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	<title>Filosofante &#187; Bernardo</title>
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		<title>Resenha: A Corrida para o Século XXI</title>
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		<pubDate>Mon, 08 Nov 2010 13:04:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[SEVCENKO, Nicolau. A Corrida para o Século XXI: no Loop da Montanha Russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
Poucos têm uma história de vida como a do historiador Nicolau Sevcenko. Filho de imigrantes russos, da região da Ucrânia, fugidos da perseguição bolchevique, Sevcenko nasceu no Brasil, mais especificamente em São Paulo, em 1952. Dividiu a <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=923" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>SEVCENKO, Nicolau. A Corrida para o Século XXI: no Loop da Montanha Russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.</p>
<p>Poucos têm uma história de vida como a do historiador Nicolau Sevcenko. Filho de imigrantes russos, da região da Ucrânia, fugidos da perseguição bolchevique, Sevcenko nasceu no Brasil, mais especificamente em São Paulo, em 1952. Dividiu a infância entre o trabalho, o esporte e, é claro, o estudo. “Cada uma dessas atividades me deu uma percepção do mundo bastante diferente, bastante significativa.” Depois de escorregar para o lado da bioquímica, decidiu-se pela história. Graduou-se em 1976, na Universidade de São Paulo, onde é professor titular desde 1999. Hoje, circula entre São Paulo e Londres, onde é membro do Centre for Latin American Cultural Studies, da Universidade de Londres. É também editor-associado de The Journal of Latin-American Cultural Studies, importante publicação da Universidade de Cambridge, Estados Unidos. Autor de obras pioneiras que contribuíram para consolidar o estudo da história da cultura brasileira – como Literatura como missão –, sua obra reflete um intelectual  interessado por diversas áreas do conhecimento e um historiador interessado em se comunicar com o grande público, por isso escreve freqüentemente na imprensa, nacional e estrangeira.<br />
<span id="more-923"></span></p>
<p>Em sua obra “A corrida para o século XXI. No loop da montanha-russa”, de 2001, Nicolau Sevcenko destaca que “nos parques de diversão o que os atraía eram os brinquedos que, ou por submeterem as pessoas a experiências extremas de deslocamento e aceleração ou por lhes propiciarem perspectivas inusitadas, alteravam dramaticamente a percepção do próprio corpo e do mundo ao redor”.</p>
<p>Com as conquistas da eletricidade e da engenharia, com a utilização de matérias-primas como ferro e vidro, e com as potentes ferramentas de comunicação (usando imagem e som), a solução de entretenimento “barato” serviu de excelente ferramenta de contenção de uma massa de trabalhadores que tinha novas temporalidades, com tempo de trabalho e também tempo livre e dinheiro, abertos a novas experiências e sensações e a novas possibilidades de consumo: além de pipoca, cachorro-quente e algodão-doce, os mimos, como ursinhos, buttons, camisetas e bonés, ampliando a presença daquele momento de prazer, lazer e diversão. Saem as bandeiras dos países e entram ícones da “cultura” vendidos nas lojinhas do parque: personagens de desenhos animados e filmes, celebridades, marcas…</p>
<p>Mas os elementos referentes à pós-modernidade são ainda mais visíveis. A pós-modernidade têm como uma de suas características a incerteza sobre o futuro, ao contrario do pensamento moderno. O excesso de histórias interligadas, de línguas e interpretações de Estranhas Ligações , remete ao pensamento de Nicolau Sevcenko sobre quanto a estarmos em um movimento de loop numa montanha russa. Este processo vem se precipitando sobre nossas mentes já há bastante tempo, na modernidade se iniciou o processo, e para evidenciar este fato no filme não é preciso se esforçar muito. A cultura foi reconhecida como fator principal para a orquestrar as relações e ganhou autonomia algo que surpreenderia um dos muitos intelectuais da modernidade e suas previsões de racionalização e subjugação da mesma por fatores antes  tidos como mais importantes, tais como o desenvolvimento tecnológico financeiro e organiza-cional (SEVCENKO, Nicolau. 2002).</p>
<p>O primeiro a captar de forma bem clara a interferência da “Revolução Tecnológica” nos modelos comportamentais dos indivíduos é Nicolau Sevcenko. Em sua série de estudos, Sevcenko traça um breve histórico dessa “revolução” e nomeia esse processo histórico de “O loop da montanha-russa”. Isso acontece porque toda a História dos desenvolvimentos tecnológicos ocorridos no período que abarca, principalmente, do século passado até os dias atuais se traduz em momentos em que há grandes progressos (picos de desenvolvimento tecnológico) e momentos de estagnação (períodos em que não se percebe grandes novidades tecnológicas). Esse “alto e baixo” é o que se pode entender como os movimentos de uma montanha-russa. A parte mais importante deste processo tecnológico é, justamente, o que Sevcenko entende como o “loop” da montanha-russa, que seria o período histórico que corresponde à fase da Revolução Microeletrônica. “O loop da montanha-russa”, na visão de Nicolau Sevcenko começaria, na realidade, nos idos do século XVI quando ocorrem os descobrimentos marítimos. Do século XVI até o século XVIII o mundo como um todo passa por uma fase de crescimento quando a um sentimento de otimismo e de expectativa dos sentidos. No século XVIII, o mundo passa a presenciar a Revolução Industrial. Paralelamente a essa revolução, têm-se, também, o movimento científico que o mundo concebe como “Iluminismo” (que se projeta sobretudo no campo da ciência).</p>
<p>A partir do Iluminismo e da Revolução Industrial, o mundo prepara-se para o período que Sevcenko denomina de “período de instauração do Padrão Industrial de vida”. Em 1870, o mundo chega ao primeiro grande “pico” da Revolução Tecnológica, que seria o momento em que se tem o Positivismo (“Ordem e Progresso”) como palavra de ordem nas relações sociais, políticas, culturais, etc. Logo em seguida, o que se tem é uma verdadeira no principalmente, por uma perda de referências culturais e mundiais que, contudo, não se transforma num “vazio” total por conta da descoberta da eletricidade. </p>
<p>No início do século XX, o mundo começa a se preparar para o “loop” propriamente da importante para o progresso tecnológico. Em nome da corrida armamentista, da elaboração de estratégias de guerra cada vez mais ousadas, desencadeia-se as primeiras descobertas eletrônicas que culminam com o surgimento do primeiro computador. A Revolução Microeletrônica estava declarada e os anos de 50, 60 e 70 representam o auge dessa revolução; evidencia-se, aqui, um mundo que começa a se acostumar com as inovações tecnológicas, espaço. O fim desse “loop” concretiza-se na construção de um novo sistema social; vigente, principalmente, nos países ocidentais: o Capitalismo Informacional, que projeta em sua forma mais direta o Revolução Tecnológica tal como é concebida nos dias atuais. Esse Capitalismo Informacional impõe ao mundo um novo padrão de produção industrial (opadrão pós-industrial), que deve privilegiar, sobretudo, os serviços, a comunicação e a informação.</p>
<p>Num segundo momento, Sevcenko estabelece uma mobilidade individual de cada um e a capacidade de visão do ser humano. As tecnologias provocam uma série de mudanças na forma como o indivíduo percebe o mundo; por isso, mais do que nunca, é necessário que se faça um redimensionamento dessa capacidade de visão; é preciso que essa percepção se converta em um caráter multilateral processo de pesquisas tecnológicas.</p>
<p>Esse período é Revolução Tecnológica. As Guerras Mundiais proporcionam que abole a percepção do tempo e obscurece os limites e as referências do relação direta entre as leituras que um indivíduo faz das imagens, dos sons e das informações que lhe são oferecidas são, agora, decisivas para testar seu “grau de mobilidade” e, conseqüentemente, seu “poder social”, segundo a qual “Saber é poder” é, agora, substituída e intensificada por outra mais precisa: “Deter o saber é poder”. Esse processo pode ocorrer de forma inversa também: “Pode quem sabe” e “sabe quem pode”.</p>
<p>Algumas idéias de Nicolau Sevcenko que podem ilustrar muito bem a relação entre as “Novas Tecnologias” e os comportamentos dos indivíduos são as seguintes: primeiro ele trata da questão da tecnologia e da engenharia de fluxos, principalmente das informações (a tecnologia muda a rotina desses fluxos). Por conta dessa mudança, vive-se, agora, numa sociedade em que se privilegia o “ver”, mais que o ouvir e o falar. Justamente por isso é que ocorrem intensas modificações na capacidade de percepção das pessoas; essa percepção deve estar voltada, sobretudo, para assimilação visual das coisas do mundo. Não se pode esquecer que esse fenômeno está diretamente ligado à estrutura econômica e aos fenômenos culturais de cada povo. O ser humano é medido justamente na forma como percebe a economia e a cultura numa associação objetiva com os meios de comunicação e com a Internet.</p>
<p>Em 1968, movimentos estudantis são deflagrados na França por conta de problemas sociais que o país enfrentava na época. Em um desses movimentos, líderes políticos e intelectuais apresentam um “Manifesto contra a mídia”, que seria a principal responsável pela vinculação de idéias equivocadas e deturpadas de sociabilidade.</p>
<p>Destacam-se, aí, um primeiro momento em que a mídia associaria diretamente a condição de “ser” à condição de “ter” (o poder aquisitivo de um indivíduo determinaria seu “status” social) e um segundo momento em que se faria uma associação entre a condição de “ter” com a condição de “parecer”. Dentro desse contexto, o que se privilegia na mídia não passaria de uma “imagem popular” e dessa acepção, se conceberia a indústria do entretenimento (cinema, rádio, TV). Por conta dessa Revolução Tecnológica e Pós-Industrial, as pessoas são obrigadas a perceberem a Cultura como uma mercadoria que, como tal, podem produzir lucros. Mais do que isso, as pessoas devem acompanhar as tendências de mercado e fazer leituras de tudo o que lhes for colocado à mostra. </p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Quarto Período de Filosofia</p>
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		<title>O Apelo televisivo das religiões no Brasil e o fundamentalismo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 00:27:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Nunca a fé foi tão estimulada e explorada no Brasil como nos dias atuais. Apesar de o Brasil ser considerado um país religioso o apelo à fé é dirigido às classes mais pobres da sociedade brasileira. Em outros países do primeiro mundo tal “mensagem” não surtiria efeitos esperados.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A época de conflitos religiosos em nosso país <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=852" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nunca a fé foi tão estimulada e explorada no Brasil como nos dias atuais. Apesar de o Brasil ser considerado um país religioso o apelo à fé é dirigido às classes mais pobres da sociedade brasileira. Em outros países do primeiro mundo tal “mensagem” não surtiria efeitos esperados.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A época de conflitos religiosos em nosso país parece que já teve seus momentos mais intensos. Há meio século havia maior hostilidade entre católicos e os chamados protestantes, hostilidade essa que era visível e estimulada por religiosos de ambos os lados. Não raro foram os conflitos violentos envolvendo fiéis e líderes das duas vertentes da cristandade.<br />
