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	<title>Filosofante &#187; Rogerio</title>
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		<title>Heráclito, Parmênides e Jesus. Ser e/ou Não-ser?</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jun 2011 03:49:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Costuma-se estabelecer, já no começo da história da filosofia, uma grande oposição que dominaria todo seu desenvolvimento futuro: a oposição entre “ser” [de Parmênides] e “vir-a-ser” [de Heráclito]. Apesar dessa grande divergência, podem-se considerar estes dois filósofos como inauguradores da metafísica.
Leia mais, baixo o artigo completo em .pdf, clique aqui!
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Costuma-se estabelecer, já no começo da história da filosofia, uma grande oposição que dominaria todo seu desenvolvimento futuro: a oposição entre “ser” [de Parmênides] e “vir-a-ser” [de Heráclito]. Apesar dessa grande divergência, podem-se considerar estes dois filósofos como inauguradores da metafísica.</p>
<p>Leia mais, baixo o artigo completo em .pdf, <a href="http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/Parmênides_e_Heráclito_e_Jesus.pdf">clique aqui!</a></p>
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		<title>Filosofia Política: A Questão da Justiça de Acordo com “A República” de Platão</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 01:06:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O presente trabalho traz algumas reflexões resumidas sobre a questão da justiça na vida política e social de acordo com os diálogos de Sócrates com os sofistas Polemarco, irmão do famoso orador Lísias, e Trasímaco; e com os irmãos de Platão: Gláucon e Adimanto.

DIÁLOGO ENTRE SÓCRATES E POLEMARCO
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;Sócrates juntamente com Céfalo, pai de Polemarco discutem <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=920" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O presente trabalho traz algumas reflexões resumidas sobre a questão da justiça na vida política e social de acordo com os diálogos de Sócrates com os sofistas Polemarco, irmão do famoso orador Lísias, e Trasímaco; e com os irmãos de Platão: Gláucon e Adimanto.<br />
<span id="more-920"></span></p>
<p><strong>DIÁLOGO ENTRE SÓCRATES E POLEMARCO</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates juntamente com Céfalo, pai de Polemarco discutem a definição de justiça, e o filósofo grego afirma que a justiça não pode ser simplesmente “dizer a verdade a restituir aquilo que se tomou”. Neste instante Polemarco diz que justiça significa exatamente isso, pois se deve dar crédito a Simónides, um poeta lírico grego, que dizia “que é justo restituir a cada um o que se lhe deve”</p>
<p><strong>Primeira tese defendida por Polemarco: <em>“É justo restituir a cada um o que se lhe deve”.</em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esta tese seria atribuída a Simónides, o maior poeta lírico grego. Sócrates responde fazendo uma pergunta a Polemarco: “se uma pessoa estiver privada da razão e nos emprestar uma arma, devemos devolver-lha?” Assim, para Sócrates, houve uma interpretação errada do que disse o poeta, pois a justiça consistiria em restituir a cada um o que lhe CONVÉM, e a isso Simónides chamou de restituir o que é devido.</p>
<p><strong>Segunda tese defendida por Polemarco:<em> “A justiça consiste em amar e fazer bem aos amigos, e odiar e fazer mal aos inimigos”</em>.</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates responde que em primeiro lugar é preciso definir o que significa “amigos”. Para Polemarco amigo é aquele que parece honesto. Então se deveria fazer justiça e amar àqueles que parecem honestos, e odiar a quem aparentaria ser mau. Esta afirmação atribuída a Simónides seria de Periandro (tirano de Corinto), Pérdicas (rei da Macedônia), de Xerxes (rei da Pérsia) ou de Ismênias de Tebas. Porém, dizia Sócrates, “que os homens podem errar em seu juízo sobre os homens; de maneira que lhes pareçam honestos muitos que não o são, e vice-versa”. Assim, os bons seriam inimigos, e os maus, amigos. Desta forma, muitos poderiam prejudicar os amigos, e ajudar os inimigos indeliberadamente. Portanto seria preciso definir melhor o que significa “amigos”, pois para Sócrates amigo é aquele que realmente é honesto e não simplesmente alguém que aparenta sê-lo. E sobre o inimigo a definição seria a mesma.<br />
Então, Sócrates conclui que seria próprio do homem justo fazer mal a qualquer espécie de homem, já que pode se enganar, e Polemarco concorda.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates pergunta a Polemarco se quando se faz mal a cavalos, eles se tornariam melhores ou piores? Ele responde que seriam piores do que antes. Então quanto aos homens, não teria que se dizer o mesmo? Polemarco se convenceu afirmativamente.  Então Sócrates volta a perguntar: “Mas a justiça não é a perfeição dos homens?” Polemarco respondeu que sim. Então os dois concordaram que os bons não podem tornar outrem mau, por meio de sua perfeição, pois a ação do calor não é refrescar, nem a da secura umedecer, mas o contrário. Nem tão pouco a do homem bom fazer o mal. Então o homem justo é bom. Logo, fazer mal não poderia ser a ação de um homem justo, quer seja a um amigo, quer a qualquer outra pessoa. Portanto, afirma Sócrates: “se alguém disser que a justiça consiste em restituir a cada um aquilo que lhe é devido, e com isso quiser significar que o homem justo deve fazer mal aos inimigos, e bem aos amigos, quem assim falar não é sábio, porquanto não disse a verdade. Efetivamente, em caso algum nos pareceu que fosse justo fazer mal a alguém”. Polemarco concordou com esta afirmação, e chegou à conclusão que estava errado em defender sua tese de que “A justiça consiste em amar e fazer bem aos amigos, e odiar e fazer mal aos inimigos”.</p>
<p><strong>DIÁLOGO ENTRE SÓCRATES, TRASÍMACO, GLÁUCON E ADIMANTO</strong></p>
