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	<title>Filosofante &#187; Nigel Warburton</title>
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		<title>Hume e a origem das ideias</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Dec 2008 21:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
				<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Hume]]></category>
		<category><![CDATA[Nigel Warburton]]></category>
		<category><![CDATA[origem das ideias]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Hume utiliza o termo &#8220;percepção&#8221; para referir quaisquer conteúdos da experiência (…). As percepções ocorrem quando o indivíduo observa, sente, recorda, imagina, e assim por diante, sendo que o uso atual da palavra cobre um leque muito menos vasto de atividades mentais. Para Hume, existem dois tipos básicos de percepções: impressões e idéias.
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;As impressões constituem <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=414" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hume utiliza o termo &#8220;percepção&#8221; para referir quaisquer conteúdos da experiência (…). As percepções ocorrem quando o indivíduo observa, sente, recorda, imagina, e assim por diante, sendo que o uso atual da palavra cobre um leque muito menos vasto de atividades mentais. Para Hume, existem dois tipos básicos de percepções: impressões e idéias.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As impressões constituem as experiências obtidas quando o indi­víduo observa, sente, ama, odeia, deseja ou tem vontade de algo. Hume descreve este tipo de percepções como sendo mais &#8220;vívido&#8221; do que as idéias, termo com que o filósofo parece querer afirmar que as impres­sões são mais claras e mais pormenorizadas do que as idéias. As idéias, por sua vez, são cópias das impressões. Trata-se dos objetos do pen­samento humano quando os indivíduos recordam a sua experiência ou exercitam a sua imaginação.<br />
<span id="more-414"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim sendo, neste preciso momento, por exemplo, tenho uma impressão da minha caneta a movimentar-se pela página e de ouvir alguém a virar as páginas de um livro, atrás de mim, na biblioteca. Tenho, ainda, uma impressão da textura do papel a tocar na minha mão. Estas experiências sensoriais são vívidas, visto que seria difícil conven­cer-me de que me encontro apenas a recordar experiências passadas ou a sonhar. Mais tarde, enquanto estiver a escrever estas linhas no meu computador, lembrar-me-ei, sem dúvida, deste momento e recordarei as minhas impressões. Nessa altura, estarei a ter idéias e não impres­sões, idéias que não serão marcadas pela mesma vividez (ou &#8220;vivaci­dade&#8221;, para usar a terminologia de Hume) que caracteriza as impres­sões sensoriais que estou a sentir neste momento e das quais as idéias serão cópias.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hume reformula a asserção de Locke de que não existem idéias inatas, sob a forma todas as idéias humanas são cópias de impres­sões. Por outras palavras, é impossível aos seres humanos ter uma idéia de algo que não tenha primeiro experimentado enquanto impressão.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como lidaria, então, Hume com a capacidade de um indivíduo de imaginar uma montanha dourada embora nunca tenha visto uma e, logo, nunca tenha tido a impressão de uma? A resposta do filósofo baseia-se numa distinção entre idéias simples e complexas. As idéias simples derivam de impressões simples. Trata-se de idéias de coisas como a cor e a forma, idéias que não podem ser divididas em partes mais pequenas. As idéias complexas são combinações de idéias sim­ples. Deste modo, aquela idéia de uma montanha dourada nada mais é do que uma idéia complexa composta pelas idéias mais simples de &#8220;montanha&#8221; e de &#8220;dourado&#8221;. E estas idéias simples derivam, em últi­ma análise, da experiência tida pelo indivíduo de montanhas e de objetos dourados.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A comprovação da crença de que todas as idéias humanas derivam de impressões anteriores é constituída pela proposta de que qualquer destas idéias pode, por meio da reflexão, ser decomposta em partes que a enformam, que, como se poderá depois confirmar, resultam das impressões. Mais corroboração para esta explicação resulta da obser­vação de que um homem completamente cego de nascença seria inca­paz de imaginar a cor vermelha, uma vez que nunca tinha tido impres­sões visuais dessa cor. Similarmente, e de forma mais controversa, Hume declara que uma pessoa egoísta não seria capaz de formar uma idéia do sentimento de generosidade.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No entanto, embora Hume defenda que o seu aperfeiçoamento da teoria das idéias de Locke poderá explicar a origem de qualquer idéia em particular, o filósofo assinala a existência de uma exceção a este princípio, constituída pelo tom de azul desconhecido. Alguém que tenha observado um vasto leque de tons de azul, pode nunca ter tido a impressão de certo tom em particular. Não obstante, essa pessoa pode formar uma idéia deste tom de azul desconhecido. Segundo a teoria de Hume, tal seria impossível visto esse indivíduo não possuir qualquer impressão simples à qual pudesse corresponder a idéia dessa cor. Contudo, não se revela excessivamente preocupado com este apa­rente contra-exemplo, uma vez que se trata de uma situação demasia­do excepcional para o levar a redefinir os seus princípios básicos em função dela.</p>
<p><span style="color:#006600;">[<strong>Warburton, Nigel</strong> (2001). Grandes livros de filosofia. Lisboa: Edições 70, pp. 98-99.]</span></p>
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