casei, Renate Ramge. Então, e como frequentemente acontece nas editoras, por razões orçamentais decidiram suspender a elaboração da obra. Meti os meus ficheiros numa gaveta e desposei Renate. Quarenta anos mais tarde, um amigo que produz CD-ROMs pediu-me a sugestão de um tópico para um novo projecto, e propus-lhe “A História da Beleza”, de modo a reabrir aquela gaveta, mesmo que após quatro décadas toda a investigação tivesse de recomeçar da estaca zero. Passado algum tempo, a Bompiani resolveu transformar o CD num livro e – contrariando todos os prognósticos – um dispendioso volume sobre arte se tornou um sucesso e foi traduzido para 27 idiomas. O editor solicitou-me em seguida um novo livro do mesmo género. Respondi-lhe: “Ouça, ‘A História da Beleza’ vendeu tanto por causa do seu título apelativo, independentemente do conteúdo. E não há outro título tão apelativo”. Pouco depois, porém, ocorreu-me a ideia de virar a coisa toda de pernas para o ar, e exclamei: “A História do Feio!” Foi assim que tudo aconteceu, sem tirar nem pôr. Subsequentemente, descobri como era excitante explorar o imenso continente da Fealdade.</p>
<p>Considere que, ao longo da história, houve infinitas teorias da Beleza, mas muito poucas teorias da Fealdade. Tratou-se de uma das experiências mais emocionantes da minha vida. No caso da Beleza, bastava examinar os filósofos que a definiram, e a antologia era fácil de compilar. Com a Fealdade, na medida em que existiam tão escassos textos, foi necessário desbravar um imenso território de descrições literárias de experiências com o feio, e a pesquisa acabou por ser bastante divertida.</p>
<p><strong>PN: </strong>As definições da fealdade parecem ter mudado no curso dos séculos. O senhor tem a sua própria?</p>
<p><strong>ECO:</strong> Não. Caso contrário, este livro seria ou inútil ou redundante. Como a noção da Beleza, a da fealdade varia consoante as eras, e de cultura para cultura. No que diz respeito a Beleza, certos aspectos básicos permaneceram constantes (ao menos na tradição Ocidental): por exemplo, a ideia de que a experiência da Beleza requer sempre um certo distanciamento, no sentido de que o objecto deve ser contemplado sem qualquer anseio de posse ou consumo. Ora, se a Fealdade consistisse simplesmente no oposto da Beleza, diríamos que aquela suscita mais envolvimento emocional. O que até é correcto para aquilo que é repelente, repugnante ou obsceno, mas podemos também experimentar a Fealdade em situações cómicas ou grotescas, nas quais o objecto ou a pessoa feias são contempladas com curiosidade ou divertimento, sem qualquer sensação de rejeição. Pense nos Sete Anões da Branca de Neve; em comparação com George Clooney são certamente feios, mas consideramo-los deveras simpáticos. A noção de Fealdade abarca mais fenómenos do que a de Beleza. Por esta razão, para mim foi mais interessante editar este livro do que o anterior.</p>
<p><strong>PN:</strong> Dir-se-ia que os monstros sempre existiram, dos demónios marinhos dos Gregos Antigos aos filmes de terror contemporâneos. Há algum de comum entre eles?</p>
<p><strong>ECO:</strong> Uma das mais clássicas definições da Beleza fala diz que as suas características são a proporção e a integridade – e integridade significa que um objecto acima de tudo deve apresentar todos os aspectos que cada objecto da sua respectiva espécie apresenta. Neste sentido, uma pessoa mutilada jamais era considerada bela, um anão era demasiado pequeno e um gigante demasiado grande para serem “normais”. Assim, em todas as culturas, os monstros ou não tinham o que deveriam ter (como o monocular Cíclope), ou tinham em excesso (duas cabeças, inúmeros braços, e assim por diante). Mas isso não quer dizer que os monstros foram sempre considerados repulsivos. Muitos deles foram considerados feios porém interessantes, e a Idade Média inteira sustentou que eles participavam da harmonia universal. Com frequência, foram mesmo encarados como símbolos benevolentes de valores e virtudes espirituais. Em geral, os monstros tendiam a expressar o gosto humano pelo Maravilhoso.</p>
<p><strong>PN:</strong> O senhor não aprofunda o conceito de Fealdade nas culturas não-Ocidentais – asiáticas ou africanas, por exemplo. Alguma razão especial?</p>
<p><strong>ECO:</strong> Adoptei o mesmo critério usado n’A História da Beleza. É bastante difícil afirmar que algo que nos parece feio inspira o mesmo efeito num membro de outra cultura. Para a cultura ocidental, podemos comparar imagens artísticas ou descrições literárias com textos teóricos, e concluímos se naquela época um dado objecto ou uma determinada pessoa eram considerados feios ou não. Muitas vezes o contexto histórico ou a referência a outros textos pode auxiliar-nos: por exemplo, é evidente que se um quadro representa a Paixão de Jesus os seus flageladores são seguramente concebidos como feios. Não dispomos de garantias semelhantes nos casos oriundos de outras culturas.</p>