<p><strong>Primeira tese defendida por Trasímaco:<em> “A justiça não é outra coisa, e em toda a parte, senão a conveniência do mais forte. E como os governos têm o poder (sendo os mais fortes) seria justo para eles aquilo que lhes convém, castigando assim aqueles que seriam os injustos, os que violam as leis, os transgressores”</em>.</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates responde que em primeiro lugar é preciso examinar primeiro a questão da conveniência e se os governantes podem cometer erros. Se o governo pode errar na promulgação das leis, e sendo justo que os súditos façam o que os governantes lhes prescrevem (afirmação também defendida por Trasímaco), então os governantes podem, involuntariamente, tomar determinações inconvenientes para eles mesmos. </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates faz uma comparação com a arte da medicina, dizendo que esta não deve procurar a conveniência dela mesma, mas a do corpo; nem a equitação a da equitação, mas a dos cavalos; nem o piloto a do piloto, mas a dos marinheiros, e assim por diante. Então, Trasímaco é levado a concordar que as artes governam e dominam aquele a quem pertencem. Portanto, nenhuma ciência procura ou prescreve o que é vantajoso ao mais forte, mas sim ao mais fraco e ao que é por ela governado, pois nenhum médico, na medida em que é médico, deve procurar ou prescrever o que é vantajoso ao próprio médico, mas sim ao doente, pois é o médico governa os corpos, não aquele que faz dinheiro com eles. Trasímaco concordou com isso. Assim, concluiu Sócrates que nenhum chefe, em qualquer lugar de comando, na medida em que é chefe, deve examinar ou prescrever o que é vantajoso para ele mesmo, mas o que é para seu subordinado, para o qual exerce sua profissão. “O verdadeiro chefe não nasceu para velar pela sua conveniência, mas pela de seus súditos”. </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates também afirma que<em> “os homens de bem não querem governar nem por causa das riquezas, nem das honrarias, porquanto não querem ser apodados de mercenários, exigindo abertamente o salário do seu cargo, nem de ladrões, tirando vantagem de sua posição”.</em></p>
<p><strong>Segunda tese defendida por Trasímaco:<em> “Em toda parte, o homem justo fica em uma posição de inferioridade em relação ao homem injusto. A injustiça é mais vantajosa que a justiça. Portanto é melhor a vida do injusto do que a do justo”</em>.</strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Trasímaco crê que a justiça é uma sublime ingenuidade, e chama a injustiça de prudência, algo bom, inteligente, forte, belo, colocando-a no grupo da virtude e sabedoria. Assim a justiça ficaria no grupo contrário.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Trasímaco a pessoa justa não quer exceder o seu semelhante, mas o seu oposto; ao passo que o injusto quer exceder tanto o seu semelhante como o seu oposto. Então, seguindo o raciocínio de Trasímaco, na relação entre o músico (o sábio na arte da música) e o não músico (o ignorante na arte da música), seria correto e coerente ao músico ultrapassar somente ao não músico, e nunca seu colega, que tem os mesmos conhecimentos que ele. O mesmo ocorreria com o médico, que poderia ser superior (em termos de medicina) somente a um não médico. Seguindo este raciocínio, não seria coerente a um não médico (ignorante na arte da medicina) querer ultrapassar um médico (sábio na arte da medicina) nesses conhecimentos. Como ambos concordaram com esta afirmação, fica claro que o justo deveria se revelar como bom e sábio, e o injusto como ignorante e mau, e não foi isso que Trasímaco afirmou. Assim, através da maiêutica, Trasímaco se viu obrigado a concordar que estava errado, pois se insistisse em sua tese, cairia em contradição com que havia falado anteriormente. Portanto Sócrates afirma que ambos concordam que “justiça é virtude e sabedoria, e injustiça maldade e ignorância”.</p>
<p><strong>Terceira tese defendida por Trasímaco:<em> “A injustiça é mais poderosa, mais forte do que a justiça”.</em></strong><br />
<strong><br />
Tese defendida por Gláucon: <em>“Todos praticam a justiça contra a vontade, mas não como coisa boa, pois a vida do injusto seria melhor do que a do justo”</em>.<br />
</strong><br />
<strong>Tese defendida por Adimanto: <em>“Os pais recomendam aos filhos, bem como todos aqueles que têm alguém a seu cargo, a necessidade de ser justo, apenas para receber honras e vantagens. Felizes são os maus se forem ricos ou possuidores de outras formas de poder, e forem honrados em público e particular. Os próprios deuses atribuíram a muitos homens de bem infelicidades e uma vida desgraçada, e aos maus o contrário.”</em></strong></p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates e Trasímaco concordam que a injustiça parece ter uma força tal, em qualquer entidade em que se origine – quer seja um estado qualquer, nação, exército ou qualquer outra coisa – que, em primeiro lugar, incapacita-a de atuar de acordo consigo mesma, devido às dissensões e discordâncias; e, além disso, tornam-se inimigas de si mesma e de todos os que lhe são contrários (mesmo dentro do grupo de injustos) e que são justos. Assim, se existir num só indivíduo, produzirá segundo julga o filósofo, os mesmos efeitos que por natureza opera. Em primeiro lugar, torná-lo-ia incapaz de atuar, por suscitar a revolta e a discórdia em si mesmo; seguidamente, fazendo dele inimigo de si mesmo e dos justos. Os justos se mostram mais sábios, melhores e mais capazes de atuar, ao passo que os injustos nem sequer são capazes de atuar em conjunto, pois não se poupariam uns aos outros. </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sócrates diz que os justos têm uma vida melhor e são mais felizes que os injustos. Tudo o que é privado de sua virtude própria não pode desempenhar bem a sua função, pois só existe uma virtude se uma função é bem realizada. Assim, por exemplo, a função dos olhos é ver, e a dos ouvidos é ouvir, pois não é possível ver com outra coisa que não sejam os olhos, e ouvir com outra coisa que não sejam os ouvidos. A função da alma é superintender, governar, deliberar e todos os demais atos da mesma espécie. Assim, quem tem uma alma boa governa e dirige bem, ao passo que tem uma má, faz tudo isso ao contrário. Logo a alma justa e o homem justo viverão bem, e o injusto mal. O homem justo é feliz, e o injusto é desgraçado. Desta forma, o poder e a vantagem só podem estar na justiça e não na injustiça.</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Rogério de Paula e Silva</b></span><br />
Disciplinas isoladas &#8211; Filosofia</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center></p>
<p><strong>REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA</strong></p>
<p>PLATÃO. <strong>A República. Introdução, tradução e notas de Maria Helena da Rocha Pereira.</strong> 11ª. ed., Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2008.</p>