<span id="more-852"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hoje o quadro é diferente. Críticas feitas por católicos aos pentecostais, por exemplo, quanto a pratica abusiva de arrecadação de dinheiro amenizaram-se, pois se pode ver em canais católicos a arrecadação de dízimos e ofertas a serem depositadas em contas bancárias para sustento da “obra de Deus” da mesma maneira que os pentecostais,  mudando somente a “intenção” e a legitimidade.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não somente na questão financeira houve mudanças: a prática litúrgica e por que não dizer doutrinária – ainda que não oficialmente &#8211; também sofreu mudanças. É comum vermos Padres e leigos católicos imitando, ou fazendo uso da pratica pentecostal de falar (rezar) em línguas, ungir enfermos com óleo, impor as mãos sobre enfermos e consequentemente o anuncio de milagres sobrenaturais e dons do Espírito.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quais os possíveis motivos dessa “tolerância” religiosa e compartilhamento de algumas posições antes rejeitadas?<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em contra partida movimentos pentecostais também fazem uso de elementos católicos como a hierarquia eclesiástica. Muitos líderes neo pentecostais introduziram funções (cargos) como a de bispos e apóstolos o que historicamente foi suprimido no protestantismo histórico.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Igrejas Luteranas e Reformadas adotam somente a figura do pastor entendendo que o termo epíscopos (bispo) usado no Novo Testamento é sinônimo de presbítero (ou ancião) além de não adotarem uma forma de governo episcopal (com exceção da igreja da Rainha Inglesa/anglicana). No protestantismo histórico o governo é exercido por concílios nos quais seus líderes tem funções e autoridade equivalentes.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O movimento neo pentecostal, como por exemplo, a “igreja” do “Bispo” Edir Macedo (entre outras) distanciou-se quilometricamente dos princípios da Reforma do século XVI e a grande maioria dos fiéis desconhece a história da Reforma, suas lutas, seus ideais, os motivos de disputas e até mesmo a origem do termo “protestante” e o pior: as doutrinas embasadas não na tradição nem na autoridade de concílios ou de pessoas investidas de autoridade, mas nas Escrituras do Antigo e Novo Testamento (marca também do fundamentalismo?)<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outra mudança se deu quanto ao uso da mídia para propagar a fé. Não mais do que 20 anos havia pentecostais que afirmavam que o fiel não devia assistir programas televisivos e nem mesmo possuírem o televisor, pois a programação era produzida pelo diabo e fatalmente os levaria à desobediência e ao pecado. Hoje os pentecostais dominam canais, horários nobres quase que 24 horas diárias.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Do lado católico há um grande investimento televisivo. Na região sudeste pode-se assistir TVs como: Canção Nova; TV Aparecida; Século XXI; Rede Vida além de programas contratados em outras emissoras. Chama-nos atenção a peculiaridade de cada uma delas apesar de serem da mesma instituição.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os protestantes históricos por sua vez são mais cuidadosos e precavidos em relação ao apelo televisivo. Bom ressaltar que o protestantismo histórico propriamente dito é composto pelas igrejas que tiveram sua origem na Reforma do Século XVI. Dentre elas estão os luteranos, presbiterianos, anglicanos e metodistas. Há um equívoco (até mesmo em alguns docentes universitários) ao englobar ao protestantismo movimentos pentecostais e neo pentecostais, como Igreja Internacional da Graça de Deus (R.R. Soares) e Universal do Reino de Deus (Edir Macedo) e tantas outras, ainda que sejam opostos ao catolicismo (curioso o fato de os líderes dessas igrejas são cunhados).<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Existem programas não tão conhecidos de religiões orientais e espíritas, como Chei Cho No Ie e o espiritismo kardecista que caminham também para a propagação de suas verdades.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Há debates e comissões na Câmara dos Deputados e no Senado Federal procurando delimitar o papel e até mesmo a agressividade entre as religiões apesar do discurso evasivo do chamado movimento ecumênico.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por fim a sociedade brasileira deve aprender a ser mais crítica e cuidadosa, pois sem sombra de dúvidas, o que está por detrás de muitos apelos eletrônicos são interesses particulares e escusos.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Infelizmente resquícios do Fundamentalismo religioso voltam a visitar a humanidade, seja no Oriente, seja no Ocidente e particularmente no Brasil. Onde cada um defende sua religião como a única verdadeira e querendo impor sua maneira de pensar a todos que estão fora de seu circulo religioso, atribuindo-lhes a perdição eterna e referindo-se às demais de maneira preconceituosa e não rara vezes com predicados jocosos.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Concluo com as palavras de Boff sobre o fundamentalismo</p>
<blockquote><p>Ele não é uma doutrina, mas uma forma de interpretar e viver a doutrina. É assumir a letra das doutrinas e normas sem cuidar de seu espírito e de sua inserção no processo sempre cambiante da história, postura que exige contínuas interpretações e atualizações, exatamente para manter sua verdade originária. Fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista&#8230;Não há ninguém mais guerreiro que os herdeiros da tradição dos filhos de Abraão: judeus, cristãos e muçulmanos. Cada qual vive da convicção tribalista de ser povo escolhido e portador exclusivo da revelação do Deus único e verdadeiro. Esta fé deve ser difundida em todo mundo, normalmente, em articulação com o poder colonialista e imperial, como historicamente ocorreu na América Latina, África e Ásia.  (BOFF, Leonardo. Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz: Desafio para o século XXI. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009. p. 49,50)</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Fundamentalismo, seja religioso, político ou econômico, é um empecilho para a liberdade de expressão, da consciência e do poder de escolha de cada um de nós e uma ameaça  para o bem estar da humanidade.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Terceiro Período de Filosofia</p>
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		<title>Tudo o que é sólido desmancha no ar</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 21:35:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Berman]]></category>
		<category><![CDATA[modernidade]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Berman nasceu em Nova York. Estudou nas universidades de Columbia, Oxford e Harvard. Desde 1960 é professor de teoria política e urbanismo na City University, em Nova York. Na língua portuguesa temos editado além de Tudo o que é sólido desmancha no ar dois outros livros: Aventuras no marxismo (Companhia da Letras) e Um século <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=824" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Berman nasceu em Nova York. Estudou nas universidades de Columbia, Oxford e Harvard. Desde 1960 é professor de teoria política e urbanismo na City University, em Nova York. Na língua portuguesa temos editado além de Tudo o que é sólido desmancha no ar dois outros livros: Aventuras no marxismo (Companhia da Letras) e Um século em Nova York: espetáculos em Time Square (Companhia das Letras). Em 2001 falou em um encontro promovido pelas faculdades de Arquitetura e Letras da PUC/SP, poucos dias antes dos atentados das Torres Gêmeas.<br />
<span id="more-824"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Marshall Berman dedicou boa parte de sua vida à tentativa de decifrar o que é, enfim, modernidade.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O título da obra resenhada resume o pensamento do autor, ou seja, a modernidade é capaz de desfazer o que até então era “eterno”. Berman demonstra que a modernidade é um ambiente perigoso que une, mas paradoxalmente coloca o homem em um turbilhão permanente de desintegração aonde há contradições, lutas e muita angústia. Esse cenário é designado por ele como Modernidade.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O objetivo do autor é mapear as tradições oriundas desse ambiente para compreender como elas podem enriquecer a modernidade atual e detectar elementos que empobrecem o senso sobre o que é ou que possa ser a modernidade.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sempre com o intuito de oferecer ao leitor subsídios que comprovem sua tese, Berman descreve o avanço das descobertas das ciências, indústria, dos movimentos sociais que transformam a sociedade acelerando o ritmo da vida particularmente no século XX, período mais intenso de tais mudanças.  A análise que faz divide-se em três fases: (1) início do século XVI até o término do século XVIII; (2) Revolução Francesa e (3) século XX.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Berman explora a experiência e obra de Jean-Jacques Rousseau que teria sido o primeiro a usar a palavra moderniste ao estar profundamente envolvido e perturbado com a situação em que vivia a sociedade e sua época ao afirmar que ela estava a beira do abismo. Passando pelo século XIX, suas descobertas tais como ferrovias, novas indústrias, jornais, telégrafos entre outras aborda pensadores como Nietzsche, Marx entre outros. Ao citá-los fica evidente o peso de suas opiniões reforçando a linha de pensamento do autor. Para Nietzsche e Marx:</p>
<blockquote><p>as correntes da história moderna eram irônicas e dialéticas: os ideais cristãos da integridade da alma e a aspiração à verdade levaram a implodir o próprio cristianismo. O resultado constitui os eventos que Nietzsche chamou de “a morte de Deus” e “o advento do niilismo” (p.31).</p></blockquote>
<p>causando a crise de valores ambivalente as grandes possibilidades que o homem tem diante de si.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em um breve resumo sobre Marx, o autor deixa bem claro seu pensamento. A modernidade chegou, porém desumanizou o homem e o escravizou, a classe dominante interessada no lucro oprime o homem, apesar dos avanços científicos e minam pela força a existência humana.  Esses relatos certamente confirmam o desespero e a desestruturação do homem devido a tantos conflitos que permeiam a psique atual, demonstrada pela desumanização, banalização da vida e o caos social em que vivemos.<br />
É no Manifesto do Partido Comunista que Marx expressa seus anseios e desilusões. Somente a classe operária, a nova classe, poderia absolver, digerir e se adaptar as novas ondas da modernidade, através da luta de classe.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tempos depois seria a vez de Nietzsche abordar os problemas da modernidade. No turbilhão em que vive o homem, escreve em Além do Bem e do Mal (1882). A história para ele é como um guarda roupas no qual nenhuma vestimenta serve ao homem moderno. A única saída será o homem que viverá para além do tudo isso: o “Além do homem”. Outros vultos falariam a mesma linguagem.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No século XX, afirma Berman, nunca a arte, o teatro a dança, a arquitetura, a pintura, a poesia chegaram ao mundo, ou desenvolveram-se no passado. Ressalta, todavia, que o homem não sabe lidar com essa modernidade. Segundo o autor, essa perda de sentido culminou na Primeira Grande Guerra.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Passando pelos acontecimentos dos anos sessenta e setenta do século XX e fazendo uma retrospectiva do pensamento modernista Berman alerta sobre o perigo de desprezar tais pensadores como Marx, Nietzsche, Baudelaire e Dostoievski que conforme suas palavras sentiram o peso da modernidade. Voltar a tais mentes pode ajudar-nos a construir a modernidade hoje.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nesta introdução Berman abre o leque para questão tão primordial para o homem pós moderno.  Consegue trazer a luz fatos do passado que refletem em nosso viver hoje. Provoca no leitor o surgimento de questões que dizem respeito não só ao material, mas própria essência humana. É possível desprezar o passado como algo obsoleto e construir um futuro digno?<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em contra partida, Berman demonstra que houve aqueles que apostaram afirmativamente na modernidade como John Cage, Lawrence Alloway, Marshall McLuhan, Leslie Fiedler entre outros, ressaltando que tais pós modernistas, como se intitulavam, deixaram a desejar quando não trataram de modo crítico até onde esse novo caminho poderia chegar.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Berman sem dúvida alguma domina o assunto e suas consequências. O isolamento em que o homem passou a viver após 1970 é descrito em uma citação indireta de Leibniz, ao compará-lo às mônodas. Seria relevante citá-lo diretamente para que o leitor não familiarizado com a monodologia entendesse do que se trata.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Por último cita Michael Foucault em uma linguagem aparentemente Freudiana quando diz que as  modernas tecnologias do poder controlam até mesmo os impulsos sexuais ornando a vida como seu maior objeto. Mais uma vez o tema liberdade aparece e no pensamento de Foucault é mera ilusão, pois quem faz parte do mecanismo da modernidade usufrui de seus efeitos e poder. O sonho de liberdade contra as injustiças que a era moderna trouxe consigo é mera utopia, pois tal tentativa colabora cada vez mais com a cadeia na qual estamos aprisionados, usando uma linguagem foucaultiana.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A modernidade perdeu-se para Berman e é incapaz de voltar às suas origens. Ao contrário dos modernistas do passado que contribuíram beneficamente para o desenvolvimento das ciências sem destruir o meio ambiente em que vivemos bem os vínculos emocionais, ou seja, nossa identidade dá-lhe a sensação de rumamos para um caos. A solução talvez para Berman seja voltar ao passado, aos primeiros modernistas ricos e vibrantes para que se crie novamente forças a fim de que o homem possa renovar-se para enfrentar o que está por vir.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Berman é capaz de sintetizar períodos da história fazendo, interrelacioná-los e acompanhar o desenvolvimento da tese principal. A linguagem é clara, fácil de ser lida mas ao mesmo tempo trás a profundidade necessária para estudantes e pensadores das diversas áreas do saber. A introdução é cativante, estimulante e altamente reflexiva para o ambiente filosófico. Tudo o que é sólido desmancha no ar é obra indispensável para se entender o passado, o presente tão turbulento e quiçá ter um lampejo do que nos aguarda.</p>
