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	<title>Filosofante &#187; Tempo</title>
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		<title>Uma brevíssima história do tempo</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 15:27:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O tempo sempre foi um problema para os filósofos desde a antiguidade grega. É famosa a expressão de Santo Agostinho que dizia que todo mundo falava sobre o tempo, mas se alguém pedisse uma definição do que era o tempo, ninguém conseguia dá-la. A rigor, desenvolveram-se, ao longo da história da filosofia e das ciências, diversas concepções do tempo. Nesse sentido, poderíamos dizer que as diversas concepções de tempo da filosofia são elas próprias temporais, mutáveis e históricas.<br />
<span id="more-168"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na antiguidade, predominou a teoria realista ou objetivista do tempo. Segundo ela, o tempo era uma entidade como outra qualquer no mundo exterior e deveria ser tratado da mesma forma e com as mesmas categorias com que se tratavam as coisas e os objetos. Porém, essa teoria apresentava diversas dificuldades ou paradoxos, tratados por filósofos como Aristóteles (Física) e por Zenão de Eléia: por exemplo, o tempo é uma coisa contínua ou uma coisa discreta? O que distingue o presente do passado e do futuro? Como explicar a assimetria entre passado e futuro? Faz sentido em falar em existência de objetos fora do tempo &#8211; como pensava Platão &#8211; ou tudo o que existe, existe temporalmente. O tempo é uma coisa infinitamente divisível ou um fluxo contínuo ininterrupto? Vários desses problemas ou paradoxos foram apontados por filósofos como Zenão de Eléa e por Aristóteles.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As dificuldades relativas às concepções objetivas do tempo levaram, na modernidade, cada vez mais ao desenvolvimento de teorias subjetivistas ou anti-realistas do tempo. Nessas teorias o tempo não é um objeto realmente existente no mundo exterior, mas uma forma de relacionar objetos segundo o anterior e o posterior definidos em relação à nossa própria posição e às nossas próprias coordenadas. É nesse sentido que Kant vai falar do tempo como uma forma a priori segundo a qual nós percebemos a sucessão de fenômenos do mundo. Leibniz também se referia ao tempo como uma forma subjetiva de percepção das coisas como existindo umas após as outras.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma das concepções mais interessantes do tempo foi desenvolvida pela filosofia fenomenológica do século XX, sobretudo Heidegger no seu famoso livro Ser e Tempo (1927) e Jean-Paul Sartre em sua obra O Ser e o Nada (1941). Antes de falar do tempo, eles preferem falar de temporalidade como uma dimensão intrínseca e estrutural da forma como o ser humano se percebe no mundo.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segundo Sartre, nós nos percebemos fundamentalmente como seres relacionados diretamente com as três dimensões da temporalidade: aquilo que fomos (passado), aquilo que estamos sendo (presente) e sobretudo aquilo que queremos ser ou que projetamos ser (futuro). Para ele, o sere humano é aquele ser que tem a tarefa de ser, ou seja, é aquele ser que tem consciência de que sua existência é um projeto uma construção sua, de que não existe nenhuma determinação anterior ou destino que decida o modo próprio da sua existência. A dimensão do passado para o ser humano representa sempre um &#8220;ter sido&#8221;, algo não modificável, não alterável; segundo ele o ser humano sempre pode dizer &#8220;eu fui o meu passado, mas não sou mais nesse instante o meu passado&#8221;.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O que caracteriza, segundo Sartre, nossa vivência do instante presente é exatamente o fato de que nós temos consciência de que aquilo que fomos no passado não determina de modo algum nossas decisões e nossas possibilidades futuras: nós somos sempre a cada momento responsáveis por nossas próprias escolhas de ser e não podemos &#8220;culpar&#8221; o passado pelo que somos ou estamos decidindo ser. O futuro é algo sempre aberto para o ser humano, é um horizonte de possibilidades de ser, possibilidades que fazem com que sintamos o instante presente sempre como algo relativamente angustiante, pois em todo momento estamos de fato definindo o nosso futuro, abrindo e fechando possibilidades de ser e de existir.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim na concepção fenomenológica do tempo, desenvolvida no século XX, o tempo é algo relativo, subjetivo e os eventos podem ser descritos e narrados de diversas maneiras, sem uma objetividade definida, de acordo com a perspectiva de cada indivíduo ou coletividade. Para lembrar uma expressão de Hegel, nós somos seres históricos e nossa principal tarefa é construir na história um mundo em que nos sintamos livres, livres para viver nossos diferentes projetos de ser. Algo parecido falava Nietzsche, quando ele dizia que cada um deve tornar-se o que se é, ao longo de seu próprio tempo.<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>José Maria Arruda</b></span><br />
Doutor em Filosofia com Pós-Doutorado na Universidade de Aachen/Alemanha e professor mestrado em Filosofia da Universidade Federal do Ceará (UFC)<br />
<b>Fonte:</b> Jornal O Povo</p>
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