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		<title>Fé Racionalizante e Filosofia Racional Pura</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 00:58:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;O tema “Deus” deixa sua marca em toda a história da humanidade, sendo capaz de despertar nela uma profunda paixão até os dias de hoje. Até mesmo no discurso dos ateus, em particular Nietzsche, que falam sobre a “morte de Deus” existe uma busca pela eternidade, e a questão de “Deus” se levanta com toda <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=918" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O tema “Deus” deixa sua marca em toda a história da humanidade, sendo capaz de despertar nela uma profunda paixão até os dias de hoje. Até mesmo no discurso dos ateus, em particular Nietzsche, que falam sobre a “morte de Deus” existe uma busca pela eternidade, e a questão de “Deus” se levanta com toda a força em nosso meio.<br />
<span id="more-918"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ratzinger (2005, p.80) lembra que existem três formas em que o tema Deus aparece na história: o <strong>monoteísmo</strong> [crença em um só Deus], o <strong>politeísmo</strong> [crença pagã mitológica em muitos deuses] e o <strong>ateísmo</strong> [descrença em Deus], e, portanto, com três de modos de exprimi-las: “Existe um Deus”, “Existem muitos deuses”, “Não existe Deus”. E nestas três formas, que segundo o atual papa Bento XVI, até mesmo no ateísmo e no politeísmo não se nega a unidade do ser em tudo o que existe. </p>
<blockquote><p>O marxismo, a forma mais atuante do ateísmo, chega até mesmo a afirmar terminantemente essa unidade do ser em tudo o que existe ao declarar que todo o ser é matéria; é verdade que, com isso, aquele uno, que é o próprio ser, se distingue como matéria, totalmente da ideia antiga do absoluto que está ligada à ideia de Deus, mas ao mesmo tempo ganha certos traços que ressaltam o seu caráter absoluto, evocando dessa maneira novamente a ideia de Deus (Ratzinger, 2005, p.81).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O problema de Karl Marx foi colocar o absoluto como matéria, despojado de todo e qualquer predicado pessoal, assim, “Deus não estaria atrás dele [do ser humano], como aquele que o precede, e sim à sua frente”, ou seja, o “Deus” marxista seria tudo aquilo que o homem cria pensando em um futuro melhor. É aí que o marxismo se auto-desintegra, sempre quando tenta se impor como filosofia, pois coloca sua confiança na matéria e não na inteligência do Deus-Transcendente, de onde procedem todas as coisas. E quando se trata da origem dos valores, é impossível colocá-la nos entes materiais e também seria inadequado crer que estes conceitos éticos poderiam ter origem na própria razão humana. Pensando assim, o marxismo, quando “cai em si” se vê sem um fundamento, um alicerce moral que pudesse sustentar suas teses. Por causa disso, fracassa como filosofia e como forma de inspiração para regimes políticos socialistas que possam se sustentar com sucesso em nossa sociedade.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Ratzinger (2005, p.80-81), mesmo o politeísmo, também pode se relacionar com o monoteísmo e ateísmo, pois mesmo acreditando em muitos deuses, “está em algum lugar, o ser uno, ou seja, que o ser é, afinal, um só ou, no máximo, o eterno conflito de um antagonismo primordial”.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A grande dificuldade para o politeísmo se sustentar é a sua preferência por uma fé radical desprovida de sólidos argumentos racionais. Assim, fica muito difícil deixar de associar esta forma de enxergar Deus às superstições religiosas. Por causa disso, a mitologia greco-romana pereceu, pois o cristianismo, ao se desenvolver e crescer nestas culturas optou pelo <strong>Deus dos filósofos</strong>. Se os cristãos tivessem optado pelo <strong>Deus da religião</strong> dos politeístas pagãos, o mesmo destino mortal poderia ocorrer com a filosofia cristã.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Foi feita uma opção pela razão contra a mitologia habitual da religião politeísta grega e romana, em favor da verdade da unidade do ser. Porém, para não substituir a idolatria dos deuses pagãos por uma nova idolatria (da razão), a fé cristã conferiu ao Deus dos filósofos um significado totalmente novo, pois ao tirá-lo da esfera acadêmica, transformou-o profundamente:</p>
<blockquote><p>Esse Deus que antes era visto como um ser neutro, como o conceito supremo e conclusivo; esse Deus que é considerado o puro ser e o puro pensamento que gira eternamente num círculo fechado em torno de si mesmo, sem chegar jamais até o ser humano e seu mundo pequeno; esse Deus dos filósofos [que é o Deus de Aristóteles] cuja eternidade e imutabilidade pura exclui de antemão qualquer relação com o mutável e o devir [ser humano]; esse Deus passa a aparecer agora, para a fé, como Deus dos homens, que não é apenas o pensamento do pensar e a matemática eterna do universo, mas também “ágape” e poder do amor criativo (Ratzinger, 2005, p. 107).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;De acordo com Ratzinger (2005, p.108), Deus dos numerosos textos do Antigo Testamento e também dos evangelhos é antropomorfo, pois este Ser Divino, por amor à humanidade, quis encarnar na pessoa de Jesus Cristo para se relacionar pessoalmente conosco: “Ele tem as paixões de um ser humano, Ele se alegra, procura, espera, vai ao encontro. Ele não é a geometria insensível do universo, não é a justiça neutra que paira acima das coisas, insensível ao coração e seus afetos. Esse Deus tem um coração, Ele ama com toda a excentricidade típica de uma pessoa que ama”.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assim, segundo Ratzinger (2005, p. 110), “supomos, portanto, sem nos dar conta disso, que o pensamento puro é maior do que o amor. Mas é justamente nesse ponto que a mensagem do evangelho e a imagem cristã de Deus corrigem a filosofia, ensinando-nos que o amor é mais sublime do que o mero pensamento”.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;As relações entre razão e fé devem ser perfeitamente harmônicas, pois ambas são caminho para um mesmo objeto: Deus. São caminhos diversos, mas atingem a mesma realidade. A primeira de forma indireta mediante o uso da razão que nos foi dada por Deus, e a segunda mediante uma adesão ao conteúdo da fé, que também é um dom de Deus. Por isso, conceber que a razão e fé são contraditórias é o mesmo que dizer que Deus também o é, uma vez que ambas provêm do mesmo Deus. João Paulo II sublinha esta distinção e defende a complementaridade entre ambas, destacando aquele que foi o primeiro a conseguir analisar esta questão, São Justino.” (Veiga, 2009, p.25, 26).