<p>BERMAN, Marshall. <strong>Tudo o que é sólido desmancha no ar: a aventura da modernidade</strong>. SP: Companhia das Letras, 2001, p. 25-49.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Terceiro Período de Filosofia</p>
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		<title>História e Memória</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 21:30:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Jacques Le Goff]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Jacques Le Goff nasceu no Sul da França em 1924 e ainda garoto, após ler a mais famosa obra de Walter Scott – Ivanhoé – jamais abandonou o interesse pelo medievo. Aos oitenta anos de idade, portanto em 2004, foi reconhecido universalmente, juntamente com Georges Duby e Le Roy Ladurie, como um dos maiores Medievalistas <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=822" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Jacques Le Goff nasceu no Sul da França em 1924 e ainda garoto, após ler a mais famosa obra de Walter Scott – Ivanhoé – jamais abandonou o interesse pelo medievo. Aos oitenta anos de idade, portanto em 2004, foi reconhecido universalmente, juntamente com Georges Duby e Le Roy Ladurie, como um dos maiores Medievalistas da França pós Segunda Grande Guerra.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A carreira de Le Goff foi uma ascensão desde os bancos escolares até os níveis superiores. Foi aluno da Escola Normal Superior de Paris e no famoso Liceu Louis-le Grand, que em 1994 receberia como aluno o mais famoso filósofo da França pós Segunda Guerra Mundial, Jean-Paul Sarte.<br />
<span id="more-822"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Influenciado pelo medievalista March Bloch, que fora fuzilado por militares na resistência francesa à ocupação nazista em 1944, Le Goff mergulha nos manuscritos antigos, tratados escolásticos, pergaminhos e rolos veneráveis que guardavam os segredos e as controvérsias medievais. O resultado foi a descoberta de uma época distinta do que era o Renascimento descrevia, ou seja, a dark age (era das trevas) dos ingleses.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Le Goff  é um autor conhecido no Brasil tendo vários livros editados como: A história nova,  Os intelectuais na idade média, História da memória, O Deus da idade média: conversas com Jean-Luc Pouthier, A bolsa e a vida: usura na Idade Média, As raízes medievais da Europa, A idade média explicada a meu filho, entre outros.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No capítulo abordado, o autor o divide em oito subtítulos.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Introduz o leitor demonstrando, com propriedade, o quão complexo é discorrer sobre os termos antigo/moderno, pois, os termos nem sempre foram tratados com entendemos hoje apesar de serem concepções tipicamente ocidentais. No baixo latim, por exemplo, moderno pode ser simplesmente algo recente enquanto antigo significa tradicional. Já no século XVI antigo se refere a algo anterior ao domínio do cristianismo, ou seja, anterior à Idade Média. O certo é que os historiadores tem dificuldade ao tratar do assunto.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mesmo em sociedades em que a figura dos mais velhos (antigo), é respeitada há um limite exemplificado pelo fato de que mesmos os sábios geralmente idosos nunca são tratados com honras reais. Parece querer demonstrar que apesar do respeito há o fascínio pelo novo, como é o caso dos guerreiros.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A queda do Império Romano para o autor é a data em que a modernidade é criada, passando pela medievo e retornando com toda força no século XVI com personagens como Bauderlaire, Gautier, podendo para alguns denegrir algo do passado e para outros exaltá-lo. É sem dúvida um termo ambivalente.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pode-se perceber isso facilmente quando Le Goff analisa o termo antigo e novo referindo-se as Escrituras Judaico-Cristãs. Os homens do Novo Testamento não são maiores, ainda que não rebaixados, do que os do Antigo Testamento, chamados e gigantes pelo autor. Há, porém casos em que antigo tem significado pejorativo: “segundo Robert Estienne, a expressão à l’antique é pejorativa em francês, pois se refere à antiguidade ‘grosseira’, isto é, à antiguidade gótica, à Idade Média” (p.171).<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Le Goff ao demonstrar que na Itália e na França à partir do Renascimento e no século XVI, o termo antigo se afasta do conceito anterior e é tomado jocosamente, peca aos citar definições de dicionários em italiano e francês sem traduzi-los. O mesmo acontece com frases em latim, deixando o leitor com um lapso textual. Isso certamente poderia ter sido alvo de maior cuidado pelo tradutor ou até mesmo pelo editor.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segue fazendo uma análise de como a maioria das línguas européias distanciou o ‘antigo’ do sentido original tornando-se algo jocoso. Moderno torna-se ruptura com o passado e impregna-se de significados como ‘novo’ e ‘progresso’.</p>
<p>GOFF, Jacques Le. <strong>História e Memória</strong>. Campinas: Editora da UNICAMP, 1994, p. 167-199.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Terceiro Período de Filosofia</p>
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		<title>A Bolsa e a vida</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 18:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>

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		<description><![CDATA[GOFF, Jacques Le. A Bolsa e a vida: economia e religião na Idade Média. Tradução de Pedro Jordão. Lisboa: Teorema, 1987.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A obra de Le Goff é um clássico sobre o cotidiano na idade média. Focaliza-se principalmente a economia e a religiosidade do homem medievo debaixo da autoridade da Igreja. O autor é tido como um <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=691" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>GOFF, Jacques Le. <strong>A Bolsa e a vida: economia e religião na Idade Média</strong>. Tradução de Pedro Jordão. Lisboa: Teorema, 1987.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A obra de Le Goff é um clássico sobre o cotidiano na idade média. Focaliza-se principalmente a economia e a religiosidade do homem medievo debaixo da autoridade da Igreja. O autor é tido como um dos maiores medievalistas. Nesta obra percebe-se o contexto confuso em que a sociedade vivia, tendo seus direitos, deveres e perspectivas ditados pelo poder da igreja que fazia de homens e mulheres pessoas sem nenhuma chance de autonomia nas diversas áreas da vida humana.<br />
<span id="more-691"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segundo o autor “Num mundo em que o dinheiro (nummus em latim) é ‘Deus’; em que o ‘dinheiro’ é vencedor, o dinheiro é rei, o dinheiro é soberano (nummus vincit, nummus regnat, nummus imperat)” (p.8), se desenvolve o drama medieval com todas as suas implicações, trazendo transtornos físicos e emocionais capazes de atormentar psicologicamente o homem de então e deixando implícita a ambigüidade do poder eclesiástico.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os séculos X a XII constituem-se o recorte temporal da chamada idade das trevas. Durante esse período a questão da usura permeia a mente da sociedade principalmente nos séculos supracitados. A usura seria por muitos séculos um mal combatido pelo clero.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A obra divide-se em seis capítulos.  No segundo, desenvolve-se a ideia do inferno que é o meio principal pelo qual o domínio se dá na vida do homem medieval. A justificativa de tal ideia provém de textos bíblicos, tanto do Antigo como do Novo Testamento. A penitência é desenvolvida chegando ao ponto de se confeccionar em tabelas penitenciais: “Durante a idade média, as tabelas de penitência consoante a natureza dos actos pecaminosos estavam consignadas em penitenciais” [grifo do autor] (p. 10). A citação do inferno como condenação pelo pecado da usura permeia os demais capítulos: “Sim, a usura só podia ter um destino: o inferno” (p.37). Dessa maneira o homem da época vivia amedrontado, acuado e sob forte pressão.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um dos meios desenvolvidos para a comunicação das ideias divinas, ditadas pela igreja, foi o exemplum. Através dessas histórias, os ouvintes eram informados sobre o destino final do usurário. Estava lançada a grande questão da época quanto ao enriquecimento ilícito: o cidadão deveria escolher entre a bolsa e a vida, ou seja , entre os bens materiais, prazerosos e efêmeros ou a estada concreta e eternamente cheia de sofrimentos terríveis no inferno.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O capítulo terceiro dedica-se a justificar o pecado da usura, que era o pior dos pecados capitais. Se um homem roubasse outro homem poderia ser punido pelas leis civis e até mesmo perdoado pela igreja através da confissão. Mas o que fazer com aquele que conscientemente e apesar de todos os avisos roubasse a Deus? O usurário era um roubador do tempo que pertencia a Deus. Ele vendia aquilo que não produzia. O ócio e o enriquecimento eram incompatíveis. Nessa época a figura artística do usurário estigmatizou-se na figura do Judeu, uma das grandes injustiças da história em relação aos descendentes de Abraão.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A pesquisa realizada por Le Goff apresenta em detalhes a vida na Idade Média. Toda manipulação feita pela Igreja para interferir na consciência das pessoas é comprovada pelos exemplos e citações das obras pesquisadas. Fica evidente que muitos dogmas da Igreja católica foram criados não por uma piedade religiosa ou pela autoridade das Escrituras, mas sim por uma necessidade econômica para o exercício do poder. Exemplos citados são a confissão auricular e o purgatório. O primeiro com a intenção de cada vez mais descobrir e controlar a proliferação da usura e o segundo para resolver a questão dos usurários que colaboravam financeiramente com a igreja, aliviando assim seu sofrimento eterno e dando-lhe uma nova chance após a morte.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O capítulo final descreve a situação incômoda que vivia a esposa do usurário. O que fazer com ela é a pergunta que se fazia. Duas possibilidades havia: abandonar o marido e salvar sua alma ou pagar literalmente a Igreja após a morte dele, entregando assim toda a fortuna arrecadada pelo marido de forma generosa e piedosa. A discriminação às mulheres de usurários era notória: “Ouvi falar duma mulherzinha que tinha como esposo um usurário” (pg.107), iniciava-se uma das histórias amedrontadoras narradas pelos padres. Há contudo relatos de mulheres que se negaram a entregar seus bens a Igreja como é o caso de Étienne de Bourbon.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O texto de Le Goff é rico em citações e referências de documentos oficiais antigos, porém peca ao omitir em algumas delas a origem. Ao tratar dos assuntos expostos nos capítulos, Le Goff parece ser prolixo nos detalhes, retornando em cada capítulo a assuntos já tratados para depois abordar o assunto principal. Isso certamente causa um desgaste ao leitor. Peca o autor em não oferecer ao leitor um índice e divisões sistematizadas, seja no início ou no final da obra, tornando a leitura solta no ar, sem uma referência inicial para pautar os assuntos tratados.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De maneira alguma esses detalhes empobrecem a pesquisa do autor que é ampla e detalhada. A situação econômica, o medo da Igreja em perder o poder sobre a vida do povo, as artimanhas do clero, a situação lamentável em que viviam os homens e mulheres desprovidos de direitos e cheios de deveres abusivos, fica evidente no livro. Para se conhecer um pouco desse momento histórico é imprescindível a leitura desta obra. </p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Segundo Período de Filosofia</p>