<p><strong>PN: </strong>Admite que, no curso da história, o feio tem sido tão apaixonante para os artistas como o belo – ou até mais?</p>
<p><strong>ECO:</strong> Ao colectar material visual ou literário para a minha antologia, fiquei com a sensação de que as representações das coisas belas seguiram sempre um certo cânone, deixando um espaço limitado para a imaginação do artista. Com o Feio, os artistas podem ser mais inventivos. Tente imaginar a descrição literária de uma mulher bela: depois de enaltecer os olhos, o perfil, os lábios ou os cabelos, resta muito pouco a acrescentar (excepto no caso em que o escritor não descreve simplesmente qualidades físicas, mas sugere uma espécie de misterioso glamour, ou um apelo impalpável). Pelo contrário, na representação do horrível e do repugnante a fantasia do artista pode ter rédea solta. A Beleza tem limites canónicos. A Fealdade é ilimitada nas suas possibilidades.</p>
<p><strong>PN:</strong> Existem belas representações artísticas do Feio. Há uma diferença entre a Fealdade na arte e a Fealdade na natureza?</p>
<p><strong>ECO:</strong> Devemos sempre distinguir entre ambas. Um mau artista pode fazer uma horrível representação de Vénus, assim como um grande artista pode representar Polifemo esplendidamente. Do mesmo modo, eu não convidaria uma mulher de Rubens para jantar, mas reconheço que do ponto de vista artístico elas são muito belas. Na história da arte há fascinantes representações ou criações de seres monstruosos – basta pensar em Hieronymus Bosch.</p>
<p>(Entrevista publicada no caderno Atual do semanário <a href="http://aeiou.expresso.pt/">Expresso</a>)<br />
<strong>Ps: </strong>Foi mantido a versão original.</p>
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		<title>Mestre</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 14:52:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Facapa]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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Filosofante parabeniza o professor Pe. Fábio de Souza Leão pela obtenção do título de mestrado com dissertação: “Formação litúrgica no Brasil a partir da Sacrosanctum Concilium”
Parabéns professor.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><center><img src="http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/pfabio.jpg" /></center><br />
Filosofante parabeniza o professor <strong>Pe. Fábio de Souza Leão</strong> pela obtenção do título de mestrado com dissertação: <strong>“Formação litúrgica no Brasil a partir da Sacrosanctum Concilium”</strong><br />
Parabéns professor.</p>
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		<title>Habermas: Uma teoria do agir comunicativo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 12:18:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Leticia</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A linguagem é aquilo que Habermas toma para sua teoria e que possibilia a proposição inicial da ação a partir de uma rejeição da versão oficial da racionalidade weberiana em que a ação repousa numa compreensão do sujeito como solitário e no modelo teleológico da ação relativa a fins. O autor amplia este conceito weberiano, <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=867" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A linguagem é aquilo que Habermas toma para sua teoria e que possibilia a proposição inicial da ação a partir de uma rejeição da versão oficial da racionalidade weberiana em que a ação repousa numa compreensão do sujeito como solitário e no modelo teleológico da ação relativa a fins. O autor amplia este conceito weberiano, e propõe uma tipologia da ação que tenha por base uma compreensão dialógica, relação entre ao menos dois sujeitos capazes de falar e de agir, e um modelo de interação social, o agir comunicativo. <span id="more-867"></span>Assim sendo percebe-se a reformulação existente do conceito weberiano de racionalidade que se move para o plano de uma teoria da ação que tem vincúlos com a tradição da filosofia pós-wittgensteiniana da linguagem, sobretudo à teoria dos atos de fala. Segundo Habermas, a teoria dos atos de fala faz com que seja possível a construção de uma espécie de síntese entre a ação e a linguagem, já que quem fala age e estabelece relações, modifica algo no mundo. Ele nos evidencia também que apenas as ações lingüísticas às quais o falante vincula uma pretensão de validade criticável são capazes de levar o ouvinte a aceitar a oferta contida num ato de fala, podendo assim se tornar eficazes como mecanismo de coordenação das ações. Essa síntese entre ação e linguagem não significa, contudo, uma identificação entre o falar e o agir. Na verdade, a teoria dos atos de fala possibilita precisamente distinguir as ações lingüísticas das ações no sentido estrito do termo. A essencial distinção, que é aspecto fundamental para essa possibilidade de síntese, é entre atos perlocucionários e atos ilocucionários. Enquanto para os atos ilocucionários o que é constitutivo é o significado do enunciado, para os atos perlocucionários o que é importante é aquilo que o agente intenciona com o que diz.