<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Citando Nietzsche, Ratzinger (2005, p.79) diz “que todo prazer anseia por eternidade, mas se experimenta como efêmero”, por isso o ser &#8211; humano não se basta a si próprio, e só consegue encontrar-se passando além de si mesmo, movendo-se ao encontro do totalmente outro e infinitamente maior.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nietzsche, que era ateu, admitia o anseio humano pelo eterno, contudo a sua busca era vazia de sentido, pois se baseava na circularidade da própria razão, representada pela consciência que sai de si e volta para si mesmo, ou seja, o eterno está no próprio eu. A sua relação com o absoluto [Deus] só poderia se dar de forma imanente, quer dizer, na relação com o mundo e a própria razão, sem qualquer movimento ascético em direção ao Ser Transcendente.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Segundo Ratzinger (2005, p.79), também buscar no outro não traz a felicidade, “porque todo tu é, no fundo, uma nova desilusão; chega-se, então, ao ponto em que encontro nenhum é capaz de vencer a solidão derradeira: justamente o encontrar e o ter encontrado voltam a remeter o ser humano à sua solidão, suscitando, finalmente, aquele anseio pelo tu absoluto [Deus] que mergulha realmente nas profundezas do próprio eu”.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Portanto, ao trocar a filosofia cristã (baseada em uma fé racional) por um pensamento radicalmente racional, sem a presença da fé, que poderia ser chamado de <strong>filosofia racional pura</strong>, excluir-se-ia a possibilidade de um relacionamento transcendental com Deus.<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Joseph Ratzinger (2005, p.78), diz que “está na hora de parar de ver em Deus aquele tapa-buraco colocado nos limites de nossas possibilidades que só é chamado quando nós mesmos estamos numa situação sem saída”. Para que isso ocorra, os filósofos que não tem fé precisam achar uma solução para um impasse em que eles mesmos se colocaram no que diz respeito à origem dos valores. Segundo Paul Ricouer (p.438), a filosofia está condenada a oscilar entre uma <strong>impossível criação dos valores </strong>[pelo homem] e uma <strong>impossível intuição dos valores</strong> [por Deus]. Ora, se para a <strong>filosofia racional pura</strong> os valores não foram criados pelo homem e nem foram infundidos no intelecto humano pela inteligência divina, de onde eles vieram?</p>
<blockquote><p>“Não se deve misturar tanta água da filosofia no vinho da Sagrada Escritura, que o vinho se transforme em água; seria um péssimo milagre, uma vez que lemos que Cristo transformou a água em vinho e não o contrário” (São Boaventura, apud Nascimento, 2004, p.60).</p>
<p>“Quando, de dois elementos [água e vinho], um passa ao domínio do outro, não se julga que haja mistura, mas sim quando a natureza de ambos se altera. Daí, aqueles que se servem dos ensinamentos filosóficos na sagrada doutrina reconduzindo-os ao acatamento da fé, não misturam água ao vinho, mas transformam a água em vinho”. (São Tomás de Aquino, apud Nascimento, 2004, p.60).</p></blockquote>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Rogério de Paula e Silva</b></span><br />
Disciplinas isoladas &#8211; Filosofia<br />
<center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center></p>
<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>
<p>NASCIMENTO, Carlos Arthur. <strong>O que é filosofia medieval?</strong> São Paulo: Brasiliense, 2004.<br />
RATZINGER, Joseph. <strong>Introdução ao cristianismo. Preleções sobre o símbolo apostólico com um novo ensaio introdutório.</strong> São Paulo: Loyola, 2005.<br />
RICOEUR, Paul. <strong>O conflito das interpretações: Ensaios de hermenêutica.</strong> Porto: Rés, s/d.<br />
VEIGA, Bernardo. <strong>É impossível o diálogo inter-religioso? O pensamento de Bento XVI e a visão de Raimundo Lúlio sobre o diálogo inter-religioso.</strong> São Paulo: Instituto de Filosofia e Ciência “Raimundo Lúlio”, 2009.</p>
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		<title>Nascimento e Morte do Mal</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=892</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 22:41:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[Nascimento e Morte do Mal]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; É famosa a reflexão dos epicuristas gregos sobre o mal. 
&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;O Epicurismo é um sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C. e seguído depois por outros filósofos, chamados epicuristas. Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a felicidade, esse era o objetivo de seus ensinamentos <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=892" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; É famosa a reflexão dos epicuristas gregos sobre o mal. </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O Epicurismo é um sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C. e seguído depois por outros filósofos, chamados epicuristas. Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a felicidade, esse era o objetivo de seus ensinamentos morais. Para Epicuro, a presença do prazer era sinônimo de ausência de dor, ou de qualquer tipo de aflição: a fome, a abstenção sexual, o aborrecimento, etc.<br />