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		<title>A Felicidade em Aristóteles</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 18:19:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;O tema central do livro X  da Ética a Nicômaco é a felicidade, bem supremo procurado por todos os homens.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A experimentação da virtude, segundo o Estagirita, pode-se dar pelo prazer. Para se ter uma vida feliz, os homens escolhem o que lhes é agradável e evitam a dor. O prazer é parte da natureza <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=689" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O tema central do livro X  da Ética a Nicômaco é a felicidade, bem supremo procurado por todos os homens.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A experimentação da virtude, segundo o Estagirita, pode-se dar pelo prazer. Para se ter uma vida feliz, os homens escolhem o que lhes é agradável e evitam a dor. O prazer é parte da natureza humana:<br />
<span id="more-689"></span></p>
<blockquote><p>Porque essas coisas nos acompanham durante a vida inteira, com um peso e um poder próprios tanto no que toca a virtude como à vida feliz, já que os homens escolhem o que é agradável e evitam o que é doloroso; e são elas, segundo parece, as que menos conviria omitir em nossa investigação, especialmente por serem objeto de muitas controvérsias. (Aristóteles, 1987, p. 179).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A felicidade é atingida quando o homem se liberta dos males terrestres, mas não pode ser contínua. Por isso, é preciso ser virtuoso e respeitar os valores morais.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diz Aristóteles que; o prazer é o sentimento que guia os jovens. Comprazer–se das coisas apropriadas e desprezar as más tem fundamental importância na formação do caráter. Diz ele (Ibdid., p.79) que; Eudoxo acreditava que o prazer é um bem, pois todos os animais buscam a ele ao contrário da felicidade da qual os animais não participam: “&#8230;Nenhum dos outros animais é feliz, uma vez que de nenhum modo participam eles da contemplação” (Ibid., p. 191). Segundo ele, o prazer quando buscado em razão de um outro bem (como a justiça), torna–se mais digno ainda, confirmando a idéia de que o bem só pode ser acrescido pelo bem.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Considera-se ainda, que o prazer é indeterminado, pois, admite-se uma graduação, e o bem a que procuramos não, ele é determinado: “Dizem, no entanto, que o bem é determinado, enquanto o prazer é indeterminado, visto admitir graus” (Ibid., p. 181).O prazer acompanha a “vida ativa” e, por isso, não o sentimos continuamente. Algumas coisas nos são prazerosas quando novidades, e nem tanto quando deixam de ser. Isso se dá por causa da estimulação espiritual. De início, prestamos mais atenção a algo e depois, com nossa atividade menos intensa, já não mais prestamos tanto como antes.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Estagirita afirma ainda que o prazer complementa as atividades, tornando a vida completa. Estando os dois (prazer e vida) intimamente ligados, ele difere em várias espécies, por ocorrer sua divisão de acordo com a atividade que este complementa e intensifica. Cada atividade que é realizada com prazer é feita da melhor maneira possível. Assim, alguém que tenha prazer em estudar geometria, por exemplo, fará mais descobertas e entenderá melhor o assunto por ter nele afinidade e prazer. Diz Aristóteles que; quando nos comprazemos demais em uma determinada atividade, nos dedicamos demasiadamente a ela e não servimos a mais nenhuma outra. Sempre evitamos fazer aquilo que nos é penoso.<br />
Segundo Aristóteles, estes conceitos sobre o que é prazeroso e o que é penoso, variam de pessoa para pessoa. Pois, o que é quente para um homem fraco pode não o ser para um forte:</p>
<blockquote><p>Ou talvez os prazeres difiram em espécie, pois os que provém de fontes nobres são diferentes daqueles cujas fontes são vis, e não se pode sentir o prazer do homem justo sem ser justo, nem os prazeres do músico sem ser músico, e assim por diante. (Ibid., p.182)</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diz Aristóteles que, a felicidade é o fim que natureza humana visa. E, a felicidade é uma atividade, pois não está acessível àqueles que passam sua vida adormecidos. Ela não é uma disposição. À felicidade nada falta, ela é completamente auto-suficiente. É uma atividade que não visa a mais nada a não ser a si mesma. O homem feliz, basta a si mesmo. Uma vida virtuosa exige esforço e não consiste em divertimento. Portanto, a recreação não consiste em felicidade. Por isso, conclui o filósofo que; a boa atividade na virtude torna–se felicidade. Porém, para por em prática os atos justos e bons são necessárias outras coisas. Por exemplo: um homem liberal necessitará de dinheiro para por em prática seus atos. Por isso, segundo Aristóteles, devemos questionar o que é melhor: a vontade ou a ação?  Pois, quanto mais nobres e justos forem os atos mais coisas serão necessárias para sua realização. Temos então que, segundo o filósofo, a contemplação é a melhor das atividades, pois, para ela ser realizada não necessitamos de mais nada. Por isso, podemos concluir que os animais incapazes (seres não racionais) não participam da felicidade total, pois, são privados desta atividade (taumazen) e as pessoas que mais são capazes de realizá–la são as mais felizes. Segundo Aristóteles, homem para ser feliz precisa também de bens exteriores (bens materiais), pois, nossa natureza não basta a si mesma, embora estes itens não devam ser, necessariamente, muitos ou grandes, diz ele, mas sim como Sólon os colocou, dizendo que; o homem deve ser moderadamente provido de bens exteriores:</p>
<blockquote><p>O homem liberal necessita de dinheiro para a prática de seus atos de liberalidade e o homem justo para a retribuição de serviços de serviços (pois é difícil enxergar claro nos desejos, e mesmo os que não são justos aparentam o desejo de agir com justiça); e o homem corajoso necessita de poder para realizar qualquer dos atos que correspondem à sua virtude, e o temperante necessita de oportunidade&#8230; (Ibid., p.190).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sobre o homem feliz, diz o Estagirita:</p>
<blockquote><p>&#8230;necessita de prosperidade exterior, porquanto a nossa natureza não basta a si mesma para os fins de contemplação: nosso corpo também precisa de gozar saúde, de ser alimentado e cuidado. Não se pense, todavia, que o homem para ser feliz necessite de muitas ou de grandes coisas, só porque não pode ser supremamente feliz sem bens exteriores. (Ibid., p.191).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vemos o meio termo na questão da felicidade também. Diz o autor que, alguns pensam que; por natureza nos tornamos bons. Outros acreditam que é pelo hábito, e outro pelo ensino. Mas, quanto a natureza, não depende de nós, ela se dá em decorrência da vontade divina, e pelo ensino. Alguém que vai aprender deve estar preparado para tal, tornando–se capaz de gostar ou sentir aversão de maneira correta através do hábito.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Aristóteles, fazer com que as pessoas ajam da maneira correta desde a infância é uma tarefa árdua. Sendo assim, devem existir leis definindo como deve ser educação dos jovens. Leis que devem vigorar também para os adultos. Pois, a maioria das pessoas age certo mais por medo do castigo do que pelo gosto à nobreza. Nosso autor demonstra como deve ser a educação dos jovens:</p>
<blockquote><p>Mas é difícil receber desde a juventude um adestramento correto para a virtude quando não nos criamos debaixo das leis apropriadas (&#8230;).Por essa razão, tanto a maneira de criá-los como as suas ocupações deveriam ser fixadas pela lei; pois essas coisas deixam de ser penosas quando se tornam habituais (Ibid., p.193).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Somente quando o homem tem um raciocínio que vise a honra o legislador deve agir de maneira diferente, deixando o poder coercitivo, o que raramente pode ocorrer. Pois, segundo o pensador, a maioria das pessoas não pensa assim. Portanto, o legislador deve continuar com este papel importante e para executá-lo, ele deve ter uma visão universal do que é ético para a boa conduta da vida. Eis o contexto da pólis na ética aristotélica.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O homem mais feliz é aquele em que tais atributos estão presentes. E mais do ninguém o filósofo é aquele que os possui, sendo assim, no pensamento aristotélico, tal homem é caro aos deuses e consequentemente o mais feliz dos homens: </p>
<blockquote><p>Ora, é evidente que todos esses atributos pertencem mais que a ninguém ao filósofo. É ele, por conseguinte, de todos os homens o mais caro aos deuses. E será, presumivelmente, também o mais feliz. De sorte que também neste sentido o filósofo será o mais feliz dos homens. (Ibid., p. 192).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A felicidade é atingida quando o homem se liberta dos males terrestres, mas não pode ser contínua. Por isso, é preciso ser virtuoso e respeitar os valores morais.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Segundo Período de Filosofia</p>
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		<title>Dor e Sofrimentos Humanos</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 18:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Ao tratarmos do homem como ser, nos deparamos com uma infinita gama de definições e conceitos que refletem a complexidade do assunto. Quem é o homem? Qual seu papel no cosmos? O que deve fazer? São perguntas que movem as discussões sobre esse ser peculiar e inigualável.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A proposta deste artigo é analisar a dor e <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=687" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao tratarmos do homem como ser, nos deparamos com uma infinita gama de definições e conceitos que refletem a complexidade do assunto. Quem é o homem? Qual seu papel no cosmos? O que deve fazer? São perguntas que movem as discussões sobre esse ser peculiar e inigualável.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A proposta deste artigo é analisar a dor e sofrimento como instrumentos da limitação humana, não obstante o homem poder superá-la através de modificações dos elementos que estão ao seu redor e ao seu dispor.<br />
<span id="more-687"></span><br />
<strong>1 O PARADOXO DO HOMEM</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quantas proezas o ser humano foi e é capaz de realizar? Grandes avanços na sociedade, em todas as áreas, foram construídos através dos séculos. No campo da ciência e da tecnologia – que pode enquadrar todas as áreas &#8211; chegamos a resultados nunca antes alcançados, porém apesar de todo o avanço o ser humano tem suas limitações. Dor e sofrimento são algumas delas.<br />
No contexto das aulas de Antropologia Filosófica na Faculdade Católica de Pouso Alegre, tivemos a oportunidade de estudar as várias facetas do ser humano, por cada um dos alunos do segundo período que são: Homo somaticus, Homo sapiens, Homo loquens, Homo socialis, Homo religiosus, Homo volens, Homo faber, Destino do homem: morte e imortalidade e a Dimensão espiritual do homem: eternidade e intersubjetividade. A dor e o sofrimento, então, fecham o ciclo desses estudos antropológicos mostrando a complexidade do ser humano.</p>
<p><strong>1.1	A FRAQUEZA E A LIMITAÇÃO HUMANAS</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sofrimento humano é descrito por muitos autores no decorrer da história. Um dele é o grego Sófocles  onde suas obras podem ser descritas como um canto ao sofrimento. Para ele a  vida é um lugar de dor que só pode dar lugar a mais dor: </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quem, esquecido do que é moderação, deseja prolongar a vida mais do que o justo, sempre será a meus olhos um insensato iludido. Pois os anos prolongados vão sempre amontoando mil coisas que geram dor (&#8230;) Quando o ‘Hades’ vem repentino o golpe (o inimigo de nupciais  e de liras e de danças), igual chega para todos o Libertador a morte, fim de tudo. (STORK,ECHEVARRIA, pg.457).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Sófocles a vida resume-se em sofrimento insuperável: <em>“Não ter nascido é a maior das venturas, e uma vez nascido o menor mal é voltar-se quanto antes para lá de onde se veio” </em>(ibid., pg. 457). Fica evidente a dificuldade do homem em lidar com a dor e o sofrimento desde os tempos remotos.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O homem leva consigo muitos males, dentre eles: invejas, facções, contendas, guerras, mortes chegando ao ápice quando lhe chega a intratável, a sem amigos, a velhice: golfo onde estão todos os males.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A tradição bíblica parece que não fica atrás ao falar das limitações do homem, pois assim o defini:<em> “Homem, nascido de mulher, com dias escassos e farto de tormentos”</em> (Jó 14,1). </p>