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Habermas considera possível tornar mais claros os conceitos de intercompreensão e de agir orientado ao entendimento mútuo, apenas com base nos atos ilocucionários, pois quando o locutor atinge seu objetivo ilocucionário é o momento em que se tem êxito a tentativa de reconhecimento intersubjetivo embutida em todo ato de fala, e não nos atos perlocucionários, que são atos de fala estrategicamente calculados, que se fundamentam teleologicamente.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A distinção entre trabalho e interação que é extraída da filosofia de Hegel é reformulada por Habermas na distinçãoo entre a ação orientada ao sucesso (erfolgsorientiert) e a ação orientada à intercompreensão (verständigungsorientiert) e ela se encontrará no cerne da teoria da ação de Habermas. A noção de agir comunicativo é o único tipo de ação social orientada a intercompreensão.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conceito de agir comunicativo, que tem como pano de fundo o entendimento lingüístico como mecanismo de coordenação da ação, faz com que as suposições contrafactuais dos atores que orientam seu agir por pretensões de validade adquiram relevância imediata para a construção e a manutenção de ordens sociais: pois estas mantém-se no modo do reconhecimento de pretensões de validade normativas. Isso demonstra que a tensão entre facticidade e validade, embutida na linguagem e no uso da linguagem, volta ao modo de integração de indivíduos socializados, ao menos comunicativamente, e que deve ser trabalhada pelos participantes. Esse raciocínio demosntrado na principal obra de Habermas em matéria de filosofia política e filosofia do direito, torna perceptível a conexão entre as teorias da ação e da sociedade.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tendo em vista a complexidade que se tornou o mundo moderno, o agir comunicativo se torna impotente, pois a sociedades modernas desencantadas, fruto da mudança progressiva do agir ritual pelo agir comunicativo nas funções de reprodução social, se fazem presentes. Habermas, sabe que a linguagem, enquanto veículo primário de intercompreensão, se sobrecarrega de tarefas no âmbito dessas sociedades, assim ele propõe, então, uma nova e complexa conexão dos conceitos básicos da teoria da ação com os da teoria dos sistemas. Esta impotência obriga-o a integrar a perspectiva sistêmica na teoria da sociedade, tendo em conta dois tipos de coordenação das ações: a que é obtida por intermédio do consenso dos participantes, perspectiva do mundo vivido, e a que é realizada pela via funcional dos observadores, ótica do sistema. A identificação de sistema, por um lado, e mundo vivido, por outro, possibilita especificar duas esferas de reprodução social &#8211; material e simbólica &#8211; com funções diferentes no plano da integração, uma sistêmica e outra social, associadas a seus respectivos contextos de ação, ou seja, estratégica e comunicativa. Ao integrar a teoria do agir com a teoria dos sistemas, Habermas, evita uma absorção da primeira pela segunda através de sua noção bipolar de sociedade, pela qual combina as análises hermenêutica e funcionalista. A teoria da ação tem primazia sobre a teoria sistêmica, e isso se evidência pelo fato de ele estabelecer primeiro os eixos de uma teoria da ação que repousa no conceito de agir comunicativo, para, em seguida, incorporar a perspectiva do sistema, e não o contrário. Por esse raciocínio o mundo vivido é um conceito complementar do agir comunicativo, na medida em que o primeiro representa o “fundo” social da ação orientada ao mútuo entendimento e o segundo o “meio” da reprodução simbólica do mundo vivido. Essas formas distintas, inconfundíveis, de coordenação das ações sociais &#8211; estratégica e comunicativa &#8211; servem de fundamento para a explicação habermasiana do caráter dual do direito moderno.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Leticia Garroni</b></span><br />
Quinto Período de Filosofia</p>
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