<span id="more-892"></span><br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para os epicuristas existe uma radical incompatibilidade entre a existência de Deus e a do mal. Diziam eles que “Deus, ou não quer eliminar o mal ou não pode, ou pode e não quer, ou não quer nem pode, ou quer e pode. Se quer e não pode, é impotente, o que não convém a Deus; se pode e não quer, é malévolo, o que também é incompatível com a ideia de Deus; se não quer nem pode, não é Deus. Enfim, se quer e pode, o que corresponde à ideia de Deus, de onde procedem os males da vida e por que ele não os elimina?” Em suma: a existência do mal parece incompatível com a onipotência e a bondade de Deus, ou seja, com a ideia de um Deus onipotente e infinitamente bom”.  (MAC DOWELL, J.A. Investigação filosófica sobre Deus. Belo Horizonte: FAJE, 2008).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Logicamente Deus é onipotente e infinito em bondade, quer e pode eliminar o mal, contudo a responsabilidade pela entrada do mal no mundo é do próprio homem, que, ao utilizar seu livre-arbítrio da vontade, deixou-se seduzir por aquele que criou o mal (um anjo decaído chamado de Satanás ou Lúcifer), e assim, a humanidade resolveu seguir um caminho de separação de Deus, e como bem ensina as sagradas escrituras, “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6, 23).  </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Para Santo Agostinho (354-430), escritor, teólogo, filósofo, padre, bispo e Doutor da Santa Igreja Católica, “esta sedução se deu através do orgulho, principal fonte de toda má opção. A este pecado o demônio acrescentou a inveja, a mais odiosa, até persuadir ao homem esse mesmo orgulho, em razão do qual ele tinha consciência de ter sido condenado” (AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística]. Livro III, terceira parte, cáp. 25, 76, p.240).</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A inveja do demônio em relação a Deus foi passada às criaturas humanas pela persuasão e sedução.<br />
<blockquote>“E vós sereis como deuses” (Gênesis 3, 5).<br />
         Como dizem as Sagradas Escrituras:<br />
        “O orgulho é o começo de todo pecado e “o início do orgulho humano é afastar-se de Deus” (Eclesiástico 10,12-13).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A partir desta decisão humana, que foi respeitada por Deus, o corpo do homem passou a ser revestido de mortalidade, fato contrário à vontade de Deus, que desejava que Sua criação humana estivesse em comunhão com Ele desde o início no paraíso.       </p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Porém, o Senhor, na sua infinita misericórdia, demonstrando todo o Seu poder de eliminar o mal, enviou seu próprio Filho Jesus para nos resgatar do poder do inimigo. Assim, todo aquele que Nele crer vencerá a morte e ressuscitará em um corpo celestial e imortal.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A vinda de Jesus Cristo é o início dos planos de Deus para eliminar o mal do mundo, e este projeto se consumirá somente quando for de Sua vontade (e não no momento que os homens quiserem), quer dizer, no dia do juízo final, na ocasião em que o mal for totalmente e definitivamente derrotado.</p>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Santo Agostinho em sua obra O Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio) faz uma reflexão profunda sobre a origem e a derrota do poder maligno. Ele diz que quando os homens decidem ser submissos ao Senhor, o demônio passa a não ter mais nenhum poder sobre eles.</p>
<blockquote><p> “É porque o Verbo de Deus, o Filho único de Deus, que sempre teve e sempre terá o demônio submetido às suas leis, tendo se revestido de nossa humanidade, submeteu igualmente o demônio ao homem. Para isso, nada lhe exigiu com violência. Mas venceu-o pela lei da justiça. Posto que o demônio, tendo enganado a mulher e feito cair o homem por meio dela – certamente animado pelo desejo perverso de causar dano, entretanto com todo direito -, pretendia submeter à lei da morte todos os descendentes do primeiro homem, a título de pecadores” (AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística]. Livro III, segunda parte, capítulo 10, p.185).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Interessante notar neste texto como procede a justiça de Deus. Ele é sempre justo e fiel, e não poderia deixar de sê-lo nem mesmo com o demônio, que através da desobediência do homem, adquiriu o direito de submeter toda a humanidade à morte do corpo e  à prisão eterna de sua alma imortal (o que chamamos de inferno).</p>
<blockquote><p>“Em consequência, esse poder não deveria perdurar senão até o dia em que o demônio poria o Justo [JESUS] à morte, Àquele em quem nada podia encontrar digno de morte. E Ele, não somente foi condenado à morte, sem crime algum, como também nasceu sem concupiscência alguma, pela qual o demônio subjugava a todos os seus cativos, como frutos de sua árvore. Isso sem dúvida levado por um desejo muito perverso. Não obstante, sem lhe ter faltado certo direito de propriedade. Por conseguinte, é com toda justiça que o demônio está constrangido a libertar aqueles que creem naquele a quem submeteu à morte injustamente. Desse modo, se os homens morrem de morte temporal, que essa morte seja para liquidar sua dívida; e se vivem da vida eterna, que seja para viver naquele [JESUS] que pagou por eles uma dívida que ele próprio não tinha. Para aqueles, porém, a quem o demônio tiver persuadido de perseverar na infidelidade, com direito ele os terá como companheiros na danação eterna. Assim, pois, aconteceu que o homem não foi arrancado por violência ao demônio, tal como este não havia se apropriado por violência ao homem, mas por persuasão. Dessa maneira, foi submetido o homem que com direito havia sido humilhado, a ponto de se tornar escravo daquele a quem dera o consentimento para o mal. Com direito, também foi liberado por Aquele a quem dera consentimento para o bem. Isso porque o homem fora menos culpado consentindo ao mal do que o demônio a persuadir a fazê-lo” (idem, p.185-186).</p></blockquote>
<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Esta é a justiça de Deus, que não pode eliminar o mal do mundo de uma vez só, de forma abrupta, violenta, mas somente através do respeito à liberdade humana, que Ele mesmo criou.</p>
<blockquote><p>  “Visto que o demônio apresentou-se ao homem como exemplo de orgulho, o Senhor apresentou-se a nós [pela encarnação de JESUS] como exemplo de humildade e com a promessa de vida eterna” (AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística]. Livro III, terceira parte, cáp. 25, 76, p.240).</p></blockquote>
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<span style="color:#006600;"><b>Rogério de Paula e Silva</b></span><br />
Disciplinas isoladas &#8211; Filosofia</p>
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		<title>O Livre-Arbítrio – Santo Agostinho</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=841</link>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 16:56:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Resumo