<p><strong>1.2 REGIÃO INEVITÁVEL </strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sofrimento e dor são inevitáveis na vida do homem. Mais brando ou mais intenso, todos vivemos nessa região em algum momento da vida. Por ser limitado, o homem experimenta essa limitação de múltiplos modos. A tentativa de ignorar a dor e o sofrimento, para os estudiosos, não passa de um mero sonho:<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando o sério se torna interminável e parece talvez definitivo, sobrevém o sofrimento e desaparece a alegria: tudo parece, então, destinado a fracassar, e o mal, o pranto, a doença e o cansaço desdobram suas sombrias asas sobre nós. É uma região inevitável, à qual todos nós chegamos ou antes ou depois. Ignorá-la é manter-se no sonho (STORK,ECHEVARRIA, pg.458).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Podemos perceber essa tentativa em alguns fatos mundialmente conhecidos como o sofrimento causado pelas mortes de dois grandes astros da música Norte Americana: Elvis Presley e Michael Jackson. No primeiro caso até hoje se tem notícia de fãs que afirmam categoricamente que Elvis não morreu e até que vive na Argentina. No segundo exemplo fãs afirmam que Michael não estava dentro do caixão que adentrou em um helicóptero, que tudo não passou de um drible da família. </p>
<p><strong>2 A DOR TEM A ÚLTIMA PALAVRA?</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Protagonistas da dor são os atores que encarnam o sofrimento humano. Há, teoricamente, classe de pessoas que se agrupam em torno de um sofrimento mais agudo como os fracos, pessoas sem lar e sem propriedade, sem trabalho, sem saúde,  miseráveis em todas as sua formas,  doentes,  os que carecem de capacidades físicas, psíquicas, os que sofrem de solidão e desamparo, os que são um “problema” pois deixaram de ser úteis (anciãos), os que sofrem injustiças irreparáveis, vítimas de violência. A grande pergunta é o que fazer com eles. Nesta linha de pensamento surge, por exemplo, a questão da eutanásia que sempre terá defensores contra ou a favor.</p>
<p><strong>2.1 PSICOLOGIA DA DOR: SOFRIMENTO, MEDO E TRISTEZA</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A dor por mais indesejável que seja pode trazer, em certos momentos, pontos positivos. Quando alguém está sofrendo, na grande maioria das pessoas, surge quase que instantaneamente a indagação do por que da dor. A dor é um tormento para muitas pessoas.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não poucos questionam a real existência da dor refletindo sobre questões metafísicas questionando a existência de um ser todo poderoso e bom. Se Deus existe por que nos permite passar por tais situações. Em contrapartida pode-se chegar à conclusão de que a vida não vale a apena ser vivida.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esquece-se que a dor existe porque somos seres vivos. Ela é um mecanismo para nos alertar do perigo. Dor e o prazer são companheiros inseparáveis de todos os seres. Sem dor nos colocaríamos continuamente em perigo.Ela que nos motiva a ir ao médico, por exemplo.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Todo movimento exige esforço, energia, desgaste e portanto fadiga. É forte aquele que aguenta o esforço e fraco quem carece dela. O mal é a privação do bem. É a detenção de uma situação que me aflige, um dano que impede minha auto realização (moral/físico-biológico). Ser forte significa aguentar essa detenção e atacar o obstáculo que a causa tirando-a da frente. </p>
<p><strong>2.2 REAÇÕES DA SENSIBILIDADE HUMANA</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Diante da dor e do sofrimento podemos tomar dois caminhos distintos. Sermos levados por um impulso que nos move para um bem futuro, ainda que árduo, porém alcançável. Temos aí a tão conhecida esperança. E opostamente um impulso que rejeita um mal eminente ou inevitável e caminhar na desesperança e cheios de temor e sofrimento.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tomás de Aquino em sua obra magna afirma que duas coisas são requeridas para a dor: a união com algum mal e a percepção desta união (TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica, I-II, q.35, aI). Primeiramente na sensibilidade: como uma intrusa que desestabiliza a relação do homem e seu corpo e na dor onde o corpo se descobre como limite podendo acabar apresentando-se como algo em si desagradável.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A sensação de dor é externa causada por um mal que é contrário ao corpo. É menos íntima do que a dor moral: uma perna quebrada não tem o mesmo nível do que uma depressão profunda.</p>
<p><strong>2.3 SOFRIMENTO INTERIOR CAUSA MAIS DANO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No sofrimento interior acontecem fenômenos em toda a estrutura humana. Intervém na memória, na imaginação ou fantasia e na própria inteligência. Tal sofrimento inclui o passado, o presente, o futuro inclusive o que está fisicamente ausente. Temos então a possibilidade do aumento da dor pelo ser humano. Doenças como a hipocondria têm sua raiz nesses fenômenos. Medo e tristeza estão embutidos.</p>
<p><strong>3 HOMO PATIENS</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Homem dolorido é o significado de homo patiens. Está é uma condição natural do homem. Este toma consciência de sua dor, a interioriza e a converte em sofrimento. É o modo humano de sofrer: a percepção inteligente dos males. Dá-se então o sentimento da frustração por ter que enfrentar uma situação na qual não se tem o controle.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É a perda da saúde definida por muitos como uma harmonia da alma e do corpo, uma harmonia psicofísica. A medicina define saúde como o silêncio dos órgãos. A doença então é a presença do corpo reclamando a atenção que sempre lhe foi furtada. O silêncio do corpo é sinal ativo de equilíbrio. Saúde não é apenas o silêncio do corpo: é uma saúde integral, um bem estar do corpo de da psique.</p>
<p><strong>3.1 SENTIDO DA DOR</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Não temos motivos e nem queremos tê-los para suportar a dor. Pensar que podemos erradicá-la completamente é uma ilusão. Podemos ter métodos para a diminuição do sofrimento e da dor. Impera em nossa sociedade a cultura do bem estar onde o mínimo de esforço é requerido. Para muitos a única saída seria a não existência, deixar de existir. Especialistas dizem que pensar assim é ter uma cultura infantilizada. Uma sociedade que queira abolir o sofrimento por meio da eutanásia não tema mais o que dizer, permanece muda.<br />
Mas então, qual é o sentido da dor?  Sem a dor estaríamos correndo imenso perigo. É ela que nos avisa que algo está errado. É assim que podemos e devemos procurar ajuda. A relação das pessoas diante do sofrimento tende a mudar, tornar-se mais solidárias e mais abertas.<br />
Segundo Victor Frankl uma das principais características humanas está na capacidade de elevar-se acima das condições biológicas, psicológicas ou sociológicas e crescer para além delas. A busca de sentido na vida é a principal força motivadora do ser humano. Frankl experimentou na prática no campo de concentração nazista essa superação: só conseguiam se manter vivas as pessoas que tinham um sentido na vida. No sofrimento somos ao mesmo tempo aprendiz e mestre de si mesmo</p>
<p><strong>CONCLUSÃO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dor e sofrimento são inevitáveis na vida do homem. Querer erradicá-los é mera ilusão. Apesar de toda a magnitude humana esses dois fatores fazem com que a limitação seja experimentada e conscientizada. Mesmo não gostando da dor e do sofrimento pode-se tirar pontos positivos. Neste aspecto entra o caráter metafísico do ser humano. A busca pelo sentido da existência diante de sua enorme limitação. A vida deve ser preservada e mantida bem como o exercício para amenizar a dor e o sofrimento. Este sempre foi um grande desafio para o ser humano. “Quem merece cuidado por si mesma, como algo insubstituível, é a pessoa humana, precisamente porque é um ser valioso em si mesmo: digno. (pg. 478).</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Segundo Período de Filosofia<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center></p>
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong><br />
A Bíblia Sagrada. Edição Pastoral. SP: Paulus, 1990.<br />
A Bíblia Sagrada. Trad. João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. Brasília: SBB, 1992.<br />
A BÍBLIA SAGRADA. Tradução da Vulgata Latina. SP: Paulinas, 1976.<br />
PESSINI, L.; BARCHIFONTAINE, C.P. Buscar Sentido e Plenitude de Vida: Bioética, saúde e espiritualidade. SP: Paulinas e Centro Universitário São Camilo, 2008.<br />
SANTA BIBLIA.Edição Reina-Vallera Revisada. Colombia: Sociedade Bíblica Unidas.1995.<br />
STORK, R.Y.: ECHEVARRÍA, J.A.Fundamentos de Antropologia: um ideal de excelência humana. Tradução de Patrícia Carol Dwyer. SP: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência “Raimundo Lúlio”, 2005.</p>
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		<title>Livre Arbítrio</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 14:59:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Livre arbítrio]]></category>
		<category><![CDATA[Santo Agostinho]]></category>

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		<description><![CDATA[INTRODUÇÃO
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Agostinho é um dos grandes homens da história do cristianismo. Suas obras são estudadas minuciosamente até nossos dias. Segundo Moreschini (2008, p.440), “a bibliografia agostiniana é infindável e se calcula recentemente que sobre o bispo de Hipona se publica um livro por semana”. Sua caminhada dramática até sua conversão desperta milhares de religiosos tanto nas <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=677" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agostinho é um dos grandes homens da história do cristianismo. Suas obras são estudadas minuciosamente até nossos dias. Segundo Moreschini (2008, p.440), “a bibliografia agostiniana é infindável e se calcula recentemente que sobre o bispo de Hipona se publica um livro por semana”. Sua caminhada dramática até sua conversão desperta milhares de religiosos tanto nas tradições católica romana, ortodoxa e protestante. Autores posteriores a ele citam-no com freqüência. Filósofos posteriores a Agostinho refletiram sobre ele. A análise agostiniana é uma preocupação presente em nossos dias. Muitos ainda se debruçam sobre a existência ou não da liberdade humana. Em uma época de crise ética e de valores, como a presente, sempre surgirão questionamentos sobre o homem o que certamente abordará a liberdade deste.<br />
<span id="more-677"></span><br />
<strong>I – A CAMINHADA DE AGOSTINHO E O DE LIBERO ARBITRIO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Aurélio Agostinho nasceu no norte da África em Tagaste em 13 de novembro de 354 d.C. Sua mãe, Mônica<a style="mso-endnote-id:edn1" href="#_edn1" name="_ednref1" title>&sup1;</a>, foi uma mulher de vida cristã muito profunda. Ele porém não lhe seguiu o exemplo na mocidade. Herdou de seu pai Patrício uma tendência sensual, e de sua mãe a ternura e gosto pela contemplação. Aos trinta anos era um mestre brilhante da retórica e oratória em Cartago. Não obstante ter meditado bastante em assuntos religiosos, era, praticamente, irreligoso, e sua vida era inútil e vergonhosa, segundo os padrões morais então existentes.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agostinho aos dezenove anos entra para a seita dos maniqueus.<a style="mso-endnote-id:edn2" href="#_edn2" name="_ednref2" title>&sup2;</a>  Veio a refutá-lo após sua conversão ao cristianismo. Oito anos após sua conversão, que teve grande influência de Ambrósio, bispo de Milão, Agostinho torna-se bispo em Hipona, uma das mais importantes cidades africanas. Ali passou trinta e cinco anos devotado ao seu povo e escrevendo livros sobre vários aspectos da verdade cristã. Dentre eles está o De libero arbitrio.  O livre arbítrio começou a ser escrito em 391 e só foi concluído em 395 d.C.</p>
<p><strong>1.1 – O TEMA DO LIVRO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O livro retrata diálogos de Agostinho com seu amigo Evódio. Este fora militar, esteve ao lado de Agostinho na morte de Mônica e em 396 d.C. é consagrado bispo de Upsala. Em seus diálogos, Agostinho mantém muito respeito e deferência para com seu interlocutor. Evódio morre em 424 d.C., seis anos antes de seu amigo.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O assunto tratado no livro incomodou não somente Agostinho, sobre tudo em sua juventude, mas também filósofos e teólogos posteriores a ele. A liberdade humana e a origem do mal.. Postula-se que sua associação ao maniqueísmo tenha sido uma busca na tentativa de resolução de tal problema. Em suas Confissões relata sua angústia sobre o assunto:</p>
