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	<title>Filosofante &#187; Conhecimento</title>
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		<title>O conhecimento sensível</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2008 14:27:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bill</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[História da Filosofia Cristã]]></category>
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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Quando se diz que o mel é doce, não se pretende significar que ele percebe a doçura, mas que causa a sensação de doçura. A sensação, ao invés, é própria à alma: seria um erro misturar qualquer coisa de corpóreo à idéia do conhecimento sensível. A sensação de dor, por exemplo, é aparentemente experimentada pelo <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=137" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Quando se diz que o mel é doce, não se pretende significar que ele percebe a doçura, mas que causa a sensação de doçura. A sensação, ao invés, é própria à alma: seria um erro misturar qualquer coisa de corpóreo à idéia do conhecimento sensível. A sensação de dor, por exemplo, é aparentemente experimentada pelo corpo; na realidade, porém, é a alma que sofre através do corpo.<br />
<span id="more-137"></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Como se deve entender a influência do corpo sobre a alma? Pode um processo corporal atuar sobre a alma e provocar uma sensação? Dir-se-á que a ação do corpo sobre a alma é coisa manifesta; todavia, um exame mais atento da questão parece sugerir a impossibilidade de um tal influxo. Mais ainda: tal influxo parece inteiramente absurdo. Logo, a alma não pode sofrer nenhuma influência da parte do corpo, sob pena de ficar sujeita a ele. Por conseguinte, os números presentes na alma não podem ser produzidos pelo corpo. Donde se segue que, ou o nosso problema é insolúvel, ou a sensação deve ser produzida pela alma.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;É óbvio que a sensação pressupõe certas condições corporais. A sensação como tal, porém, só pode ser produzida pela alma. A união entre corpo e alma não é uma relação de reciprocidade; antes, a união é tal que a alma observa o corpo e, ao mesmo tempo, produz alguma coisa independentemente da influência do corpo. De forma que, toda vez que um processo material provoca uma mudança no corpo, a alma percebe-a de maneira ativa e, percebendo-a, produz uma sensação.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O processo de sensação realiza-se de seguinte maneira: suponhamos que o meu ouvido seja atingido por uma vibração do ar, causando uma modificação no órgão auditivo. A alma logo se volta para esta modificação produzindo a sensação do som, o som ouvido. Este já é de natureza espiritual e pertence à segunda classe de sons, que é superior à primeira. A partir daqui, porém, é mister proceder com muita cautela, pois já chegamos ao terceiro grau e verificamos que a sensação é ato do próprio pensamento. Embora se costume dizer que percebemos um verso com seu respectivo ritmo, este modo de falar não corresponde à realidade. O que ouvimos não é um verso, e nem mesmo uma palavra, mas simples sucessão de sílabas. É pela memória que apreendemos o verso em sua integridade. A sílaba é apenas um som de certa duração e composto de três elementos: o inicial, o médio e o final. Ao declarar que ouço uma sílaba longa não quero dizer senão que no fim da sensação a minha memória continua a recordar-lhe o começo, o que a capacita a compor a sensação. Isto vale até mesmo para a mais breve das sílabas: também ela tem uma duração, ou seja, um começo, um meio e um fim. Ora, é indiscutível que a memória faz parte do pensar puro. Tudo isso nos permite ver, desde já, o grande número de elementos que a alma introduz na sensação, visto que não somente a mede, como até mesmo a produz. Do mesmo modo como os olhos coordenam a multiplicidade dos objetos distribuídos no espaço, reunindo-os num só campo visual e enfeixando-os num só ato de visão, assim a memória – “esta luz dos espaços temporais” – procede à coordenação de toda uma seqüência de momentos que de outro modo se dissipariam. O verso “Deus creator omnium” não poderia existir como sensação independentemente de um espírito. Vê-se, pois, que mesmo no grau mais ínfimo do conhecimento a alma se mostra superior ao corpo.</p>
<p><center><span style="color:#006600;"><b>A interioridade do pensamento</b></span></center></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Suponhamos que um mestre queira explicar aos seus alunos o sentido de um vocábulo designativo de uma coisa sensível, por exemplo, da palavra “saraballae”. Ouvida a explicação, o aluno terá aprendido que “saraballae” significa “coifa”, suposto que saiba o que se deve entender por coifa, ou melhor: o que é uma cabeça e o que é uma coifa. Mas o que é, exatamente, uma coifa? O único meio de explicá-lo a quem não o sabe é mostrar-lhe a coisa designada por esse termo: uma coifa concreta. Não são pois as palavras, mas as próprias experiências sensíveis que nos levam ao conhecimento das coisas. As palavras servem apenas para trazer à lembrança alguma experiência prévia. Suponhamos, ainda, que no intuito de comunicar certo conhecimento ao aluno, o professor lhe proponha uma proposição de sentido bem determinado, e que ele a compreenda. Poder-se-á dizer, nesse caso, que tal saber lhe foi realmente transmitido? É evidente que o aluno deve ter possuído um conhecimento prévio do significado das palavras empregadas; do contrário o sentido da frase lhe ficaria oculto. (&#8230;) O responder não é simples repetição daquilo que lhe foi ditado. Responder é tirar do interior do espírito o que ali se encontre em estado latente, ou, em outras palavras, é reagir positivamente a um estímulo externo. Aquele que responde não sofre nem recebe, mas age e produz.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Donde a conclusão geral e evidente – não obstante a sua formulação paradoxal: nunca aprendemos. Nada se aprende. O que não quer dizer que o ensino seja inútil, mas sim que ele é algo inteiramente diverso do que se costuma supor. Esta conclusão paradoxal significa que aquilo que o corpo não pode dar ao pensamento, o pensamento não pode dá-lo a si mesmo. A experiência pensante é adquirida paralelamente à experiência sensível. Fora da alma há agentes estimuladores ou admoestadores e sinais; a espontaneidade da alma permanece intacta, pois ela se apropria destes sinais e os interpreta: é do seu próprio interior que ela tira a substância do que aparentemente lhe vem de fora.<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center></p>
<p><span style="color:#006600;"><b>Cf. BOEHNER, Philotheus &#038; GILSON, Etienne.</b></span> <br /><b>História da Filosofia Cristã</b>: Petrópolis/RJ: Vozes, 2000, p. 158-162.</p>
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