Este artigo faz breves referências a algumas teses importantes de uma das obras mais importantes de Santo Agostinho: O Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio). Este livro, terminado no ano de 395, foi realizado em forma de diálogo com Evódio, seu amigo e conterrâneo, e tem como tema o problema da liberdade humana e a origem do <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=841" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong></p>
<p>Este artigo faz breves referências a algumas teses importantes de uma das obras mais importantes de Santo Agostinho: O Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio). Este livro, terminado no ano de 395, foi realizado em forma de diálogo com Evódio, seu amigo e conterrâneo, e tem como tema o problema da liberdade humana e a origem do mal moral.<br />
<span id="more-841"></span><br />
<strong>Introdução</strong></p>
<p>Aurélio Agostinho (em latim:<em> Aurelius Augustinus</em>), Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho, nasceu em Tagaste, no dia 13 de novembro de 354, e faleceu em Hipona, 28 de agosto de 430. Foi escritor, teólogo, filósofo, padre, bispo e Doutor da Igreja Católica. Santo Agostinho é uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do cristianismo no Ocidente. Em seus primeiros anos, Santo Agostinho foi fortemente influenciado pelo maniqueísmo e pelo neoplatonismo de Plotino, mas depois de sua conversão e batismo (387), ele se utilizou de sua extraordinária capacidade  de discernimento e pensamento para desenvolver métodos filosóficos e teológicos de acordo com a doutrina divina. Ele aprofundou o conceito de pecado original dos padres anteriores e, quando o Império Romano do Ocidente começou a se desintegrar,  começou a desenvolver dois conceitos distintos de homem: o <u>temporal</u>, amigo das coisas materiais;  e o <u>espiritual</u>, aquele que tem afinidade com os assuntos eternos. Com base nestas ideias, Santo Agostinho escreveu outra importante obra (A Cidade de Deus), a qual, a partir daquela época, passou a influenciar o modo de pensar e agir das comunidades cristãs de todo o mundo.<br />
Desde a sua adolescência, Santo Agostinho se preocupava com as questões da liberdade humana e a origem do mal, e uma das causas de sua adesão ao maniqueísmo foi a esperança de aí encontrar uma solução para suas dúvidas. Contudo, as fábulas heréticas não o satisfizeram por muito tempo. Teve que prosseguir a angustiante busca da verdade, pois ele não podia suportar a ideia de que Deus fosse a causa do mal. A leitura do neoplatônico Plotino trouxe-lhe a luz tão desejada, todavia, ainda não fora uma resposta definitiva e plena, a qual Santo Agostinho só encontrou no cristianismo, quando ele retornou ao catolicismo.<br />
A diferença entre os homens e animais: a razão</p>
<p>       É no espírito que reside a faculdade pela qual nós somos superiores aos animais. E se eles fossem seres inanimados, eu diria que nossa superioridade vem do fato de que possuímos uma alma, e eles não. Mas acontece que também eles são animados. Contudo, existe alguma coisa que, não existindo na alma deles, existe na nossa, e por isso acham-se submetido a nós. Ora, é claro para todos que essa faculdade não é um puro nada, nem pouca coisa. E que outro nome lhe daríamos mais correto do que o de RAZÃO ? (Livro I, segunda parte, cáp. 7, 16).</p>
<p><strong>Duas espécies de homens</strong></p>
<p>       Logo, é evidente que há duas espécies de homens: uns amigos das coisas eternas; e outros amigos das coisas temporais. Logo, a lei eterna ordena desapegar-nos do amor das coisas temporais e voltar-nos purificados para as coisas eternas. (Livro I, terceira parte, cáp. 15, 31 e 32).</p>
<p><strong>A vontade livre – entre o Bem supremo e os bens mutáveis</strong></p>
<p>       Quando a vontade (do homem, o bem médio) adere ao Bem imutável (de Deus), o Sumo Bem, então o homem possui a vida feliz. (Livro II, terceira parte, cáp. 52).</p>
<p><strong>A submissão ao Senhor livra-nos do poder do demônio</strong></p>
<p>       É porque o Verbo de Deus, o Filho único de Deus, que sempre teve e sempre terá o demônio submetido às suas leis, tendo se revestido de nossa humanidade, submeteu igualmente o demônio ao homem. Para isso, nada lhe exigiu com violência. Mas venceu-o pela lei da justiça. Posto que o demônio, tendo enganado a mulher e feito cair o homem por meio dela – certamente animado pelo desejo perverso de causar dano, entretanto com todo direito -, pretendia submeter à lei da morte todos os descendentes do primeiro homem, a título de pecadores.<br />
       Em consequência, esse poder não deveria perdurar senão até o dia em que o demônio poria o Justo [JESUS] à morte, Àquele em quem nada podia encontrar digno de morte. E Ele, não somente foi condenado à morte, sem crime algum, como também nasceu sem concupiscência alguma, pela qual o demônio subjugava a todos os seus cativos, como frutos de sua árvore. Isso sem dúvida levado por um desejo muito perverso. Não obstante, sem lhe ter faltado certo direito de propriedade. Por conseguinte, é com toda justiça que o demônio está constrangido a libertar aqueles que creem naquele a quem submeteu à morte injustamente.<br />
       Desse modo, se os homens morrem de morte temporal, que essa morte seja para liquidar sua dívida; e se vivem da vida eterna, que seja para viver naquele que pagou por eles uma dívida que ele próprio não tinha.<br />
       Para aqueles, porém, a quem o demônio tiver persuadido de perseverar na infidelidade, com direito ele os terá como companheiros na danação eterna.<br />
       Assim, pois, aconteceu que o homem não foi arrancado por violência ao demônio, tal como este não havia se apropriado por violência ao homem, mas por persuasão. Dessa maneira, foi submetido o homem que com direito havia sido humilhado, a ponto de se tornar escravo daquele a quem dera o consentimento para o mal. Com direito, também foi liberado por Aquele a quem dera consentimento para o bem. Isso porque o homem fora menos culpado consentindo ao mal do que o demônio a persuadir a fazê-lo. (Livro III, segunda parte, cáp. 10, 31)</p>
<p><strong>Nossa situação atual, devida ao pecado original</strong></p>
<p>       Acontecem certas ações que mesmo cometidas por ignorância foram condenadas, com a obrigação de serem reparadas. Lemos nas Sagradas Escrituras o Apóstolo dizer: <em>“Obtive misericórdia porque agi por ignorância”</em> (1 Tm 1,13). E o rei-profeta:<em> “Não recordes, o Senhor, meus desvios da juventude e os meus pecados por ignorância”</em> (Sl 24,7).<br />