<blockquote><p>
Eu ignorava a outra realidade, a verdadeira, e era levado a aceitar o que me parecia o penetrante raciocínio de estúpidos impostores, quando me faziam perguntas sobre a origem do mal&#8230;Na minha ignorância, ficava perturbado com tais perguntas, afastando-me da verdade enquanto acreditava aproximar-se dela. (Agostinho, 1984, III, 7,12). </p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em certa parte de seus escritos, Agostinho diz que zombava dos servos de Deus estando ainda crendo em tolices. Preocupava-se com frutas invés de homens criados à imagem e semelhança de Deus. Como maniqueu que era, desprezava o trabalho no campo e possuía um certo panteísmo<a style="mso-endnote-id:edn3" href="#_edn3" name="_ednref3" title>&sup3;</a>. Em outro lugar escreve sobre o tormento que lhe abatia:</p>
<blockquote><p>
Mas então onde está o mal, de onde veio e como conseguiu penetrar? Qual a sua raiz, qual a sua semente? Ou talvez não exista? Por que tememos então e evitamos o que não existe? Se tememos o mal sem motivo algum, é esse temor um mal, enquanto sem motivo nos perturba o coração, e tanto mais grave quanto nada há que temer. Portanto, ou o mal que tememos existe, ou o próprio fato de temê-lo é um mal. Mas de onde vem o mal, se Deus é bom e fez todas as criaturas? (&#8230;) De onde então vem o mal? Porventura da matéria que ele usou? Haveria nela algo de mal, e Deus, ao dar-lhe forma e ordem, teria deixado algo por transformar em bem? (Ibid., VII, 5,7).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Já em contato com o cristianismo, através de Ambrósio, entra em contato com o neoplatonismo de Plotino que não lhe trás respostas satisfatórias mas o conduz a ideia de um Criador bom e poderoso, originador de todas as coisas. Ora, se Deus é perfeito e bom e tudo o que criou também o é, e nada exista que não tenha sido criado por ele, não pode ser ele então a origem do pecado e do mal<a style="mso-endnote-id:edn4" href="#_edn4" name="_ednref4" title>&sup4;</a>. Este deve, segundo Agostinho, ter um papel dentro da Providência.</p>
<p><strong>II – AS TRÊS ESPÉCIES DE MAL</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agostinho examina o problema do mal em três níveis: metafísico ou ontológico, moral e físico.</p>
<p><strong>2.1 – O MAL ONTOLÓGICO</strong> </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Agostinho não existe o mal ontológico no Universo. O que existe são graus de seres inferiores a Deus, finitos e de diferentes níveis, que juntos formam um grande conjunto harmônico. Não existe o princípio do mal, algo que exista por si só e de maneira plena e auto suficiente. Assim o mal ontológico nada mais é do que a ausência do bem que um ente deveria ter e não tem: “o mal não é um ser, mas deficiência e privação de ser” (Reale, Antiseri, 2003,  p. 97).  Resume muito bem Moreschini a inexistência do mal em Agostinho: </p>
<blockquote><p>&#8230; O mal sumo não tem nenhuma medida, porque está privado de toda bondade. E não tendo nenhuma forma, também não tem nenhuma existência. Portanto, o mal deriva inteiramente da ausência de beleza ou de forma” (Moreschini, p. 471)</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Agostinho todas as coisas são boas. Neste aspecto até a figura do Diabo é boa. Bom enquanto ser criado. Nada é tão bom como Deus, que não pode ser corrompido. As demais coisas são boas, dentro de suas limitações, justamente por que podem ser corrompidas, se assim não fora não seriam boas, ou seja, se as coisas criadas fossem privadas totalmente do Bem deixariam de existir. Em sua obra mais conhecida cita:</p>
<blockquote><p>Desse modo, vi e me pareceu evidente que criaste boas todas as coisas, e que nada existe que não tenha sido criado por ti. E porque não as criaste todas iguais, cada uma em particular existe porque é boa, e tomada em conjunto são muito boas. (Agostinho, 1984, VII, 12,18). </p></blockquote>
<p><strong>2.2 – O MAL MORAL</strong> </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Resume-se no pecado<a style="mso-endnote-id:edn5" href="#_edn5" name="_ednref5" title>&#038;sup5;</a>. É a má escolha entre diversos bens. O mal é justamente o mau uso de nossa liberdade, de nosso livre arbítrio. É uma inversão de nossa natureza que deveria escolher a Deus e escolhe a criatura. “Aversio a Deo” e “Conversio ad creaturam”, isto é aversão a Deus e um voltar-se a criatura. De onde vem o mal moral? Do coração do homem, responde Agostinho. A má vontade em escolher muitas coisas pode faz com que se escolha bens inferiores e não o Bem Superior, que é Deus. Moreschini (2008, p. 481) condensa bem tal pensamento agostiniano:</p>
<blockquote><p>Existe o mal como vontade má, justamente porque se verificou um defectus a summo Bono, um afastar-se do Sumo Bem, porquanto o bem criado foi privado do Bem que o criou (ubi bonum creatum Bono creante privatur), de modo que no bem criado a raiz do mal não é mais que ter falta, ficar privado, justamente, do Bem.</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agostinho resume isto da seguinte maneira: “O bem que está em mim é tua obra, é teu dom; o mal em mim é meu pecado” (Reale, Antiseri, 2003, p. 98).<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Agostinho o homem está separado de Deus. Se o pecado, o mal moral vem do coração humano este está corrompido. João Calvino citando Agostinho escreve: “Quer um infiel culposo, quer um fiel inculpável, um e outro não gera inculpáveis, mas culposos, pois que [os] gera de natureza corrupta. (Calvino, 1995,II, 1,7). O pecado original é transmitido a toda posteridade pós Adão. Nisto consiste grande parte da luta de Agostinho contra os Pelagianos<a style="mso-endnote-id:edn6" href="#_edn6" name="_ednref6" title>&#038;sup6;</a>  O exemplo apontado por Agostinho é a figura do Filho Pródigo, trecho do Novo Testamento escrito por Lucas<a style="mso-endnote-id:edn7" href="#_edn7" name="_ednref7" title>&#038;sup7;</a>. Ao abandonar o pai, figura de Deus, e querer viver longe deste, o filho mais novo cai em miséria e torna-se embrutecido: “Longe de tua face, caímos nas trevas da paixão” (Agostinho, 1984, I,18,28). O termo latino (Moreschini, 2008, p. 473) é régio egestatis, ou seja, “região da miséria”.</p>
<p><strong>2.3 – O MAL FÍSICO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É a consequencia do mal moral, do pecado, da natureza decaída. A natureza corrompida do corpo que pesa sobre a alma são reflexos do primeiro pecado. Adão e Eva viciaram o livre arbítrio. Doenças físicas, psíquicas podem advir do mal moral. Por exemplo: uma má alimentação ou o uso de bebidas alcoólicas ou drogas certamente trarão conseqüências maléficas a quem as pratica.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao iniciar seu diálogo com Agostinho, Evódio pergunta se Deus é o autor do mal. A resposta conduz a explicação de que existem dois tipos de mal: o mal praticado e o mal recebido. Deus, diz o autor, por ser justo recompensa os bons e castiga os maus e estes últimos entendem tal justiça como algo mal. Deus então, segundo Agostinho, não pode ser o autor do primeiro mas, somente do segundo, entendido como justiça. A pratica do mal é algo voluntário<a style="mso-endnote-id:edn8" href="#_edn8" name="_ednref8" title>&#038;sup8;</a> , pois se assim não fosse não poderia ser alvo da justiça.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O mal não se origina do ensino, da instrução, pois de outra maneira a instrução não seria boa. Ninguém aprende pecar por ter aprendido a pecar. Oram se alguém ensina o mal não faz uso da inteligência e nem pode ser chamado de mestre. Desta forma Agostinho introduz-nos ao pensamento sobre a liberdade humana. Uma vez que Deus é perfeito, bom e que nada pode ter criado erroneamente, de onde então provém o mal que existe no mundo? Evódio indaga sobre o que são atos maus e enumera alguns como; adultério, homicídios e sacrilégios<a style="mso-endnote-id:edn9" href="#_edn9" name="_ednref19" title>&#038;sup9;</a>. Tomando o adultério, o bispo de Hipona pergunta por que Evódio considera-o como mal. É proibido pela lei pelo fato de ser mal, é a resposta imediata de seu amigo. A condenação de alguns homens que o praticam também é uma prova a Evódio de que o adultério é um mal. Agostinho alega que a condenação em si não afirma que algo seja mal, pois muitos foram condenados pelo fato de crerem em Cristo. A concupiscência ou a  paixão é a razão pela qual o adultério é um mal. A expressão latina é: Scisne, etiam istam libidinem alii nomine cupiditatem vocari?<a style="mso-endnote-id:edn10" href="#_edn10" name="_ednref10" title>&#038;sup10;</a>  A paixão ou concupiscência é para Agostinho a origem do mal moral. Desta maneira responde a pergunta: Unde mala falaciamus?, ou seja, “De onde vem que pratiquemos o mal”?<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para demonstrar o que falamos acima, o exemplo dado é de um homem que mata outro por medo. Todos nós desejamos viver uma vida sem medo e assim fazendo não há indícios de mau desejo, pois bem, há homicídios que não são movidos pela paixão e por isso não podem ser tidos como pecado, diz o bispo de Hipona. Talvez o melhor exemplo em nossos dias seja a pratica de homicídio por legítima defesa de si ou de terceiros. A lei não puniria tal homem. Paradoxalmente Evódio é interpelado sobre um escravo que por medo mata seu senhor. A lei o absolveria?, pergunta Agostinho. A resposta é negativa. A lei então não serve como parâmetro último na definição do que é pecado ou mal. Mas, e se esse escravo mata seu senhor, movido pela paixão, para poder única e exclusivamente satisfazer suas concupiscências? Não seria pecado? Não seria um mal. Certamente que sim , responde Evódio.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao falar da lei, vê-se o platonismo presente em Agostinho, que aliás o acompanhou durante toda sua vida. Para ele a lei temporal, a que rege a sociedade, provém da lei divina, eterna. Agostinho explora tal conceito na ideia das duas espadas, uma temporal e outra eterna, divina.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Em resumo, podemos entender do seguinte modo as idéias acima: (1) O mal existe pelo fato da paixão dominar a razão; (2) Há atos maus que são cometidos sem paixão condenável; (3) Há paixões que são toleradas pela lei civil e assim não parecem ser pecado.</p>
<p><strong>2.4 – RAZÃO: SUPREMACIA DA ALMA HUMANA</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Agostinho o homem é o único que possui razão. O fato de animais mais fortes em força e tamanho não poderem dominar o homem demonstra que falta-lhes  algo na alma: a razão. Não obstante falta-lhes a capacidade de se saber que vive, ou seja, animal algum, a não ser o homem sabe que é um ser vivo. Sábio, para Agostinho, é aquele que a razão domina. Insensatos são homens que possuem razão mas não vivem submissos a ela. Insensatez é o fato de deixar a razão ser dominada pela paixão, segundo nosso autor. O único responsável pelo fato da razão ser dominada pela concupiscência é o livre arbítrio. Assim a firma Agostinho “&#8230;não há nenhuma outra realidade que torne a mente cúmplice da paixão a não ser a própria vontade e o livre-arbítrio”<a style="mso-endnote-id:edn11" href="#_edn11" name="_ednref11" title>&sup11;</a>  (Agostinho, 1985, p. 52).</p>
<p><strong>III – O AUXÍLIO DA GRAÇA</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agostinho desenvolve um pensar desconhecido para os gregos. A voluntas – vontade &#8211;  tem um lugar especial na questão da moral humana. Para os gregos a vontade é característica própria da razão. Em Agostinho há uma progressão de tal pensamento, ou seja, a vontade está ligada a liberdade. Ainda que a razão conheça o bem este pode ser rejeitado pela vontade pois é autônoma. </p>
<p><strong>3.1 – A NECESSIDADE DA GRAÇA</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O bispo de Hipona entende que originalmente o homem foi dotado pela livre vontade mas a perdeu a escolher o mal. O arbítrio foi maculado, deturpado e tendencioso para pecar. Há a necessidade da graça divina. Ao tentar fazer o bem por suas próprias forças o homem acaba vencido pelo pecado. Calvino, o exegeta da Reforma Protestante do século XVI  cita um sermão de Agostinho em que o bispo de Hipona declara que: “&#8230;o homem, quando foi criado, recebeu grandes poderes de livre arbítrio, contudo, em pecando, [os] perdeu”<a style="mso-endnote-id:edn12" href="#_edn12" name="_ednref12" title>&sup12;</a>  (Calvino, 1995, II, 2,8). João Calvino, o Exegeta da Reforma faz eco com Agostinho, ao escrever: “&#8230;a vontade, porque é inseparável da natureza do homem , não pereceu, mas foi cingida de desejos depravados, de sorte que a nada reto possa propender” (Ibid., II, 12).<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ao se afastar de Deus o homem não consegue se tornar bom  por sua própria vontade. Necessita da graça divina para praticar o bem: “Mas é verdade que o homem que cai por si mesmo não pode igualmente se reerguer por si mesmo, tão espontaneamente” (Agostinho,1995, II, 20.54). Se o homem fosse bom, diz Agostinho:</p>
<blockquote><p>&#8230;agiria de outra forma. Agora, porém, porque está neste estado, ele não é bom nem possui o poder de se tornar bom. Seja porque não vê em que estado deve se colocar, seja porque, embora o vendo, não tem força de se alçar a esse estado melhor, no qual sabe que teria o dever de se pôr (&#8230;) Nada de espantoso, aliás, se o homem, em consequencia da ignorância, não goze do livre-arbítrio de sua vontade na escolha do bem que deve praticar (Ibid., III, 18, 51).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Desta forma o homem está privado de sua liberdade para a prática do bem a não ser que receba ajuda divina através da graça. </p>
<p><strong>3.2 – RETRACTATIONES</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando Agostinho escreveu o Livre Arbítrio, as idéias de Pelágio ainda não tinham sido propagadas. Somente a partir do ano 409 d.C., tais idéias se espalhariam. Percebe-se nesta obra uma semelhança do pensamento de ambos. Pelágio inclusive cita muitas passagens de Agostinho tentando usar o pensamento dele para provar suas teses.O objetivo maior do De libero arbitrio foi combater o maniqueísmo nas afirmações de que a origem do mal não estava na livre vontade humana e por conseguinte o autor do pecado seria Deus. Por isso há uma maior preocupação de Agostinho na defesa do livre arbítrio. Alguns anos depois discorreu sobre o tema graça quando do surgimento do <a style="mso-endnote-id:edn13" href="#_edn13" name="_ednref13" title>&sup13;</a> pelagianismo . Seria então uma nova batalha. Na fase do De libero arbitrio, Agostinho não decifra muito bem porque o homem não desfruta de uma liberdade plena. Entende que o mal moral na vida humana tem sua força em aspectos psicológicos, ou seja é pelo hábito que o homem peca.<br />
Na última obra de Agostinho, as Retratações, o bispo revisa e amplia suas posições. Portanto, Agostinho revê suas posições sobre o livre arbítrio, não refutando-o mas aprofundando diante das investidas de Pelágio. </p>
<p><strong>CONCLUSÃO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A liberdade humana é para Agostinho uma das dádivas de Deus ao homem, criado a sua imagem e semelhança (Imago Dei). A responsabilidade humana está implícita no estudo do livre arbítrio. Como um ser autônomo em suas ações, o homem reflete o caráter do Criador. De certa maneira a intervenção divina é barrada pelo uso do livre arbítrio, não por imposição, mas por escolha do próprio Deus, pois de outra maneira estaria interferindo contraditoriamente em algo que ele mesmo criou.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O determinismo ensinado pelos maniqueus e a existência do mal ontológico não resistem diante dos argumentos de Agostinho. Perigoso é pensar que toda ação humana é determinada por algo exterior a ele, isentando-o de responsabilidades. Neste e em outros aspectos Agostinho contribuí muito para a antropologia.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ainda que limitado no uso de sua liberdade e necessitando da Graça para fazer o bem, o que não acontece com o mal, o ser humano, em Agostinho tem condições de construir sua história, de poder escolher o que quer e consequentemente de ser responsabilizado por toda e qualquer ação que venha a praticar.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Segundo Período de Filosofia<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<a style="mso-endnote-id:edn1" href="#_ednref1" name="_edn1" title>[1]</a> <em>Sua mãe, de nome Mônica, é considerada Santa pela Igreja Católica. Do ponto de vista religioso a conversão de Agostinho ao Cristianismo deve-se à assídua oração de Mônica a Deus pedindo que seu filho se convertesse. Para saber a respeito de Mônica e de sua importância na conversão de Agostinho pesquisar AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 1996. p. 94-96/145-147/239-253.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn2" href="#_ednref2" name="_edn2" title>[2]</a> <em>Doutrina na qual Agostinho participara antes de se converter ao Cristianismo. Essa doutrina tem como verdade que o mundo é dividido e regido por dois princípios: o Bem e o Mal. Foi elaborada a partir da junção de três doutrinas: o zoroastro, o budismo, e o cristianismo. E seu fundador foi Mani. (cf. ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2000. p. 641).</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn3" href="#_ednref3" name="_edn3" title>[3]</a> <em>Os maniqueus rejeitavam o trabalho no campo por acreditarem que as plantas possuem uma vida sensitiva e por isso participavam da substância divina. Todo universo seria então, salpicado de partículas de substâncias divinas, misturadas as coisas. Agostinho acreditava, por exemplo, que do leite dos figos saíam anjos libertados pelos dentes dos eleitos que os comiam. </em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn4" href="#_ednref4" name="_edn4" title>[4]</a> <em>O maniqueísmo afirmava a existência de duas divindades supremas, ou seja de igual poder e que presidam o universo: o princípio do Bem e do Mal. Como conseqüência moral o homem teria duas almas. Cada uma governada por um desses dois princípios. Assim, o mal é metafísico e ontológico. A submissão ao mal não é responsabilidade do homem: isto lhe é imposto.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn5" href="#_ednref5" name="_edn5" title>[5]</a> <em>Em A Cidade de Deus Agostinho pergunta: “Peccatum, unde uenis?” (“Pecado, de onde vens?” &#8211; Mal, liberdade e futuro no De Civitate Dei, de Agostinho).</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn6" href="#_ednref6" name="_edn6" title>[6]</a> <em>Pelágio era um monge da Grã Bretanha. Ensinava que todo homem começa sua vida da mesma maneira que Adão no paraíso. Para ele o pecado original não existe e o ato de pecar é algo distinto da natureza humana. Desta forma a perfeição é possível. Afirmava também que a morte física não é castigo pelo pecado e sim um fenômeno natural. Agostinho considerava o homem como morto espiritualmente e Pelágio como são. O pelagianismo foi condenado, graças a Agostinho no Sínodo de Cartago em 418 d.C.(cf. SMITH,S. Willian. Do Pentecoste ao Renascimento: A história da igreja.vol 1. MG: Ceibel.1984, p. 151-168).</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn7" href="#_ednref7" name="_edn7" title>[7]</a> <em>Evangelho segundo Lucas capítulo 15,11-32.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn8" href="#_ednref8" name="_edn8" title>[8]</a> <em>O ato livre nesta obra visa os maniqueus. Fazia pouco tempo em que Agostinho tinha se desligado do grupo. Para eles a responsabilidade humana era uma ilusão, pois o coração humano era habitado por elementos luminosos e tenebrosos. Todo mal praticado não é de responsabilidade humana, pois é o princípio do mal, cativo em nós que o pratica.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn9" href="#_ednref9" name="_edn9" title>[9]</a> <em>Naquela época esses três desvios de conduta eram os mais condenados pela Igreja.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn10" href="#_ednref10" name="_edn10" title>[10]</a> <em>“Sabes que essa paixão é também denominada concupiscência”.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn11" href="#_ednref11" name="_edn11" title>[11]</a> <em>Para Agostinho não há nada que possa forçar a vontade humana a se submeter às paixões. Tentação, sedução, atos violentos não podem violentar de forma irresistível o homem. Liberdade é um ato soberano capaz da produção de nossos próprios atos, daquilo que produzimos. O fato da mente ser dominada pela paixão é um castigo para ela.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn12" href="#_ednref12" name="_edn12" title>[12]</a> <em>O tradutor das Institutas de Calvino para a língua portuguesa, nas notas do volume dois, capítulo II remete-nos a: “SERMÕES, no CXXXI, cap.VI,secção 6 (PLM, vol.XXXVIII, p.732).” (Calvino,1995, II, p. 314).</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn13" href="#_ednref13" name="_edn13" title>[13]</a> <em>Na introdução de De gratia et libero arbitrio, os editores fazem uma contextualização da obra: “Após a condenação do pelagianismo pelos concílios da África e pelo papa Zózimo, em 418, persistiram algumas dúvidas a respeito da gratuidade da graça, da predestinação e da perseverança, questões que dariam origem ao semipelagianismo. Essa nova turbulência levou Agostinho a escrever uma carta ao presbítero romano Xisto, o futuro papa Xisto III, sobre as conseqüências teológicas das afirmações dos neopelagianos, e reafirmando sua doutrina sobre a predestinação gratuita à graça e refutando a doutrina dos semipelagianos sobre os possíveis méritos do homem” (Agostinho,1999, p.7).</em></p>
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>AGOSTINHO. A Graça.Tradução de Agustinho Belmonte. SP: Paulus, 1999, v.2.<br />
______. Confissões.10. ed. Tradução de Maria Luiza Jardim Amarante.SP: Paulus, 1984.<br />
______. O Livre-Arbítrio.Tradução de Nair de Assis Oliveira. SP: Paulus, 1995.<br />
CALVINO, João. As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. 2. ed.Tradução de Waldyr Carvalho Luz, SP: Casa Editora Presbiteriana, 1995.v.2.<br />
MORESCHINI, Claudio.História da Filosofia Patrística. Tradução de Orlando Soares Moreira.SP: Loyola, 2008.<br />
REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia: patrística e escolástica. v.2. Tradução de Ivo Stomiolo. SP: Paulus, 2003.<br />
SMITH,S. Willian. Do Pentecoste ao Renascimento: A história da igreja.v.2.MG: Ceibel.1984</p>
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		<title>Justino, Filosofia e o Logos</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 04:01:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardo Rafael de Carvalho Pereira]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Justino, chamado mártir nasceu em Nablus, antiga Siquém na Samaria no início do segundo século. Filho de pais gentios, isto é, estrangeiros aos judeus, sofre seu martírio entre os anos 163 e 167 da era cristã. Justino elabora uma idéia original ao afirmar sobre a participação humana no Logos. Faz uso de uma expressão estóica:(logos <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=541" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Justino, chamado mártir nasceu em Nablus, antiga Siquém na Samaria no início do segundo século. Filho de pais gentios, isto é, estrangeiros aos judeus, sofre seu martírio entre os anos 163 e 167 da era cristã. Justino elabora uma idéia original ao afirmar sobre a participação humana no Logos. Faz uso de uma expressão estóica:(logos semeador). Para Justino, Cristo (o Logos) de certa maneira está presente na constituição humana. Afirma que esta semente está presente em todos os homens e de maneira mais visível naqueles que se empenharam por viver a verdade e uma vida reta (moral) mesmo antes da encarnação do verbo.<br />
<span id="more-541"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Os antigos filósofos experimentaram do Logos e são chamados por Justino de irmãos. As Escrituras, particularmente no evangelho de João, diz: &#8220;A vida estava nele e a vida era a luz dos homens&#8221; Jo 1.4. A expressão luz no original é phos, significando aquilo ou aquele que capacita os homens a reconhecerem a ação de Deus no mundo.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A caminhada de Justino é algo surpreendente. Convive um bom tempo com filósofos estóicos e desiludido passa a buscar respostas com os chamados peripatéticos (platônicos). Acha interessante, mas ao ser cobrado por um desses mestres (queria um salário para ensiná-lo) o abandona. Passa então a viver ao lado de um pitagórico (seguidor de Pitágoras) que muito se orgulha de seu saber, mas desta vez Justino se decepciona ao ser informado que para chegar à verdade deveria estudar matemática, música e geometria, matérias basilares para se alcançar o verdadeiro conhecimento. Sua admiração pelos pitagóricos então desaparece. Certo dia acontece o inusitado na vida do primeiro filósofo cristão: encontra com um desconhecido que o leva a conversão. O ancião anônimo o remete às Escrituras Sagradas, interrogando-o sobre várias questões de cunho filosófico, Justino se vê sem respostas e cai em contradição. Descobre a maravilhosa graça não desprovida de razão. A fé e a razão podem andar de mãos dadas. Esta talvez é uma das maiores contribuições de Justino: a verdade do evangelho não despreza o conhecimento humano, mas amplia-o sobremaneira e encontra sua plenitude na pessoa de Cristo, o Logos há tanto especulado, o Verbo há muito objeto de investigação.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A influência de tal pensamento perpassa a idade média, renascença, iluminismo e chega a Reforma Protestante do século XVI. João Calvino, o exegeta da Reforma em seu magnum opus &#8220;As Institutas ou Tratado da Religião Cristã&#8221;, escrita em 1535 e reeditada até sua definição em 1559 escreve: &#8220;existe na mente humana, e, na verdade, por natural disposição, certo senso da divindade, damos como além de controvérsia&#8221; (CALVINO, 1985, p.59). Todos são nascidos dispostos para conhecerem a Deus, segundo Calvino. Esmiuçando esta questão cita três filósofos: </p>