       Existem também ações condenáveis, ainda que praticadas por necessidade. Isso quando o homem pretende agir bem e não consegue. Pois de onde viriam estas palavras: <em>“Não faço o bem que eu quero, mas pratico o mal que não quero?”</em> E estas outras:<em> “Pois o querer o bem está ao meu alcance, não, porém, o praticá-lo”</em> (Rm 7, 18-19). E ainda: <em>“A carne tem aspirações contrárias ao espírito e o espírito contrárias às da carne. Opõem-se reciprocamente, de sorte que não fazeis o que quereis”</em> (Gl 5,17)?  (Livro III, terceira parte, cáp. 18, 51).</p>
<p><strong>A origem das almas – Deus é sempre justo</strong></p>
<p>   Em seguida, se supusermos que Deus criou uma só alma, da qual tiraram sua origem as almas de todos os homens que nascem, quem poderia negar não ter cada homem pecado, ao pecar o primeiro homem? (Livro III, terceira parte, cáp. 20, 56)</p>
<p><strong>O orgulho – principal fonte de toda má opção</strong></p>
<p>      <em>“O orgulho é o começo de todo pecado”</em> (Eclesiástico 10,13). <em>“O início do orgulho humano é afastar-se de Deus”</em> (Eclesiástico 10,12).<br />
       Foi esse o pecado do demônio que acrescentou a inveja, a mais odiosa, até persuadir ao homem esse mesmo orgulho, em razão do qual ele tinha consciência de ter sido condenado.<br />
       Visto que o demônio apresentou-se ao homem como exemplo de orgulho, o Senhor apresentou-se a nós como exemplo de humildade e com a promessa de vida eterna (Livro III, terceira parte, cáp. 25, 76).</p>
<p><strong><br />
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA</strong></p>
<p>AGOSTINHO, Santo, bispo de Hipona, 354-430. O livre arbítrio. [tradução, organização, introdução e notas Nair de Assis Oliveira; revisão Honório Dalbosco]. São Paulo: Paulus, 1995. [Patrística].</p>
<p><center><img src='http://www.filosofante.com.br/v1/wp-content/img/linha.gif' /></center><br />
<span style="color:#006600;"><b>Rogério de Paula e Silva</b></span><br />
Quinto Período de Filosofia</p>
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		<title>São Justino e a Verdadeira Filosofia</title>
		<link>http://www.filosofante.com.br/?p=778</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 17:44:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rogerio</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>

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		<description><![CDATA[Resumo
Este artigo faz referência à obra de SÃO JUSTINO (Apologia I e II: diálogo com Trifão) dirigida ao Imperador Tito, ao seu filho Veríssimo, filósofo, e a Lúcio, filho natural do César, filósofo, ao sacro império e a todo o povo romano, citando algumas teses relevantes deste importante filósofo, que foi um defensor dos ensinamentos <a href="http://www.filosofante.com.br/?p=778" class="more-link">Mais &#62;</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Resumo</strong></p>
<p>Este artigo faz referência à obra de SÃO JUSTINO (Apologia I e II: diálogo com Trifão) dirigida ao Imperador Tito, ao seu filho Veríssimo, filósofo, e a Lúcio, filho natural do César, filósofo, ao sacro império e a todo o povo romano, citando algumas teses relevantes deste importante filósofo, que foi um defensor dos ensinamentos de Cristo como a VERDADEIRA FILOSOFIA.<br />
 <span id="more-778"></span><br />
<strong>Introdução</strong></p>
<p>JUSTINO DE ROMA nasceu em Flávia Neápolis (atual Nablus), na Síria Palestina ou Samaria. Sua educação infantil incluiu retórica, poesia e história. Como jovem adulto mostrou interesse por filosofia e estudou primeiro estoicismo e platonismo. Justino continuou usando a capa que o identificava como filósofo e ensinou estudantes em Éfeso e depois em Roma. Os trabalhos que escreveu inclui: duas apologias em defesa dos cristãos e sua terceira obra foi Diálogo com Trifão. </p>
<p>Justino foi introduzido na fé diretamente por um velho homem que o envolveu numa discussão sobre problemas filosóficos e então lhe falou sobre os profetas que vieram antes dos filósofos que profetizaram a vinda de Cristo. Assim, começou a lhe falar sobre Jesus.  Disse o velho ancião a Justino:</p>
<blockquote><p>&#8220;Reze antes de tudo que as portas da luz estejam abertas para você, porque ninguém pode ver e compreender, se Deus e o seu Cristo não lhe concederem entender&#8221;</p></blockquote>
<p>Justino disse depois que &#8220;meu espírito foi imediatamente posto no fogo e uma afeição pelos profetas e para aqueles que são amigos de Cristo, tomaram conta de mim; enquanto ponderava nestas palavras, descobri que a sua era a única filosofia segura e útil&#8221;. A partir daí ele passou a estudar as sagradas escrituras e  &#8220;se consagrou totalmente a expansão e defesa da religião cristã.&#8221; A convicção de Justino da verdade do Cristo era tão completa que ele teve morte de mártir sendo decapitado no ano 165 d.C..</p>
<p><strong>Participação das criaturas racionais no Logos</strong></p>
<p>O ponto central da apologética de Justino consiste em demonstrar que Jesus Cristo é o Lógos do qual todos os filósofos falaram, e, portanto, a medida que participam do Lógos chegando a expressar uma verdade parcial &#8211; vendo a verdade de modo obscuro &#8211; graças à semente do Logos que neles foi depositada podem dizer-se cristãos. Mas uma coisa é possuir uma semente e outra é o próprio Logos:</p>
<blockquote><p>&#8220;Aprendemos que Cristo é o primogênito de Deus e que é o Lógos, do qual participa todo o gênero humano&#8221; (Justino, I Apologia, 46).</p></blockquote>
<p>Justino, convencido de que a filosofia grega tende para Cristo, &#8220;acredita que os cristãos podem servir-se dela com confiança&#8221; e em conjunto, a figura e a obra do apologista &#8220;assinalam a decidida opção da Igreja antiga em favor da filosofia, em vez de ser a favor da religião dos pagãos&#8221;, com a qual os primeiros cristãos &#8220;rechaçaram com força qualquer compromisso&#8221;. Em sua primeira Apologia, conduziu uma crítica implacável com relação à religião pagã e a seus mitos, que ele considerava como caminhos falsos, diabólicos no caminho da verdade. Assim, Justino, e com ele os outros apologistas, marcaram a tomada de posição nítida da fé cristã pelo Deus dos filósofos contra os falsos deuses da religião pagã. Era a escolha pela verdade do ser, contra o mito do costume.<br />
Justino insiste que os filósofos tomaram dos profetas e de Moisés as verdades que expressam em seus ensinamentos (I Ap, 59, 1-6; 60, 1-7) e identifica Cristo com a alma do mundo de Platão (Timeu, 366).</p>
<p><strong>A ressurreição não é impossível </strong></p>
<blockquote><p>“Façamos uma suposição. Se não fossem o que são e de quem são e alguém lhes mostrasse o sêmen humano e uma imagem pintada de um homem, afirmando que esta se forma daquele, por acaso acreditaria antes de vê-lo nascido? Ninguém se atreveria a contradizer isso. Do mesmo modo, por nunca terem visto um morto ressuscitar, a incredulidade agora os domina. Da mesma forma, como no princípio não teriam crido que de uma pequena gota nasceriam tais seres e, no entanto, os veem nascidos, assim também considerem que não é impossível que os corpos humanos, depois de dissolvidos e espalhados como sementes na terra, ressuscitem a seu tempo, por ordem de Deus e se revistam da incorruptibilidade” (I Ap. 19, 2-4)</p></blockquote>
<p><strong>Os poetas gregos tiveram inspiração demoníaca</strong></p>
<blockquote><p>“Por fim, antes de tornar-se homem entre os homens [Jesus], houve alguns, digo, os demônios malvados, antes mencionados, que se adiantaram a dizer, por meio dos poetas, terem acontecido os mitos que inventaram. De modo que também foram eles que fizeram as obras vergonhosas e ímpias que disseram contra nós, sem que para isso haja qualquer testemunha ou demonstração” (I Ap. 23, 3).</p></blockquote>
<blockquote><p>Provas: Odeiam-se apenas aos cristãos. A primeira prova é que, quando dizemos tais coisas [a doutrina cristã] aos gregos, somos os únicos a ser odiados pelo nome de Cristo e nos tiram a vida, sem termos cometido crime algum, como se fôssemos pecadores (I Ap. 24, 1).</p></blockquote>
<p><strong>Platão se inspirou no profeta bíblico Moisés</strong></p>
<blockquote><p>“De modo que o próprio Platão, ao dizer: ‘A culpa é de quem escolhe. Deus não tem culpa’, falou isso por tê-lo tomado do profeta Moisés, pois se sabe que este é mais antigo do que todos os escritores gregos. Em geral, tudo o que os filósofos e poetas disseram sobre a imortalidade da alma e da contemplação das coisas celestes, aproveitaram-se dos profetas, não só para entender, mas também para expressar isso. Daí que parece haver em todos algo como germes de verdade. Todavia, demonstra-se que não o entenderam exatamente, pelo fato de que se contradizem uns aos outros”. (I Ap. 44, 8-10)</p></blockquote>
<blockquote><p>“O que Platão, explicando a criação, diz no Timeu sobre o Filho de Deus: ‘Deu-lhe a forma de X no universo’, ele o tomou igualmente de Moisés. De fato, nos escritos de Moisés conta-se que, no tempo em que os israelitas tinham saído do Egito e se encontraram no deserto, foram atacados por feras venenosas, víboras, áspides e todo tipo de serpentes, que causavam a morte do povo. Então, por inspiração e impulso de Deus, Moisés pegou bronze, fez uma figura de cruz e a colocou sobre o tabernáculo santo, dizendo ao povo: ‘Se olhardes para esta figura e crerdes, sereis salvos por meio dela.’ Feito isso, ele conta que as serpentes morreram e que o povo então escapou da morte. Platão deve ter lido isso e, não compreendendo exatamente, nem entendendo que se tratava da figura da cruz, tomou-a pela letra X grega, e disse que o poder que acompanha a Deus estava primeiro estendido pelo universo em forma de X. Ao falar do terceiro princípio, deve-se também ao fato de ter lido, como dissemos, em Moisés que o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Com efeito, Platão dá o segundo lugar ao Verbo, que vem de Deus e que ele disse estar espalhado em forma de X no universo; e dá o terceiro lugar ao Espírito que se disse pairar sobre as águas, e assim fala: ‘E o terceiro sobre o terceiro’.” (I Ap. 60, 1-7)</p></blockquote>
<p><strong>A Verdade em Cristo</strong></p>
<blockquote><p>“Com efeito, segundo julgamento prudente, as nossas doutrinas não são vergonhosas, mas superiores a toda filosofia humana”. (II Ap. 15, 2)</p></blockquote>
<p>“Reafirmar a superioridade da religião cristã sobre toda filosofia e sobre todo ensinamento humano, pois só os cristãos possuem o Lógos inteiro, que é Cristo”. (pág. 88)</p>
<p><strong>A semente do verbo</strong></p>
<blockquote><p>“Sabemos que alguns que professaram a doutrina estóica foram odiados e mortos. Pelo menos na ética eles se mostram moderados, assim como os poetas em determinados pontos, por causa da semente do Verbo [Jesus], que se encontra ingênita em todo o gênero humano. Assim foi Heráclito” (II Ap. 7/8, 1).</p></blockquote>
<p><strong>Possuímos o Verbo inteiro</strong></p>
<blockquote><p>“Com efeito, tudo o que os filósofos e legisladores disseram e encontraram de bom, foi elaborado por eles pela investigação e intuição, conforme a parte do Verbo que lhes coube. Todavia, como eles não conheceram o Verbo inteiro, que é Cristo, eles frequentemente se contradisseram uns aos outros. Aqueles que antes de Cristo tentaram investigar e demonstrar as coisas pela razão, conforme as forças humanas, foram levados aos tribunais como ímpios e amigos de novidades. Sócrates, que mais se empenhou nisso, foi acusado dos mesmos crimes que nós, pois diziam que ele introduzia novos demônios e que não reconhecia aqueles que a cidade considerava como deuses. O fato é que, expulsando da República Homero e outros poetas, ele ensinou os homens a rejeitar os maus demônios, que cometeram as abominações de que falam os poetas, e ao mesmo tempo os exortava ao conhecimento de Deus, para eles desconhecido, por meio de investigação racional, dizendo: ‘Não é fácil encontrar o Pai e artífice do universo, nem, quando o tivermos encontrado é seguro dizê-lo a todos’. Foi justamente o que o nosso Cristo fez por sua própria virtude. Com efeito, ninguém acreditou em Sócrates, até que ele deu a sua vida por essa doutrina; em Cristo, porém, que em parte foi conhecido por Sócrates, pois Ele era e é o Verbo que está em tudo, e foi quem predisse o futuro através dos profetas e, feito de nossa natureza, por si mesmo nos ensinou essas coisas” (II Ap. 10, 1-7).</ blockquote></p>
<p><strong>REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA</strong></p>
<p>JUSTINO, mártir. Santo Justino de Roma. I e II Apologias: diálogo com Trifão. [introdução e notas Roque Frangiotti; tradução Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin]. São Paulo: Paulus, 1995 (Patrística)</p>
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<span style="color:#006600;"><b>Rogério de Paula e Silva</b></span><br />
Quinto Período de Filosofia</p>
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