<blockquote><p>&#8220;Isto nem aos próprios filósofos foi desconhecido. Ora, não é outra [cousa o] que Platão quis [dizer], por isso que, amiúde, ensinou que o sumo bem da alma é semelhante com Deus, quando, aprendido o conhecimento dEle, toda nEle se transforma. Daí, muito a propósito, nos escritos de Plutarco, arrazoa também Grilo, quando afirma que os homens, uma vez lhes seja ausente da vida a religião, não só em nada mais dignos de lástima, porquanto, sujeitos a tantas espécies de males, levam, de contínuo, uma vida tumultuária e desassossegada&#8221; (CALVINO, p. 62).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Daí afirma o Reformador, com fundamentos, a real impossibilidade de ateísmo. Calvino era de fato um intelectual. Foi durante algum tempo um humanista. Conhecia a Filosofia.  Em 1532 é editado um ensaio seu sobre Sêneca, filósofo romano contemporâneo do apóstolo Paulo, intitulado De Clementia (4 de abril de 1532).<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Calvino, toda a verdade vem de Deus, não importando quem a diga: &#8220;&#8230;visto que toda verdade procede de Deus, se algum ímpio disser algo verdadeiro, não devemos rejeitá-lo, porquanto o mesmo procede de Deus&#8230;&#8221; (CALVINO, 1998, p. 318).</p>
<blockquote><p>Herminstein Maia Pereira da Costa, teólogo presbiteriano ao escrever sobre cristianismo e cultura clássica ressalta:<br />
&#8220;Nesse período (Renascimento), passou a haver uma compreensão predominante de que existia uma identidade quase essencial entre a filosofia e a religião e, nesse sentido, o &#8220;Verbo Encarnado&#8221; dos evangelhos seria a mesma razão (Logos) que governa o pensamento dos filósofos gregos, principalmente a filosofia de Heráclito (c.540-c. 480AC). Há então, uma compreensão de que é possível estabelecer uma harmonia entre a filosofia e a teologia dos Pais da Igreja&#8230; Na verdade não existe contradição entre eles&#8221; (COSTA, 1999, p. 166).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Interessante aspecto sócio-religioso está presente desde as origens: nenhum povo, etnia, por mais isolado e talvez menos desenvolvidos aos nossos olhos, deixam de ter sua relação com o divino. Somos homo-religiosus.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Logos semeador certamente é assunto extenso, discutido no decorrer da história e que certamente tem suas implicações no século XXI. Podemos perguntar: é a religião meramente humana? De onde vem a predisposição do homem para a transcendência? A antropologia registra comunidades intrinsecamente atéias? O desprezo pela por parte de religiosos em relação à filosofia tem a ver com a negação do Logos semeador?  A essência e proposta da religião cristã, tirada suas distorções e exageros no decorrer dos séculos é válida para o homem do século XXI?  Como trabalharmos com assuntos tão dissecados por muitos pensadores, mas que sobrevivem até hoje?</p>
<p><b>REFERÊNCIAS</b></p>
<p>CALVINO, João. <b>As Institutas: ou tratado da Religião Cristã</b>. SP: Casa Editora Presbiteriana, V1, 1985.</p>
<p>______.<b>As Pastorais</b>.SP: Parácletos.1998.</p>
<p>COSTA, Herminstein Maia. Pereira da. João Calvino: <b>O Humanista subordinado ao Deus da Palavra</b>. In: Fides Reformata. São Paulo: Centro Presbiteriano de Pós Graduação Andrew Jumper, 4/2,1999.</p>
<p>PHILOTHEUS, B.; GILSON, Etienne. <b>História da Filosofia Cristã</b>. Petrópolis: Vozes. 2004. </p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Segundo Período de Filosofia</p>
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		<title>Revisando o Julgamento de Sócrates</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Jul 2009 01:12:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bernardo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Facapa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;A busca pelo princípio constitutivo de todas as coisas ocuparam a mente dos primeiros filósofos. O chamado arché panton foi objeto das mentes brilhantes dos pré-socrásticos, iniciando com Tales de Mileto. Tales dizia ser a água o arché panton. Anaximenes o Ar e Anaximandro um princípio informe e infinito, chamado de ápeiron. Durante os próximos <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=519" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A busca pelo princípio constitutivo de todas as coisas ocuparam a mente dos primeiros filósofos. O chamado arché panton foi objeto das mentes brilhantes dos pré-socrásticos, iniciando com Tales de Mileto. Tales dizia ser a água o arché panton. Anaximenes o Ar e Anaximandro um princípio informe e infinito, chamado de ápeiron. Durante os próximos cento e cinquenta anos, os filósofos tatearam neste nevoeiro até o surgimento de Heráclito, que deu uma nova conotação para o universo visível.<br />
<span id="more-519"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Várias concepções surgiram na sequencia: a existência de um único princípio unificador, a existência do átomo por Demócrito, a matemática de Pitágoras e seus seguidores. Á partir de 450 a.C. A atenção passa do universo para o homem. Seria uma inutilidade querer saber o arché panton se não se sabia nem mesmo a natureza humana. Os sofista contribuíram para o avanço dessas idéias. Protágoras defendia que a verdade, seja ela qual for, é subjetiva. Pode existir uma verdade para cada pessoa. Ésquines ao dizer aos atenienses que eles haviam matado Sócrates, o chama de sofista. É bem verdade que Sócrates não limitou seu ensino a um número restrito de seguidores, além de ensinar de graça, ao contrário dos sofistas. A grande diferença estava no fato de que Sócrates entendia perfeitamente que não era mais sábio do que seus contemporâneos. Ele tinha certeza de que nada sabia, ou seja, continuava sempre numa busca incessante pela sabedoria, enquanto seus compatriotas tinham a certeza de que muito sabiam.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Com essa postura, Sócrates avançou muito mais do que seus contemporâneos. Percebeu que as idéias morais de sua época eram confusas e contraditórias. Para Sócrates tudo o que é imperfeito é irreal, a realidade só se encontra na perfeição. Daí pode-se entender o desenvolvimento do hiper-urânio por Platão mais tarde. Surge então a dialética de Sócrates. A dialética evoluiu para o chamado elênchos. Método implacável de perguntas que fazia com que o interlocutor declarasse que seus argumentos e conclusões eram falhos. A chamada maiêutica (obstetrícia) socrática tinha seu lado positivo. As idéias nasciam com um conceito mais puro pelo mesmo processo de perguntas e respostas. Mesmo assim, Sócrates dizia que todo conhecimento é como um olhar pela janela sem poder entrar na casa.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É na vida moral, porém  que Sócrates deixa seu legado à filosofia. Para ele as ações más ou estúpidas dos homens devem-se a ignorância. Uma vez alcançada a sabedoria os homens obrigatoriamente viveriam de maneira mais digna. O que mais impressiona na vida de Sócrates é sua coerência. Ele viveu o que pregou. Não fugiu de sua morte ao ter oportunidades. Tal fuga seria clandestina, pelo suborno dos guardas, e burlando as leis que ele tanto venerava. O cínismo (no sentido moderno da palavra) está presente até mesmo em sua defesa ao provocar os juízes e jurados dizendo que deveria ser sustentado até os fim de seus dias pelo Estado ateniense.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando fala-se do julgamento de Sócrates, pela distância de tempo em que nos encontramos dele, parece ser fácil emitir um juízo condenatório à aqueles que o forçaram a beber cicuta. Pode-se perguntar: quantos atenienses viam Sócrates com nosso olhos? Até mesmo a justiça ateniense era capaz de barbaridades. O julgamento de Sócrates tem aspectos importantes a serem analisados. Primeiro: não houve precipitação. Todos os trâmites legais foram guardados. Em nenhuma época posterior seu julgamento foi anulado ou refeito, como por exemplo foi o caso de Joana D&#8217;Arc. Seus acusadores não eram pessoas vulgares na sociedade, foram homens de renome. Platão cita Anito, um democrata que tivera um bom relacionamento com Sócrates e era um bom representante político. Sobre as acusações parece-nos que foram levianas e irrelevantes, porém eram previstas em lei. Diópites, em 431 a.C. fez com que uma lei de sua autoria fosse aprovada, segundo a qual todos os que não acreditassem nos deuses ou ensinassem doutrinas das coisas do espaço deveriam ser condenados. Essas são palavras citadas no início de sua acusação e refutada por Sócrates em sua defesa. Legalmente não houve desvio ou arbitrariedade. Dentro das circunstancias em que se processou o julgamento de Sócrates foi justo. Justo aqui significa legalidade e fundamentação das leis.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates foi julgado por júri de 500 pessoas, escolhidas entre as seis mil que eram indicadas anualmente. Destes, 280 foram contra e 220 a favor, o que mostra um equilíbrio nas opiniões. Sócrates era bem conhecido de todos. O conheciam pelas batalhas enquanto soldado, talvez pelas piadas a seu respeito e de Xantipa e até mesmo o tinha ouvido na Assembléia. Sócrates nunca pensou em ser famoso e sua famosa ironia certamente lhe fez muitos inimigos por não compreenderem seus objetivos. Fato muito importante é que seus acusadores não queriam sua morte. Esperavam que voluntariamente escolhesse o exílio, o que de fato não fez. Uma coisa é certa: a sentença de morte não foi merecida mas, foi provocada por Sócrates.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Seu julgamento se deu quatro anos depois da guerra de Atenas contra o Peloponeso, onde Atenas foi derrotada. Sócrates criticou severamente a democracia ateniense e o sistema religioso. Pesava-lhe também o fato de alguns dizerem que seus ex-discípulos haviam traído os atenienses. Sócrates corajosamente exaltou a virtude dos espartanos. Isso certamente enfureceu muitos dos seus contemporâneos. O povo estava cansado das derrotas ainda recentes e não teve disposição para analisar com mais profundidade a pessoa e obra do filósofo. Um de seus acusadores usa justamente o fato de, supostamente, seus ex-alunos serem causadores de enormes problemas a sociedade ateniense. Entre eles estão Terâmenes e Alcebíades. Cita também o fato de Sócrates ridicularizar cidadãos idosos e  respeitados pela sua posição social tendo como público os jovens atenienses que não economizavam gargalhadas. O respeito dos jovens pelos mais velhos estava desaparecendo e isto era causado por Sócrates. Assim, apesar de sua vida moral correta, foi tido como um perigo  ambulante.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mesmo com o discurso de defesa, onde se mostrou que Sócrates desempenhava suas funções religiosas publicamente, respeitava os deuses, apesar de dizer que havia uma entidade que lhe sussurrava ao ouvido, o que parecia então a criação de um novo deus, Sócrates foi condenado. O mesmo júri que foi ao seu favor diz  que nos teatros os deuses eram ridicularizados, chamados de mentirosos e nenhum processo havia contra os que assim faziam. Aristófanes, diz tal júri, em suas obras descreve  Hércules, Dionísio e Plutão como verdadeiros palhaços e nada foi feito em relação. Como pode Sócrates ter desprezo pelos deuses uma vez que confiou nas palavras do Oráculo de Delfos e foi em busca daquilo que tinha ouvido? Por último, o jurado  diz que pelo fato dos jovens rirem das situações causadas pelo filósofo, isto não pode ser visto como corrupção dos mesmos. Como poderia ser corrupto um homem que ousou não fugir, demonstrando assim tamanho patriotismo? Esse fato histórico e triste deixá-nos algumas reflexões: (1) a incapacidade história momentânea que o homem tem de se avaliar e avaliar o que acontece ao seu redor; (2) ainda que legalmente correto há de se tomar cuidado para não exercer um parecer motivado pela emoção ou por questões particulares; (3) a facilidade de se afastar o problema (no caso Sócrates) invés de aspirar-se mudanças comportamentais. Parece-nos que na maioria das vezes grandes vultos da história são incompreendidos vindo a pagar caro por suas idéias. </p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Bernardo Rafael de Carvalho Pereira</b></span><br />
Primeiro Período de Filosofia</p>
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